30.8.07

As imagens que nos devoram: Antropofagia e Iconofagia

As imagens que nos devoram: Antropofagia e Iconofagia

Prof. Dr. Norval Baitello Jr.


Imagem nº 1

A corrida entre a máquina de escrever e a máquina de costura

No ano de 1919, na rua Koethener, em Berlim, os divertidos dadaístas, em mais uma de suas concorridas sessões públicas, promoveram uma corrida entre uma máquina de costura e uma máquina de escrever. Enquanto Raoul Hausmann costurava febrilmente uma tira de tecido juntando uma ponta à outra, Richard Huelsenbeck datilografava, como louco, página após página, de uma escrita qualquer. Quando o juiz e narrador George Grosz anunciou a vitória da máquina de costura, Huelsenbeck atirou a máquina ao chão em uma encenação de protesto, arrebentado-a. Talvez sem saberem a extensão de sua brincadeira-heppenning, os dadaístas estavam vislumbrando naquele momento a derrota da escrita e sua lentidão e a vitória da sutura, do pesponto e da costura em seu gesto veloz de juntar pedaços. Já estávamos vivendo em um mundo ora rasgado, ora recortado, ora dilacerado e que somente se manteria como imagem de mundo se fosse costurado na forma de montagem ou colagem. A linha, que até então servira à escrita, passaria a ser apenas o fio que costura as imagens já prontas, imagens prêt-à-porter, porém sempre de segunda ou terceira mão, sempre já previamente digeridas pelos distribuidores de imagens em grande escala que já prenunciavam na atividade jornalística e na publicitária. A cultura do lento tecer criada pela escrita estava perdendo seu lugar para a cultura imagética da colagem e da montagem, da velocidade e da voracidade: uma imagem devora a outra velozmente, transformando-se em outra imagem, também pronta para ser devorada. A costura é a metáfora da colagem e da montagem. E a colagem é a representação por excelência das imagens que devoram imagens que, com razão, reivindicou Hans Belting na Casa das Culturas do Mundo em Berlim em janeiro de 1999, no primeiro seminário sobre as relações entre a imagem e a violência. Assim, temos na devoração de imagens pelas próprias imagens, uma das configurações daquilo que denominei “iconofagia”.

Imagem nº 2

A perspectiva em abismo

Foi Eduardo Peñuela Cañizal que apontou a existência de uma perspectiva em abismo no cinema do espanhol Pedro Almodóvar, que constrói algumas de suas imagens buscando substratos imagéticos nos filmes de Luis Buñuel, que, por sua vez, as reconstrói a partir de cenas de outros filmes ou ainda de imagens clássicas da pintura espanhola. Quando Pablo Picasso pinta suas versões de “As Meninas”, de Velásquez, também está trabalhando na ótica da perspectiva em abismo. Esta forma abismal de lidar com as imagens não se restringe ao cinema ou à pintura, passou a ser amplamente utilizada também pelos meios de comunicação de massa. Alguns anos atrás o jornal Folha de São Paulo publicou em sua primeira página a foto do esquife solitário de um pixador paulista morto no Rio de Janeiro. Dentro da onda de protestos dos leitores pela dureza da imagem, também se incluíam manifestações de júbilo e êxtase pela beleza da foto que lembrava grandes momentos da pintura universal, recordando que a fotografia publicada não tinha como objeto apenas a morte e a violência, mas também os efeitos de luz e sombra dos quadros de Rembrandt ou de Caravaggio. Assim, o mundo das imagens iconofágicas possui uma dimensão abismal. Por trás de uma imagem haverá sempre uma outra imagem que também remeterá a outras imagens.

Imagem nº 3

A escrita e a imagem

A escrita nasceu das imagens figurativas. As superfícies de pigmentos e cores, espacialidades bidimensionais foram se reduzindo paulatinamente à unidimensionalidade da linha. Mas a palavra ‘linha’ vem do latim línea, que significava ‘fio de linha’ ‘corda ou cordel de linho’. Aqui temos o entroncamento, de onde nasceram, por um lado, o tecido, a roupa, as vestimentas em enfim, a moda e, por outro, a escrita, ambos veículos da chamada mídia secundária (Harry Pross). O desenvolvimento de cada um foi exatamente na direção oposta do outro. Enquanto a escrita nasce dos desenhos e das superfícies pintadas e se transformam em linha, o fio de linha se ordena em trama e urdidura com outros fios para se transformar em superfícies de tecidos. As direções de movimentos são, em princípio, invertidas: a imagem vira linha para criar a escrita e a linha vira trama para dar origem ás superfícies, para fazer os tecidos, para constituir as redes. Acontece que o século XX, o século da imagem, fez renascer a escrita imagética. Com o Futurismo, com o Cubismo, e sobretudo com Dada, mas também as artes aplicadas, o design e a propaganda passaram a iconizar a escrita e as letras voltaram a ser imagens, como no princípio permitindo que também a escrita e a letra recuperassem sua natureza bidimensional da origem. As imagens, superfícies bidimensionais, oferecem espaço para que nós, homens, entremos em seu mundo rapidamente. Ao contrário da escrita que exige tempo de leitura e decifração, permitindo a escolha entre entrar ou não em seu mundo, a imagem convida a entrarmos imediatamente e não cobra o preço da decifração. A imagem não exige uma senha de entrada, pois o seu tributo é a sedução e o envolvimento. A imagem nos absorve, nos chama permanentemente a sermos devorados por ela, oferecendo o abismo do pós-imagem, pois após ela sempre há uma perspectiva em abismo, um vazio do igual (ou, como dia Walter Benjamin, uma “catástrofe” do sempre igual”), um vácuo de informações, um buraco negro de imagens que suga e faz desaparecer tudo o que não é imagem.

Imagem nº 4

A iconofagia, a antropofagia, a imagem e o beijo

Toda comunicação humana nasce do vínculo primordial da amamentação, do beijo que busca o alimento. Ao contrário da imagem, que nos leva a um abismo, o beijo nasce do ato da alimentação original e oferece, como contato e comunicação em mídia primária, a maternidade, a profundidade e a tridimensionalidade. Assim, o beijo, também sendo um ato de devoração, é essencialmente distinto da devoração das imagens ou pelas imagens. É a imensa diferença que há entre a antropofagia e a iconofagia. Enquanto na antropofagia (e o beijo é um legítimo ato de antropofagia!) devoramos o outro ou somos devorados pelo outro, na iconofagia somos devorados pelo abismo que tem como portal triunfal de entrada... uma imagem. E nos transforma, seres humanos tridimensionais de carne e osso, necessariamente, em imagens. Como toda mídia secundária ou terciária, tanto a escrita, hoje iconizada para veiculação rápida pelos meios eletrônicos, como as imagens igualmente potencializadas por veículos de grande alcance, quando vistas apenas em sua natureza mediadora, são portanto a expressão de um abismo voraz, uma grande boca insaciável. Seu gesto, contudo, não é bilateral como o beijo. Sua operação não é uma troca, mas uma apropriação.

Imagem nº 5

Alimento e excremento

Toda ingestão pressupõe uma excreção. Assim também na iconofagia. Como ela consiste em uma infindável e abismal repetição, uma remontagem e uma recolagem, os excrementos das imagens que devoram imagens serão sempre mais imagens. A idéia dos excrementos resultantes da iconofagia, indagada por Bernd Ternes em Berlim, traz consigo ainda uma outra indagação: quais seriam os excrementos quando somos devorados pelas imagens? Quando devoramos imagens, produzimos imagens excrementais. E quando as imagens nos devoram, produzem elas imagens excrementais ou seres humanos excrementais? De qual natureza serão os detritos das imagens devoradoras?

Imagem nº 6

Voracidade compulsiva

A questão dos excrementos é tão mais importante quanto mais profundamente se adentra na era das montagens e das colagens. Um mecanismo de dependência se desenvolve a partir da geração e do consumo crescente de imagens, uma voracidade compulsiva. Assim, não será difícil imaginar que a toda essa inflação das imagens trazidas pelo desenvolvimento das máquinas de imagens corresponde um inflacionamento na produção de imagens excrementais. As imagens visuais, as imagens auditivas, as imagens mentais e conceituais, aquelas mesmas imagens que ajudaram a povoar o imaginário da criatividade humana, que ajudaram o homem a construir a sua segunda natureza, sua cultura, entraram em processo de proliferação exacerbada. Quanto mais elas se oferecem como alimento, mais aumenta a avidez por imagens. Quanto mais aumenta a avidez, menos seletiva e menos crítica se tornam a sua recepção e a sua oferta. Quanto menos seletiva e menos crítica sua recepção, tanto menos vínculos e relações, tanto menos fios e elos, tanto menos horizontes e expectativas, tanto menos consideração por tudo que está ao lado, tanto menos ética, tanto menos história. No desgaste e na perda da capacidade de vincular, de relacionar, é que se dá a inversão do processo devorador: de devoradores indiscriminados de imagens passamos a ser indiscriminadamente devorados por elas.

Imagem nº 7

A costura desesperada

Dentre as manifestações imagéticas mais desesperadas da devoração pelas imagens registram-se, sem dúvida, os trabalhos do artista esquizofrênico Artur Bispo do Rosário. Tendo vivido na Colônia de Psicopatas Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, por mais de trinta anos, sua obra artística aí se construiu, a partir de objetos extorquidos de outros internos do hospício. Tomava suas roupas, não raro valendo-se de suas qualidades de antigo boxeador campeão e marinheiro, e desfiava o tecido para, com a linha resultante, costurar e border infinitamente, com palavras, nomes e frases, suas bandeiras, faixas de concursos de beleza feminina, mantos e painéis. Envolvia cuidadosamente com a linha do tecido desfeito os objetos que transformaria em cetros, estandartes e mastros. A linha e a costura eram o canal de vinculação desesperada do artista no mundo das imagens em que vivia durante os surtos da doença. A febril e insana produção de símbolos identificadores e demarcadores dão o testemunho da profusão de imagens que povoavam seu mundo interior – melhor dizendo, o mundo no interior do qual ele vivia. Sua obra, à maneira do “Merzbau” de Kurt Schwitters, foi preenchendo e invadindo cela após cela, corridor após corredor do manicômio, em um claro gesto de partilhar com os outros as insistentes imagens que o acompanhavam dia e noite.

Imagem nº 8

Nise da Silveira

O Museu da Imagem do Inconsciente, também no Rio, reúne, desde 1946, uma enorme coleção de produção imagética dos pacientes de hospitais psiquiátricos. Criado pela corajosa e genial Nise da Silveira, com o intuito de “fazer sondagens no mundo intrapsíquico” e abrir um “acesso ao mundo do esquizofrênico”, o Museu criou um método especial de ordenar e classificar as imagens produzidas pelos doentes mentais. Em seu acervo estão os testemunhos de vidas devoradas pelas imagens. Os desenhos, pinturas e esculturas componentes do acervo são representações das imagens em cujo mundo viviam atormentados os doentes-artistas. O Museu das Imagens do Inconsciente é mais uma documentação eloqüente da voracidade das imagens, desde aquelas mais primordiais e arquetípicas até aquelas que caracterizam o fecund século XX, o chamado “século das imagens”.

Imagem nº 9

Leo Navratil

Foi o psiquiatra austríaco Leo Navratil, atuante durante muitos anos no Hospital Psiquiátrico de Gugging, perto de Viena, quem elaborou uma classificação dos principais traços expressivos das imagens produzidas pelos esquizofrênicos. Navratil detecta grandes traços estruturais como ‘fisionomização’, ‘geometrização/ritmização’ e ‘simbolização’. A freqüência com que ocorrem estes elementos estruturais nos desenhos e pinturas, na poesia e na escultura dos pacientes de Gugging, oferece a Navratil uma prova irrefutável sobre a tipologia das imagens que atormentam seus doentes. E oferece aos estudos da imagem, da comunicação e da cultura um caminho instigante para compreender a obsessividade do assédio a que nos submetemos. A fértil produção de imagens no decorrer do século que recém findou, independentemente de seu âmbito de origem, tem sempre presente ao menos um dos traços da expressividade esquizofrênica. A obsessão pelas fisionomias conhecidas e pelos ídolos, pelas caras e pela visibilidade fisionômica, a frenética repetição, a insaciável recorrência das mesmas imagens em evidência, a adoração pelos formatos padronizados, previsíveis e sempre os mesmos, a adoração dos símbolos e obediência cega a seus preceitos são alguns dos evidentes traços da subordinação humana em relação ao mundo das imagens. A contribuição de Leo Navratil, reconhecida internacionalmente, ainda se restringe ao pequeno mundo da psiquiatria, não tendo podido, por enquanto, frutificar em universos cognitivos mais amplos.

Imagem nº 10

As cavernas das imagens

A imagem também se constitui em diálogo com seu entorno. Assim temos que considerar seu espaço circundante como parte integrante essencial das imagens. As cavernas nas quais nasceram as primeiras manifestações artísticas, ao lado de serem locais de provável culto e provável introspecção, eram incubadoras de imagens, espaços nos quais o homem se permitia conviver lado a lado com suas imagens, conferindo ao seu imaginário, um tipo de “segunda realidade” (Ivan Bystrina), em primeiro lugar, o mesmo status que ele próprio possuía. Depois conferiu a elas o poder sobre seu próprio destino. Nesses espaços o homem elevou as imagens à condição de divindades. O espaço das cavernas de imagens migrou para os espaços das religiões, os templos, as catedrais, as mesquitas, as capelas. Sempre povoados pelas imagens, ora em suportes visíveis, ora na presença apenas de formas abstratas da arquitetura e da decoração, nas escritas das paredes ou apenas nas paredes das mentes, o espaço fechado dos templos assumiu o papel de útero das imagens que acompanhariam o homem em sua lida diária. Sua função era oferecer aos homens o alimento imaginal, enquanto sua própria imagem era de espaço de auto-sacrifício, entrega e regressão. A migração seguinte se dá na transferência das imagens para as salas de viver, o espaço social e nobre das moradias. Nesses espaços nos entregamos sem culpa, no calor da privacidade e no fim da resistência corporal, no estertor das coerções calendárias do dia (Harry Pross), nos entregamos à voracidade das imagens. Do “living room” ao “chatroom”, passando pelo “showroom” e pelos “sites”, o que caracteriza a todos é a proposta de aconchego, mas não mais acompanhado da introspecção, mas da ‘extrospecção’. Nestes espaços, como nas cavernas e nos templos, não estamos mais exercendo nossa capacidade de ver, mas nos colocamos como objetos para sermos vistos. Nos ofertamos ao olhar das imagens. Já não vemos as imagens, apenas somos vistos por elas.

Imagem nº 11

Corredores de imagens

Como nômade e caçador, o homem aprendeu a se apropriar das imagens à margem de seus caminhos. E, de volta ao calor e à fogueira do agrupamento, aprendeu a alimentar o imaginário dos outros de seu grupo, com as cenas apreendidas ao longo de suas estradas. A caçada buscava não apenas alimento, mas também imagens, das quais todos se alimentavam, caçadores e sedentários. Os caminhos, por terra ou por mar, sempre foram povoados por imagens. Para poder apropriar-se delas era necessário resistir ao seu poder de sedução ou vencer sua astúcia e/ou força física. O encanto das viagens na reside em outro lugar que não seja o da busca de imagens (visuais, acústicas, olfativas, gustativas, táteis ou vivenciais). Os caminhos, estradas e rotas de imagens, no entanto, migraram para as grandes avenidas, com painéis, outdoors e displays, luminosos e banners. Novamente o que ocorre é que, encerrados em nossas naves, somos presa fácil para as imagens que saltam sobre nós, que nos assaltam. A apropriação é mais uma vez inevitável: não somos chamados a ver, somos vistos pelas imagens. Exatamente assim ocorre também nas modernas avenidas da informação, as chamadas infovias e suas ferramentas de navegação. Não temos o direito de não olhar, escravos que nos tornamos de nossos olhos. E, com isto nos despedimos das sagas dos heróis que resistiram aos monstros devoradores e retornaram para produzir suas próprias imagens.

29.8.07

Reforma ortográfica

Com data marcada para entrar em vigor em 2008, a reforma ortográfica pretende fazer com que pouco mais de 210 milhões de pessoas em oito países que falam o português tenham a escrita unificada, conservando as variadas pronúncias. A proposta foi apresentada em 1990, mas era necessário que pelo três países ratificassem os termos da proposta, o que ocorreu somente em 2006. O Congresso brasileiro aprovou as mudanças em 1995. Saiba o que vai mudar no nosso idioma:

1. Quais as diferenças básicas da ortografia usada no Brasil e em Portugal?

Existem duas ortografias oficiais da língua portuguesa: a do Brasil e de Portugal. A norma portuguesa é a que serve de referência para o ensino de português em outros países. O vocabulário português contém palavras escritas com consoantes mudas, como Egipto e objecto. Em outras, como indemnizar e facto, as consoantes "a mais" são pronunciadas. Além disso, nas sílabas tônicas seguidas de m e n, o som é aberto. Por exemplo, a palavra econômico (escrita brasileira) é escrita e lida económico em Portugal.


2. Quantos e quais países falam português?

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é composta por oito países: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.


3. A unificação pode trazer benefícios para a economia dos países que falam português?

Uma vez unificado, o português auxiliará a inserção dos países que falam a língua na comunidade das nações desenvolvidas, pois algumas publicações deixam de circular internacionalmente porque dependem de "versão". Um dos principais problemas que as novas regras vão acarretar, no entanto, será o custo da reimpressão de livros.


4. Por que é preciso padronizar o português?

O português, segundo estudos, é a quinta língua mais falada no mundo – cerca de 210 milhões de pessoas – e tem duas grafias oficiais, o que dificulta o estabelecimento da língua como um dos idiomas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU) . A ortografia-padrão facilitará o intercâmbio cultural entre os países que falam português. Livros, inclusive os científicos, e materiais didáticos poderão circular livremente entre os países, sem necessidade de revisão, como já acontece em países que falam espanhol. Além disso, haverá padronização do ensino de português ao redor do mundo.


5. O que é necessário para que ocorram mudanças na língua portuguesa?

É preciso que o projeto com as novas regras seja aprovado pelos oitos países da CPLP e que pelo menos três deles ratifiquem as mudanças em seu território. Assim que as novas regras forem incorporadas ao idioma, inicia-se o período de transição, no qual os materiais didáticos serão adequados às mudanças.


6. Quais foram as reformas na língua portuguesa anteriormente?

Já foram feitos três acordos oficiais, aprovados pelos países falantes: o de 1943, o de 1971 e o que vai vigorar a partir de 2008.


7. O que elas mudaram de essencial na ortografia?

A mudança mais importante antes da aprovada em 1990 (e que vai vigorar a partir de 2008) foi a de 1971. Nesse acordo foi estipulada a eliminação do trema nos hiatos átonos, bem como a do acento circunflexo diferencial nas letras "e" e "o" da sílaba tônica das palavras homógrafas, de significados diferentes, mas com a mesma grafia, além da extinção do acento circunflexo e do grave em palavras terminadas com "mente" e "z". Com a reforma, êle passou a ser escrito ele, sómente, somente e bebêzinho, bebezinho.


8. O acordo para unificação foi proposto em 1990. Por que só foi aprovado agora?

A principal causa da demora é a relutância de alguns países, como Portugal, em ratificar o acordo. Até julho de 2004, era preciso que todos os países membros da CPLP ratificassem as novas normas. Um acordo feito nessa data estabeleceu que bastaria a ratificação por parte de três países. Em 1995, o Brasil efetivou sua ratificação, seguido de Cabo Verde, em fevereiro de 2006, e São Tomé e Príncipe, em dezembro. Portugal ainda precisa adaptar sua legislação às novas regras. Enquanto as mudanças afetarão 0,45% das palavras brasileiras, Portugal sofrerá alterações em 1,6% de seu vocabulário. Os portugueses deixarão, por exemplo, de escrever húmido e escreverão úmido, como os brasileiros.


9. As mudanças serão apenas gráficas ou vão alterar a pronúncia?

As mudanças serão apenas na ortografia, permanecem as pronúncias típicas de cada país.


10. Quais as mudanças na utilização do hífen?

O hífen será mantido nos substantivos compostos (arco-íris, guarda-chuva). Mantém-se nas palavras compostas: norte-americano, ano-luz. O sinal cai em compostos nos quais "se perdeu a noção de composição", como paraquedas e paraquedista. Na prefixação, existe hífen sempre antes de h. Se o prefixo termina por vogal e o elemento seguinte começa por r ou s, duplica-se a consoante. Se o prefixo termina por vogal igual à vogal inicial do segundo elemento, existe hífen. Se as vogais finais e iniciais forem diferentes, não haverá hífen. Hiper, inter e super têm hífen antes de outro elemento iniciado por r. Circum e pan têm hífen antes de elemento iniciado por vogal, m, n e h. Ex e vice mantêm o hífen existente hoje.


11. Como fica a regra de acentuação?

Paroxítonas terminadas com duas letras "o" não mais terão acento circunflexo. Abençôo, vôo, enjôo passarão a ser escritos da seguinte forma: abençoo, voo, enjoo. O circunflexo também será extinto nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos crer, dar, ler, ver e seus decorrentes. A grafia correta será creem, deem, leem e veem. O trema desaparece por completo. As palavras linguiça e frequência estarão gramaticalmente corretas. Serão eliminados os acentos agudos nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como jibóia e idéia. Além disso, será eliminado o acento diferencial em pára (verbo) de para (preposição).




O que muda
Grafia
Acentuação
Brasil
• Criada a dupla grafia, em alguns casos, para diferenciação. Ex: amámos, em vez de amamos;
• O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação de "k", "w" e "y";
• Mudam-se as normas para uso do hífen.
• Eliminação do acento agudo nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas;
• O acento deixará de ser usado para diferenciar "pára" (verbo) de "para" (preposição);
• Extinção completa do trema;
• Mudanças na utilização do acento circunflexo
Portugal
• O "c" e o "p" não deverão mais ser escritos em palavras nas quais não são pronunciados. Ex: acção passará a ser escrito ação, como no Brasil;
• Elimina-se o "h" inicial de algumas palavras, como em "húmido", que passará a ser "úmido".
• Serão mantidos o acento agudo no "e" e no "o" tônicos que antecedem "m" ou "n", enquanto o Brasil continua a ser usado o acento circunflexo nessas palavras. Ex: académico (em Portugal) e acadêmico (no Brasil).

O ataque da corrupção

Renan usa asseclas para urdir CPI contra a Abril numa vingança pelo fato de VEJA ter revelado suas falcatruas

Ed Ferreira/AE
Jader Barbalho, que dispensa apresentações: a vendeta de Renan também é a sua vendeta e a de muitos outros políticos denunciados por VEJA

O senador Renan Calheiros é um político desesperado que faz coisas desesperadas. Acuado pelas revelações de VEJA sobre suas condutas impróprias, que devem tirá-lo da presidência do Senado, partiu para a vendeta ao melhor estilo mafioso. Renan e seus sequazes patrocinam a abertura de uma CPI na Câmara dos Deputados para "investigar" a associação entre a TVA, empresa de televisão por assinatura do Grupo Abril, que edita VEJA, e o Grupo Telefônica, de origem espanhola. A alegação é absurda. O negócio, aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) depois de minuciosa análise, não fere a lei e é igual a outros fechados recentemente no país (veja o quadro). Para tentar forçar a abertura da CPI, Renan arregimentou uma tropa de choque especializada em surrar a ética. Abrilhantam-na Jader Barbalho e Orestes Quércia, que dispensam apresentações, os mensaleiros José Genoíno, João Paulo Cunha, Paulo Rocha e Valdemar Costa Neto e os sanguessugas Wellington Fagundes e Wellington Roberto. Todos eles denunciados por VEJA em algum momento de suas tristes biografias.

Ao todo, Renan e sua turma recolheram 181 assinaturas. Entre os deputados que firmaram o requerimento, além dos mal-intencionados, há ingênuos e enganados. Cinqüenta e nove parlamentares do PT apuseram seu jamegão. Boa parte desses petistas obedeceu às ordens de José Dirceu. Além da vingança contra VEJA, que noticiou os seus malfeitos como chefe da quadrilha do mensalão, o ex-ministro Dirceu tem interesses bem mais sólidos para embaraçar a associação entre a Abril e a Telefônica. Seu patrocinador atual é o bilionário mexicano Carlos Slim, o homem mais rico do mundo, que trava uma guerra comercial com o grupo espanhol.

As reportagens de VEJA, iniciadas em maio deste ano: uma a uma, as revelações foram se comprovando. Agora, Renan pode cair

A tentativa de criação da CPI da TVA, além de espúria na origem, tem a clara intenção de intimidar não apenas a Abril mas toda a imprensa independente do país. Ela tem as cores da vendeta, as formas da chantagem e, se seguir adiante, será um desperdício de tempo e dinheiro públicos, ademais de aprofundar o fosso que separa a sociedade brasileira de seus políticos no distante planeta Brasília. O plano de Renan e asseclas começou a ser articulado há um mês no gabinete do senador. A intenção explícita – dita entre meias-palavras – era retaliar VEJA, pelo fato de a revista ter publicado as reportagens que resultaram nas investigações contra o senador. Participaram da primeira reunião, além de Calheiros, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, o senador Valdir Raupp (RO), líder do PMDB, e o deputado Jader Barbalho, do PMDB do Pará. Inicialmente, Renan pensava em defender a abertura da CPI no Senado. Foi desaconselhado por Jader. Ele considerou que não haveria apoio suficiente, pois a iniciativa configuraria claramente a tentativa de vingança de Renan. Tentou-se uma chicana e Jader encarregou-se de fazer o serviço sujo na Câmara.

Jader desviou as atenções – sim, dessa vez foram só as atenções – ao entregar um requerimento para que o líder do PT, Luiz Sérgio (RJ), coletasse assinaturas. Enquanto os opositores da CPI pressionavam Luiz Sérgio a desistir, Jader encarregou o deputado Wladimir Costa (PMDB-PA), que lhe presta fidelidade canina, a dar início à circulação de outro requerimento, então completamente clandestino. Antes de entrar na política, Costa ganhava a vida como apresentador de programas populares de rádio e cantor de carimbó, ritmo popular paraense.

O governo, desde o começo, se opôs à CPI. José Múcio Monteiro (PTB-PE), líder do governo, alertava para o fato de que a investigação poderia se voltar contra a Anatel, prejudicando o ambiente de negócios do país. Sensibilizado pelo argumento, o líder do PMDB, Henrique Alves (RN), mandou uma carta a todos os parlamentares da sigla aconselhando-os a não assinar o requerimento nas mãos de Luiz Sérgio. Deputados do PT, como Walter Pinheiro (BA), passaram a trabalhar para retirar assinaturas que já haviam sido dadas.

Celso Junior/AE
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP): caberá a ele decidir se a CPI maquinada por Renan será instalada

Enquanto isso, Wladimir Costa perpetrava o seu trabalho silencioso com o segundo requerimento. Ao verem que o plano estava funcionando, Renan e Jader procuraram o apoio de deputados que também tinham interesse na vingança, por terem sido retratados em reportagens de VEJA cujo conteúdo lhes desagradou. A maioria deles responde a processos. Alguns são réus no inquérito do mensalão, que está sendo julgado pelo STF. No PT, Jader conversou com João Paulo Cunha, Paulo Rocha e José Genoíno, presidente do PT na eclosão do escândalo do mensalão. Na última semana, o trio petista se empenhou mais em angariar assinaturas do que em ajudar a construir suas defesas no Supremo.

A essa altura, o requerimento de Wladimir Costa já era de conhecimento de muitos parlamentares. Mas faltava cooptar uma parte do PMDB. Acompanhado de Olavo Calheiros, irmão de Renan, Jader recorreu a Anthony Garotinho, Orestes Quércia e Roberto Requião – outra trinca que não consegue conviver com uma imprensa independente. Eles obtiveram 29 assinaturas de peemedebistas. O PCdoB, partido pelo qual Renildo Calheiros, o irmão mais novo de Renan, é deputado, compareceu com os seus treze deputados. Para superar o número de 171 assinaturas, mínimo necessário para que o pedido de uma CPI seja apresentado na Câmara, o vale-tudo ganhou impulso. A palavra de ordem passou a ser "enganar".

O deputado Eliseu Padilha foi um dos ludibriados. Ele conta que estava no plenário, na quarta-feira passada, quando foi abordado pelo deputado Aníbal Gomes, do PMDB do Ceará e cupincha de Renan. Padilha coletava assinaturas para a criação de uma Frente Parlamentar dos Terrenos da Marinha. "Se você assinar o meu, eu assino o seu", propôs Gomes, com um papel na mão. "O que é o seu?", questionou Padilha. "Um pedido de explicações para o Hélio Costa", mentiu Gomes, referindo-se ao ministro das Comunicações. Quando leu na sexta-feira que a CPI da TVA poderia ser instalada, Padilha consultou a secretaria-geral da Câmara e descobriu que seu nome estava entre os apoiadores. Imediatamente, pediu a retirada. "Não sabia o que era. Se soubesse, não teria assinado", diz. O partido Democratas vai questionar formalmente a mesa da Câmara dos Deputados. O presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), e o líder da bancada, Onyx Lorenzoni (RS), consideram o pedido de CPI uma "tentativa inaceitável de atingir a liberdade de imprensa em vigor no país". Segundo eles, a iniciativa tem um só objetivo: "Usar o poder institucional do Legislativo contra o direito de acesso à informação do povo brasileiro". Maia lembra: "Não há fato determinado. O que há é um desserviço ao Brasil e à democracia".

A utilização de uma CPI como instrumento de vingança pessoal é um desvirtuamento institucional e um insulto à democracia. Personalidades da República ouvidas por VEJA mostram-se perplexas e indignadas com a malandragem de Renan e seus seguidores (veja galeria nestas páginas e nas anteriores). O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, tem poderes para deter essa marcha da insensatez, e se o fizer estará prestando um serviço à imagem da instituição que preside. O Grupo Abril reafirma sua crença no depurativo da imprensa e conclui que a CPI é "uma tentativa espúria de alguns poucos, dentro e fora do Parlamento, de manipular a Câmara dos Deputados de modo a atingir a Abril pelos fatos que VEJA tem revelado sobre o senador Renan Calheiros".

CPI É AMEAÇA À LIBERDADE DE IMPRENSA, AFIRMAM POLÍTICOS

Para governadores, prefeitos, senadores, deputados e
representantes de entidades da sociedade civil, Renan
Calheiros foi longe demais em sua tentativa de retaliação

Otavio Dias Oliveira
"Achei essa iniciativa um absurdo. Trata-se de uma evidente ameaça à liberdade de imprensa. Além disso, banaliza o sentido e o propósito de uma CPI."
José Serra, governador de São Paulo

Hedeson Alves/AE

"Uma CPI não deve servir para apurar questões que dizem respeito a operações comerciais, há outros foros para isso. Também não pode se transformar em objeto de disputa política, porque corre o risco de se desmoralizar."
Aécio Neves, governador de Minas Gerais


Oscar Cabral

"Uma CPI só se justifica quando o interesse público é lesado, o que não é o caso. Do jeito que está posta, é uma inibição à liberdade de imprensa. Não foi caminhando nessa direção que o Brasil avançou tanto. Essa CPI tem ares venezuelanos."
Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro


Vidal Cavalcante/AE

"É lamentável o desvirtuamento do conceito das CPIs. Elas não podem servir de instrumento para atender a objetivos que não aqueles definidos no foco de suas atribuições. Tenho receio de que essa proposta atenda a outros interesses."
Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo


Bruno Veiga/Strana

"A reação do senador Renan Calheiros mostra que ele faz parte daquele grupo de políticos que quer que a imprensa lhe seja serviçal. Se fosse apenas um parlamentar, isso poderia ser considerado um deslize. Mas ele é presidente do Congresso. Isso é extremamente grave para a democracia."
Cesar Maia, prefeito do Rio de Janeiro


Ana Araujo

"Essa iniciativa de Renan Calheiros acabará se voltando contra o próprio senador. Ela reforça a idéia de que Renan está usando a força de seu cargo, e da instituição que preside, para retaliar a imprensa, o que é inadmissível. Um ato dessa natureza cria um precedente muito perigoso."
Tasso Jereissati, senador (PSDB-CE)


Dida Sampaio/AE

"Eu, que sempre fui defensor da liberdade de imprensa – no meu governo nunca processei nenhum jornalista –, jamais posso aprovar qualquer retaliação direta ou indireta contra um órgão da mídia nacional, especialmente tão expressivo como a Editora Abril."
José Sarney, senador (PMDB-AP)


Joedson Alves/AE

"Essa CPI soa como uma vingança pessoal em razão das denúncias contra Renan Calheiros. Se cada denúncia de um órgão da imprensa contra um parlamentar resultar em uma CPI contra o denunciante, será uma tentativa de intimidação muito preocupante."
Jefferson Péres, senador (PDT-AM)


Cristiano Mariz

"É a retaliação de um político atolado em irregularidades. Como não tem como se defender, ataca quem o denuncia. Como não tem mais poder no Senado, utiliza a Câmara como cabo de chicote. Com essa CPI, a Câmara se desmoralizará, como o Senado já se desmoralizou."
Demostenes Torres, senador (DEM-GO)


Roberto Barros/Ag. Brasil

"É preciso concluir esses processos em torno do senador Renan Calheiros para depois, se for o caso, começar outro. O que não pode acontecer é isso virar uma vendeta. Imagine se cada vez que um político for alvo da imprensa ele quiser abrir uma CPI."
Pedro Simon, senador (PMDB-RS)


Ana Araujo

"Essa tentativa de intimidação é mais uma forma de inibir as críticas aos políticos no Brasil. Essas intimidações normalmente acontecem via Judiciário, com processos que são apenas para ameaçar a imprensa, e agora surge essa outra modalidade, que é tentar inibir usando uma CPI. Acho que elas tendem ao fracasso."
Fernando Gabeira, deputado (PV-RJ)


Luis Antonio

"Não há razão para essa CPI. Primeiro, porque não cabe aos parlamentares interferir num negócio perfeitamente legal entre empresas privadas. Depois, porque o Parlamento não pode servir de instrumento de vendetas. Muito menos do senador Renan Calheiros."
Onyx Lorenzoni, deputado (DEM-RS)


Heitor Hui/AE

"Tudo indica que o presidente do Senado aventou essa possibilidade de irregularidade na transação da Abril em represália às matérias de VEJA. Pela leitura do noticiário, não enxerguei nenhum ilícito praticado pela empresa."
Claudio Weber Abramo, diretor executivo da Transparência Brasil


"A ABI acompanha com preocupação qualquer medida que represente restrição à liberdade de informação, como no caso desse requerimento de CPI que Renan conseguiu na Câmara como represália ao noticiário que a revista VEJA vem publicando contra ele."
Maurício Azêdo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI)


Lalo de Almeida/Folha Imagem

"A CPI não é caminho adequado. Se Renan Calheiros tem notícia de alguma irregularidade dessa natureza, ele deve recorrer ao Ministério Público. No Congresso, banalizaram a CPI, que acaba desmoralizada pelos excessos."
Dalmo Dallari, jurista



NADA A ESCONDER

A tentativa de Renan Calheiros de atingir o Grupo Abril assenta-se sobre uma falsidade com a qual ele procura transformar em escândalo uma operação comercial absolutamente legal, analisada e aprovada pelo governo depois de nove meses de estudos. De acordo com o pedido de instalação da CPI, a operação entre a TVA – empresa do Grupo Abril – e a espanhola Telefônica "fere o interesse nacional, restringe a concorrência e agride o mercado nacional". São afirmações mentirosas. A transação entre a TVA e a Telefônica respeita o interesse nacional, aumenta a concorrência e fortalece o mercado. A lei exige que, para se associarem a uma companhia estrangeira, as empresas de TV a cabo conservem, no mínimo, 51% do seu capital votante sob controle nacional. No caso de São Paulo, onde a Telefônica é concessionária, esse porcentual sobe para 80,1%.

Foi exatamente o que fez o Grupo Abril ao vender parte da TVA à Telefônica. E, ao fazê-lo, não inaugurou nenhum procedimento. A recente convergência das tecnologias de voz, dados e imagem estimulou parcerias entre empresas de diversos países e, no Brasil, foi o pano de fundo não só do acordo entre o Grupo Abril e a Telefônica, mas de outros envolvendo empresas estrangeiras que o precederam. Em 2005, a Portugal Telecom adquiriu participação no Grupo Folha, dono do jornal Folha de S.Paulo e do provedor de acesso à internet UOL.

Em 2004, a Globopar – controladora da Net – associou-se à mexicana Telmex (proprietária da Embratel e da Claro), passando a ela parte do controle da Net. A associação da TVA com a Telefônica é análoga àquela entre NET e Telmex. Ambas foram autorizadas pela Anatel. Todos os trâmites da operação não só foram respeitados como têm sido acompanhados pelos órgãos competentes – em contraste com os negócios subterrâneos de Renan Calheiros.

BARATA – A SOBREVIVENTE

QUEM É VIVO SEMPRE DESAPARECE.

BARATA – A SOBREVIVENTE

Vocês talvez não tenham reparado, mas a relação humana com o inseto, o mosquito, a pulga, o carrapato, a formiga, o gorgulho, e sobretudo a barata, é uma relação de mão dupla, toma lá da cá ou, mais exatamente, pica lá pisa cá. Pra sua sobrevivência os insetos dependem fundamentalmente do homem, seus afins e subprodutos: latas de lixo, cocô de cachorro, papel pega-mosca, DDT, sangue, açúcar na cama. E coxas – nem me perguntem como eles sobreviviam quando vocês ainda não freqüentavam motéis na Barra. Por outro lado, sem os insetos não teríamos seda, cega-rega, mel, zumbidos, rãs gordinhas, malária, doença de Chagas e nojo de barata.

Seja dito: é evidente que vocês estão ultrapassados nessa imensa petulância homocêntrica. Quando ninguém mais se lembrar de vocês, alguns bichinhos ainda andarão por aí, procurando a quem morder ou simplesmente chatear. Principalmente a barata.

Dou a vocês o direito de duvidar do que digo. Mas não admito que duvidem desse admirável ser humano (como o cachorro do Magri) – a barata. Exponho aqui sua biografia e funções anatômicas pra que aprendam a respeitá-la. Medo já têm.

Importante: não consultei o Google, essa cultura prêt–porter.

Celeiro – As baratas têm um, esôfago, pra guardar comida. Pré-mastigada, pós-mastigada ou remastigada, a barata nem liga. Se a comida não foi devidamente mastigada, esta segunda dentição mastiga tudo de novo.

Intestino intermediário – Parte do meio do intestino, por onde a barata absorve nutrientes complementares.

Túbulos – Nome elegante para os rins da barata. Alteram o "sangue" que flui pelo trato digestivo, limpando as impurezas.

Cólon – Cólon e reto. As baratas também têm. Por aí fazem a digestão e processam o poop (se vocês querem linguagem menos anglófila, o cocô).

Coração – Querem agradar à barata? Dêem-lhe um fio de macarrão. Ela adora. Deve ser porque seu coração é como um tubo. Palpita pra trás e pra frente. E pode até parar que a barata continua sobrevivendo. O sangue flui livremente através de outra cavidade no corpo da bichinha.

Pulmões – A barata respira por uma porção de pequenos orifícios, que distribuem oxigênio pra todas as partes do corpo.

Corpo gorduroso – É aquela nojeira branca que surge quando você pisa numa barata. Como a dos humanos, essa gordura é reserva de energia. E ajuda a destoxificar (destruir os tóxicos) desses inseticidas ingênuos que jogam sobre ela.

Cérebro – As baratas têm pedaços de cérebro em todo o corpo. A cabeça encerra a maior parte do sistema nervoso, o cérebro propriamente dito. Mais "cérebros" são espalhados a intervalos regulares na parte ventral, com pedaços especiais para as duas pernas. Assim, se vocês cortam a cabeça de uma barata, ela ainda vive. Só morre de fome ou de sede, umas duas semanas depois.

Olho – Cada olho da barata é feito de 2 000 lentes. Olhos compostos. Os olhos humanos têm apenas uma lente.

Pernas – As pernas da barata têm cabelos, que informam a barata se ela está de pé – obrigando-a a boas maneiras.

Antenas ou sensores – Dão à barata o sentido do odor. São extremamente sensíveis ao cheiro da comida. A barata-macho tem sensores especiais que informam quando uma fêmea está querendo.

Cercus – Aqueles dois cabelinhos no fim das baratas. Funcionam como birutas de aeroporto. Quando alguma coisa ou pessoa se aproxima produz sempre um ventinho. A barata escapa em direção contrária.

Boca – Notável. Além do gosto, tem sentido de odor. Move-se de lado a lado e não de cima pra baixo, como a de vocês.

Reprodução – Quando a fêmea barata quer um macho, segrega um odor (feromona) que deixa o barato louco. Então ele introduz nela uma quantidade de esperma que a mantém grávida pelo resto da vida. Produzindo, de cada vez, um "pacote" de 16 a 64 baratinhos.

Sintetizando: se houver mesmo esse tão prometido e tão adiado holocausto atômico, a barata se salvará, se alimentando alegremente com vossas carcaças radioativas. E de Marte nem se notará a vossa falta.

Bem, eu estarei em Petrópolis.

Intimidade, câmera, ação!

Transformar a própria vida em show ao vivo na internet é a nova mania dos que fazem tudo para virar celebridade.

Silvia Rogar


Lançado em 1998, o filme O Show de Truman contava a história de um jovem que, desde o nascimento, tem seus passos monitorados por câmeras, manipulados por um diretor e exibidos na televisão mundo afora – sem o seu conhecimento, claro. Quando descobre ser ele próprio um seriado ambulante, Truman Burbank, interpretado por Jim Carrey, faz de tudo para se libertar do foco das lentes. Na vida real, tem acontecido o oposto. A nova mania entre alguns internautas de carteirinha é revelar a intimidade ao vivo na rede. Depois dos blogs, dos fotologs, dos sites de relacionamento e do YouTube, o exibicionismo virtual entra na era do chamado lifecasting – em tradução livre do inglês, algo como transmissão da vida. Já é possível encontrar uma penca de desinibidos que andam para cima e para baixo com uma câmera permanentemente ligada. E vale de tudo para tornar sua programação mais atraente: conversar com estranhos na rua, fazer compras ou, o que é mais comum, simplesmente se exibir.

Ser o assunto principal de um show on-line e ao vivo não requer muito dinheiro ou equipamentos sofisticados. A produção é praticamente caseira: basta ter laptop, webcam (pequena câmera para internet), conexão de internet wireless (sem fio) e, para não interromper a transmissão, um bom arsenal de baterias para o computador. Do outro lado da tela, a graça de assistir a um programa do gênero é ultrapassar o voyeurismo. Os sites permitem que o público interaja com seus protagonistas, através de mensagens e bate-papos. O mais célebre entre os protagonistas desse tipo de "programa" é Justin Kan, americano de 23 anos, formado em física pela conceituada Universidade Yale. Faça chuva ou faça sol, ele passa seus dias com uma câmera acoplada ao boné e interligada a um laptop levíssimo, que carrega na mochila. Desde março passado, as imagens do seu cotidiano são transmitidas em tempo real na Justin.TV (www.justin.tv), site criado por Kan e outros três amigos, justamente com o objetivo de mostrar o "show da vida" do fundador e de outros exibicionistas.

A maioria dos que se candidatam a astros na rede gosta de estar na frente das câmeras. Kan é exceção. Passa a maior parte do tempo mostrando o mundo sob sua perspectiva. Não se deve imaginar nada muito filosófico. Como sua agenda social está bem longe de ter a agitação da rotina de uma Paris Hilton, Kan faz de tudo para ter momentos mais interessantes – e, claro, chamar atenção. Ele já se jogou de roupa numa piscina, fez aula de trapézio e está agora em busca de uma namorada. Encontrar alguém que se disponha a andar com um sujeito que carrega uma câmera no boné, 24 horas por dia, não é tarefa das mais fáceis. Mas Kan não desanima. "Enquanto me divertir, passarei meus dias assim. Só não levo a câmera quando entro em banheiros públicos. Também tiro o som para discutir estratégias de negócios em reuniões", disse a VEJA na semana passada – tudo devidamente gravado por ele, claro.

Sim, negócios. A nova obsessão dos aventureiros pontocom é criar o site campeão de transmissões ao vivo, uma espécie de YouTube da categoria. "A nossa idéia é permitir que todo internauta tenha seu canal de TV para se divertir", disse a VEJA John Ham, 29 anos, fundador do Ustream (www.ustream.tv), um dos principais sites dedicados ao filão. A idéia tem potencial, mas esbarra na dificuldade de que nem todo mundo é suficientemente interessante para virar atração. A designer Justine Ezarik é uma das poucas que ultrapassam com sobras essa barreira. Alçada a celebridade da internet, seu sucesso deve-se à combinação perfeita de dotes: loura, com estampa que lembra a da atriz Cameron Diaz, ela domina o mundo virtual com a habilidade de um nerd. Para encontrar gente interessante capaz de preencher sua programação, o Ustream realizou um concurso em que elegeu dez pessoas para estrelar programas ao vivo e ofereceu um cachê aos ganhadores. Uma das escolhidas foi Jody Gnant, aspirante a cantora que diz ter mais medo da obscuridade que da falta de privacidade. Assim como usuários de fotologs e sites de relacionamento, ela vê a experiência como mais uma forma de aumentar o círculo de amizades. "No início, queria apenas promover o meu CD, mas me viciei nos bate-papos com o público", conta.

Não é de hoje que a curiosidade sobre a vida alheia mostra seu potencial de virar febre na internet. Em 1996, a estudante americana Jennifer Ringley passou a transmitir continuamente imagens de seu dormitório universitário. Dois anos depois, 3 milhões de pessoas checavam a intimidade da moça em seu site. Eram imagens estáticas e em preto-e-branco com tudo o que se deveria fazer entre quatro paredes, incluindo sexo e trocas de roupa. Tudo foi documentado até 2003, quando ela cansou da falta de privacidade e se desconectou. Esse, aliás, um recurso indispensável. Na hora de ir ao banheiro, Justin Kan mira a câmera para o teto.

28.8.07

Uma janela para as estrelas


Sky, o novo programa do Google, permite a observação
de milhões de constelações e galáxias pela web


Carlos Rydlewski

Fabian Bimmer/AP
Samuel Widmann, do Google Earth, apresenta o Sky no planetário de Hamburgo: um telescópio virtual

A internet transformou-se no maior observatório astronômico existente no planeta. Na semana passada, o Google lançou o Sky, uma extensão do Google Earth, que permite a visualização de 100 milhões de estrelas e 200 milhões de galáxias. As ferramentas disponíveis no programa oferecem a qualquer usuário da web uma visão do universo antes só possível para astrônomos profissionais. "Agora, todos podem apreciar, explorar e descobrir a nossa frágil posição neste enorme e estranho universo", resumiu Francisco Diego, do departamento de física e astronomia da Universidade de Londres, que colaborou com o projeto. Versátil, o software está disponível em treze idiomas, incluindo o português, e não exige grande capacidade de memória ou de processamento do computador.

É possível encontrar no Sky todas as constelações do firmamento, da Cassiopéia, cujos principais astros formam um "W", até Órion. No céu do Google são identificados todos os nomes e desenhos desses grupos de corpos celestes, com as estrelas que os compõem. Para circular pelo cosmo, usa-se um joystick virtual, localizado na parte superior direita da tela. O dispositivo permite que se mergulhe no universo, como nos filmes que mostram viagens estelares feitas na velocidade da luz. As estrelas são vistas em três dimensões à medida que se aproximam e são ultrapassadas. O joystick também permite movimentos laterais do trecho observado do céu. Nesses deslocamentos, a sensação é a de estar num planetário.

Mergulho no espaço: página do Sky mostra informações e a órbita da Lua e de Netuno, sobre a imagem de grupos de constelações

Uma função do Sky foi batizada de Quintal Astronômico. Ela destaca as estrelas, as galáxias e as nebulosas que podem ser vistas a olho nu ou com o auxílio de binóculos e pequenos telescópios. Tem como objetivo ajudar as pessoas, principalmente os astrônomos amadores, a reconhecer com maior facilidade áreas do céu à noite. O programa conta com 120 fotos em alta resolução, feitas pelo telescópio Hubble, a mais potente máquina usada para produzir imagens do espaço. Foi com a utilização desse equipamento que os pesquisadores conseguiram comprovar a existência de buracos negros no núcleo das galáxias e entender o processo de nascimento e morte das estrelas. Quando se clica sobre uma dessas fotos, a tela mostra um quadro com textos informativos, retirados do banco de dados da agência espacial americana, a Nasa. O programa também está conectado diretamente à Wikipédia, a enciclopédia da web.

O Sky permite observar a trajetória desenhada no céu pelos planetas do sistema solar durante um período de dois meses. É possível, por exemplo, localizar Netuno no firmamento em um determinado dia e hora. Ou identificar a posição da Lua e mostrar em que fase estava o satélite naquele momento. Os astronautas virtuais podem ainda usar o Sky para fazer turismo pelas galáxias saltando da Via Láctea para Andrômeda ou para as Nuvens de Magalhães. Ou até realizar uma jornada passando por todo o ciclo de vida de uma estrela. Para colocar o universo dentro do computador, o Sky utilizou imagens da Nasa e de seis observatórios internacionais. Por meio de softwares específicos, as fotos foram agrupadas umas ao lado das outras até que se formasse uma imagem nítida de cada recanto conhecido do universo – uma construção semelhante à executada com as imagens de satélite da superfície da Terra no Google Earth.

Divulgação

Um passeio em 3D no guia virtual do Google Maps: por enquanto, só em cidades americanas

A estrutura do Sky, criada por engenheiros do Google especialmente interessados em astronomia, sediados em Pittsburgh, nos Estados Unidos, será aprimorada e enriquecida por meio de iniciativas da empresa do Vale do Silício e também por ação direta de usuários da internet. Isso já acontece com todos os serviços da empresa que unem geografia, imagens e internet, como o Google Earth, que acumula mais de 200 milhões de downloads, e o Google Maps. Lançada no fim de maio, uma das novidades mais impressionantes do programa de mapas é o Google Maps Street View. O recurso permite que uma pessoa observe uma rua – com as fachadas das lojas, as casas e os carros – como se estivesse circulando pela calçada. É possível realizar giros de 360 graus. O mais interessante é que, nesses movimentos, as imagens não são quebradas, mas contínuas. Para conseguir esse efeito, fotos de ruas de nove cidades americanas, onde o serviço está disponível, foram feitas por uma câmera especial, com onze objetivas e onze sensores, montada num dodecaedro, um objeto com doze faces, e instalada no teto de um carro. Com esse tipo de mapa, será possível conhecer em detalhes uma cidade sem sair da frente do computador. Isso, claro, para quem não quiser dar uma voltinha pelo universo.

NASA

Nebulosa do Caranguejo: Sky inclui 120 imagens como esta, feitas pelo Hubble

TODAS AS FOTOS REUNIDAS NUMA SÓ

A construção de espaços virtuais em três dimensões é uma tendência irreversível da internet. Um dos programas mais espetaculares para a formação desse tipo de ambiente começa a sair dos laboratórios. Trata-se do Photosynth, desenvolvido pela empresa americana Seadragon, adquirida em 2006 pela Microsoft. Demonstrações do produto, ainda em versão de teste, foram feitas para recriar na web objetos em 3D tão variados como o ônibus espacial Endeavour, da Nasa, e prédios históricos. Para erguer esses espaços virtuais, o Photosynth usa fotos tiradas por qualquer pessoa que estejam disponíveis na web. O programa pode procurá-las automaticamente na internet. O sistema reconhece as similaridades existentes entre milhões de cenas e as reúne como se fosse uma ferramenta de busca – de forma semelhante à seleção que o Google faz de páginas que contenham determinada palavra.

Feita a escolha, as imagens são colocadas em uma espécie de molde em 3D, como mostra a seqüência de ilustrações ao lado, e vão se aproximando da versão final. O Photosynth vai mais longe: o software também pode criar imagens artificiais, para preencher pequenos buracos ou detalhes do cenário não encontrados nas fotografias disponíveis. Em uma demonstração pública realizada em março, um dos criadores do sistema, o cientista da computação Blaise Agüera y Arcas, formado em Princeton, produziu uma imagem em três dimensões da Catedral de Notre Dame, contando apenas com fotos postadas por turistas no site Flickr, do Yahoo!. Amostras do potencial do Photosynth, cujo desenvolvimento também conta com a participação da Universidade de Washington, podem ser conferidas no site da Microsoft Live Labs (http://labs.live.com/photosynth/). Algo semelhante ao Photosynth foi feito pelo Google Earth, em Berlim. Com base em fotos, mas especialmente produzidas para o programa, foram construídos moldes virtuais em três dimensões de 550 prédios do centro da capital alemã. Por cinco dessas construções, já é possível passear internamente em excursões virtuais.

O melhor site sobre o Brasil

Este site deveria ser conhecido por todos os Brasileiros.

Clique e conheça.

Introdução à dromocracia cibercultural:

Introdução à dromocracia cibercultural:

Contextualização sociodromológica da violência invisível da técnica e da civilização mediática avançada

TRIVINHO, Eugênio.

Clique para ler o texto completo

27.8.07

| | | A vida segundo Homer...

Ciro Santiago Rodrigo Braga
Ele é feio, careca, burro e barrigudo. E ainda assim foi para o espaço, virou super-herói, já ficou milionário... Além, é claro, de ser a estrela de um dos programas mais legais da história da TV! No mês em que Homer Simpson toma conta até dos cinemas, é hora de conferir suas grandes pérolas de sabedoria!


SOBRE AS MULHERES
‘Vocês sabem, meninos, uma mulher é muito parecida com um reator nuclear. Você só precisa ler o manual de instruções e apertar os botões certos’
Episódio: Definindo Homer

‘Filho, uma mulher é parecida com... [olha ao redor na cozinha] uma geladeira! Elas têm quase 1,90 m e uns 130 kg! Elas fazem gelo e… hum... [encontra uma lata de cerveja na geladeira]. Não, espere um minuto! Na verdade, mulher é mais como uma cerveja. Elas cheiram bem, são bonitas e você pisaria na sua própria mãe para conseguir uma! [Bebe a cerveja.] E você não consegue parar com uma só! Você sempre quer beber outra mulher!’
Episódio: O Novo Vizinho

‘Eu vou voltar para casa com o maior presente que um marido pode dar a sua mulher: uma anulação do seu casamento com sua outra esposa!’
Episódio: Briga em Família

SOBRE ENCHER A CARA
‘Você precisa estar sóbrio para pilotar um avião. Quero dizer, não é como dirigir um carro!’
Episódio: Dias de Vinhos e Rosas

'Filho, quado você participa de um evento esportivo, não importa se você ganha ou perde. O que importa é ficar bêbado!’
Episódio: Ganha um Elefante

[Bêbado] O problema com a minha família é que há cinco de nós... [Contando nos dedos] Marge, Bart, a garota-Bart, aquela que não fala e aquele gordão. Oh, eu odeio o gordão!!!’
Episódio: Briga em Família

...SOBRE AS PESSOAS
'As pessoas inventam estatísticas para provar qualquer coisa. 40% das pessoas sabem disso.'
Episódio: Homer, o Vigilante

‘Por que coisas que acontecem com gente idiota sempre acontecem comigo?’
Episódio: Pare ou Meu Cachorro Atira

...SOBRE ARMAS
‘Se uma arma pode proteger algo importante como um bar, então já serve para proteger minha família!’ Episódio: A Família Cartucho

‘Um revólver não é uma arma, Marge. É uma ferramenta. Como uma faca de açougueiro, ou um arpão, ou... ou um crocodilo’
Episódio: A Família Cartucho

...SOBRE A FAMÍLIA
‘Oh meu Deus, alienígenas espaciais! Não me comam! Eu tenho uma mulher e filhos! Comam eles!’
Episódio: Especial Os Simpsons Dia das Bruxas VII

‘Vejo que essa casa está desmoronando sem a minha presença, então essa é a nova ordem das coisas. Bart, você é o homem da casa. Lisa, estou promovendo você a menino. Maggie agora é a filha inteligente. A torradeira pode substituir a Maggie. E, Marge, você é uma consultora’
Episódio: Dias de Vinhos e Rosas

‘Meu pai nunca acreditou em mim! Eu não vou cometer esse mesmo erro. De agora em diante, vou ser
mais gentil com meu filho e mais malvado com meu pai’
Episódio: O Craque É Bart


..SOBRE A TELEVISÃO
‘Quando é que eu vou aprender? As respostas para os problemas da vida não estão em uma garrafa de cerveja... Estão na televisão!’
Episódio: Problemas em Casa

...SOBRE O TRABALHO
‘Marge, lembre-se, se algo der errado na usina, culpe o cara que não sabe falar inglês!’
Episódio: Marge Arranja um Emprego

‘Lisa, se você não gosta do seu emprego, você não faz uma greve! Você vai lá todo dia e faz seu trabalho malfeito! Esse é o ‘Jeito Americano’!’
Episódio: A Associação de Pais e Mestres Debanda

‘Acho que Smithers me contratou por causa das minhas habilidades motivacionais. Todo mundo diz
que tem de trabalhar muito mais quando eu estou por perto!’
Episódio: O Substituto

..SOBRE A IMPORTÂNCIA DE APRENDER
‘Desde quando educação me faz sentir mais inteligente? Toda vez que eu aprendo alguma coisa nova, alguma coisa velha é expulsa do meu cérebro. Lembra quando eu fiz aquele curso de vinhos e esqueci como dirigir?’[Resposta da Marge: ‘Mas isso é porque você ficou bêbado!’]
Episódio: Os Segredos de um Casamento Bem-Sucedido

‘Ah, finalmente um pouco de sossego para eu poder ler meus favoritos… Hum… ‘Amendoins com mel. Ingredientes: sal, agentes químicos sabor mel, sobras de amendoim prensadas...’
Episódio: Os Escoteiros da Vizinhança

‘Uma biblioteca vendendo livros? Se eu não os queria de graça, por que eu pagaria por eles?’
Episódio: Marge Agridoce

...SOBRE ARREPENDIMENTO
‘Eu cometi um erro grave e Lenny me mandou para casa para pensar no que fiz. Mas eu não lembro o que era, então estou vendo TV.’
Episódio: Lisa e o Velhote

'Eu nunca peço desculpas, Lisa. Sinto muito, mas é assim que eu sou...'
Episódio: Embate de Titãs

...SOBRE O VALOR DO ESFORÇO
'Se algo é difícil de fazer, então não vale a pena ser feito!'
Episódio: O Show de Otto

‘Filhos, vocês tentaram, deram o seu melhor, e falharam miseravelmente. A lição é: nunca tentem’
Episódio: O Herdeiro do Sr. Burns

‘Não sei, Marge... Tentar é o primeiro passo rumo ao fracasso’
Episódio: Propriedade Indesejada

...SOBRE O DINHEIRO
‘Ah, eu tenho três filhos e nenhum dinheiro. Por que eu não posso ter nenhum filho e três dinheiros?’
Episódio: Crook and Ladder

‘Bart! Com 10 mil dólares, seremos milionários! A gente poderia comprar várias coisas úteis... Tipo amor!’
Episódio: Bart Ganha um Elefante

‘Bem, o Sr. Burns pode ter todo o dinheiro do mundo, mas tem uma coisa que ele não pode comprar... Um dinossauro!’
Episódio: Cão de Morte

...SOBRE ENVELHECER
Sabe, Marge, envelhecer é uma coisa terrível. Acho que o dia mais triste da minha vida foi quando percebi que poderia derrotar meu pai em quase tudo. E Bart passou por isso aos 4 anos!’
Episódio: Lisa Tristonha

25.8.07

! Toronto's Evening !

Blogged with Flock

23.8.07

| red | scar |

Blogged with Flock

22.8.07

Como pensam os brasileiros

Um livro prova que, ao contrário do que propalam os esquerdistas, a elite nacional é o farol da modernidade

Ronaldo França


Marcos Issa/Argosfoto
Alberto Carlos Almeida: entrevistas para mapear a ética e as concepções de país dos cidadãos de diferentes níveis


A julgar pelo que se lê nos jornais e se ouve nas salas de aula das universidades, o Brasil conta com uma elite retrógrada, de valores quase medievais, empenhada em obter toda sorte de privilégios do estado e em explorar a massa trabalhadora. Essa elite seria tão daninha que qualquer movimento de protesto originado nela, como o "Cansei", já nasceria marcado pela ilegitimidade. Segundo os arautos desse ponto de vista, em posição antípoda estaria um povo de valores imaculados, dono de uma sabedoria e um senso de justiça naturais e pronto a redimir o país de séculos de iniqüidade. Basta um pouco de distanciamento para ver que se trata de um maniqueísmo tolo, típico da rasa cachola esquerdista brasileira. Elite é muito mais do que sinônimo de "rico". Como registram os dicionários, é uma palavra de origem francesa que significa "o que há de melhor numa sociedade ou grupo". Dela fazem parte profissionais liberais, cientistas, atletas, empresários, políticos (não todos, infelizmente). Só uma nação que conta com uma elite com iniciativa, energia criadora, conhecimento avançado e valores democráticos tem chance de desenvolver-se. É por meio de suas ações e de seu exemplo que o conjunto da população termina ascendendo também, tanto no plano educacional e cultural como no profissional. Isso está longe de ser teoria romântica. É fato verificável no bloco dos países que hoje compõem o clube dos desenvolvidos.

Ao deixar de lado os estereótipos falidos, é possível verificar que a realidade brasileira estampa feições que costumam passar despercebidas. Uma prova disso emerge da leitura de A Cabeça do Brasileiro (Record; 280 páginas; 42 reais), do sociólogo Alberto Carlos Almeida, que chega às livrarias nesta semana. O livro traz os resultados da Pesquisa Social Brasileira, um levantamento no qual se investigaram os principais valores presentes no cotidiano social, econômico e político nacional. Enfim, o que se pode denominar de "o pensamento do brasileiro". O que se tem ali é uma radiografia de nitidez impressionante, que afirma principalmente como o papel da elite na construção de um Brasil moderno é crucial. A parcela mais educada da população é menos preconceituosa, menos estatizante e tem valores sociais mais sólidos. Se todas as pessoas em idade escolar estivessem em sala de aula hoje, a pleno vapor, o Brasil acordaria uma nação moderna no dia 1º de janeiro de 2025 – depois de um ciclo completo de educação. Os brasileiros passariam a ter baixíssima tolerância à corrupção e esperariam menos benesses de um estado protetor. Funcionários públicos ineficientes e aproveitadores seriam uma raça em extinção. Os cidadãos lutariam mais por seu futuro, em vez de se entregar distraidamente à loteria do destino. Nesse país, as pessoas de qualquer credo ou classe social se veriam como portadoras de direitos iguais. As diferenças sexuais seriam mais respeitadas. Provavelmente pouquíssimos endossariam a frase estampada no alto da página 87 – "Se alguém é eleito para um cargo público, deve usá-lo em benefício próprio".

A Pesquisa Social Brasileira foi realizada pelo instituto DataUff (Universidade Federal Fluminense) e financiada pela Fundação Ford. Foram ouvidas 2.363 pessoas, em 102 municípios. Coordenador do trabalho, Almeida optou pela mesma metodologia utilizada pela General Social Survey, a maior pesquisa social dos Estados Unidos, realizada a cada dois anos, desde 1972, pela Universidade de Chicago. O levantamento expressa a opinião dos brasileiros sobre diversos temas. Não pretende, é importante ressaltar, revelar como agem. A pesquisa é sobretudo a respeito da ética nacional ou das várias éticas que convivem no interior do país. Pegue-se o exemplo do "jeitinho". A maioria esmagadora da população já lançou mão dele para resolver problemas. De acordo com Almeida, essa parcela equivale a dois terços da população. Mas ele não é aprovado na mesma proporção quando se leva em conta o grau de escolaridade. O "jeitinho" é chancelado como algo válido por quase 60% dos analfabetos. Entre os que têm nível superior, porém, esse índice cai praticamente à metade. Essas discrepâncias também se revelam grandes quanto a outros temas. No universo dos que têm pouca ou nenhuma educação, a taxa dos que aprovam a violência policial oscila entre 40% e 50%. Já a dos que a desaprovam entre os mais escolarizados chega a 86%.

A pesquisa se ocupou, ainda, de um aspecto bastante danoso da vida nacional, o patrimonialismo. Ele não é uma invenção brasileira, como os impostos provisórios eternos. Quem melhor o investigou foi o sociólogo alemão Max Weber, que inspirou gerações de estudiosos. No Brasil, surgiu como forma de organização social no século XVI, com as grandes concessões de terra, as capitanias hereditárias. E por aqui fincou raízes fortes. Uma das conseqüências do patrimonialismo é a confusão entre o público e o privado. A pesquisa de Almeida mediu-a por meio da frase "Cada um deve cuidar somente do que é seu, e o governo cuida do que é público". Ela obteve a concordância de 74% dos que foram ouvidos. Quando se analisa esse mesmo dado à luz da escolaridade, contudo, vê-se a falta que a sala de aula faz. No universo dos analfabetos, 80% não conseguem enxergar o papel do cidadão no cuidado com a coisa pública. Entre os que têm nível superior, o porcentual diminui para 53%.

"Hoje, a maioria dos brasileiros ainda tem baixa escolarização e, portanto, uma visão mais arcaica da sociedade", afirma Almeida. "Mas é evidente que a educação tornará majoritária no país a parcela da população que tem uma visão mais moderna. O processo é irreversível." A divisão entre arcaico e moderno, embora em desuso por boa parte dos cientistas sociais, é a que define com mais clareza o abismo entre as duas visões de mundo. Para verificar a profundidade dessas diferenças, o autor de A Cabeça do Brasileiro não recorreu a nenhum expediente extraordinário. Apenas aferiu, por meio de perguntas, a indulgência com situações cotidianas. Sua pesquisa tem o poder de iluminar os principais aspectos da vida nacional. Os dados obtidos reforçam o que o imperador dom Pedro II já sabia: sem um esforço para universalizar a educação, a sociedade brasileira continuará patinando material e moralmente. Como nota Almeida, num país mais escolarizado a cena de um Severino Cavalcanti sentado na cadeira de presidente da Câmara dos Deputados nunca teria ocorrido. "Os eleitores de Severino, em sua maioria de baixa escolaridade e residentes em cidades pequenas do interior do Nordeste, tendem a não condenar o comportamento desse político, que defendia abertamente a contratação de parentes", constata o autor.

A corrupção, essa praga tão destruidora quanto a saúva o era nos tempos do ciclo do café, tem o beneplácito da maioria dos iletrados. Isso ficou claro quando se colocou a seguinte pergunta: "Como considerar a atitude do funcionário público que ajuda uma empresa a ganhar um contrato no governo e depois recebe dela um presente de Natal?". Para 80% dos que não sabem ler ou escrever, isso é apenas um "favor" ou um "jeitinho". Para 72% dos que concluíram a universidade, é corrupção e ponto final. Voltando à frase do segundo parágrafo desta reportagem, entre os analfabetos 40% acham que uma pessoa eleita para um cargo público deve usá-lo em benefício próprio. Dos que atravessaram todo o ensino superior, somente 3% pensam assim. O mesmo contraste é percebido quando o tema é a intervenção do estado na economia. Incríveis 90% dos analfabetos acham que o governo deve socorrer empresas em dificuldades. Entre os que têm nível superior, apenas 27% concordam inteiramente com isso e 37% aceitam a atitude em alguns casos. Ainda mais preocupante é a proporção de iletrados que apóiam a censura governamental. Para quase 60% deles, "programas de TV que fazem críticas ao governo devem ser proibidos", contra somente 8% dos que exibem nível superior. Dá para ver de onde os partidários da tentação autoritária tiram seu entusiasmo liberticida.

Um capítulo delicado do livro é o que trata da percepção dos brasileiros em relação à cor da pele. O autor pediu aos entrevistados que atribuíssem qualidades ou defeitos a homens brancos, negros e pardos retratados em fotografias. Aos brancos foram atribuídas mais qualidades positivas, como inteligência, honestidade e modos educados. Os negros ficaram em segundo lugar. Quanto aos pardos, além de ficar atrás no que se refere aos aspectos positivos, eles são mais relacionados a características negativas (veja quadro). Com base nesses dados e em cruzamentos mais específicos, como o que relaciona a cor da pele a profissões de maior ou menor prestígio, com vantagem para os brancos, Almeida refuta a tese de que um dos maiores problemas brasileiros é o preconceito social, e não o racial. Mas talvez seja o contrário: pardos e negros são percebidos de modo mais negativo justamente por continuar a figurar em maior número, por causa de circunstâncias históricas, na base da pirâmide social, onde as oportunidades são menores e a marginalidade é maior. Seja como for, a pesquisa funciona como combustível para uma discussão que precisa continuar.

"A pesquisa que compõe A Cabeça do Brasileiro é algo monumental. Tem o mérito de testar quantitativamente tudo o que nós estudamos. Nunca foi feito algo parecido", diz o antropólogo Roberto DaMatta. É também por meio de trabalhos como esse, com conclusões que fogem aos lugares-comuns e apontam na direção da necessidade de universalizar a educação e acelerar a marcha rumo à modernidade – o que significa uma ampliação da classe média, ou seja, da elite –, que talvez um dia o país possa deixar de caber na seguinte descrição do escritor Paulo Mendes Campos: "Imaginemos um ser humano monstruoso que tivesse a metade da cabeça tomada por um tumor, mas o cérebro funcionando bem; um pulmão sadio, o outro comido pela tísica; um braço ressequido, o outro vigoroso; uma orelha lesada, a outra perfeita; o estômago em ótimas condições, o intestino carcomido de vermes. Esse monstro é o Brasil: falta-lhe alarmantemente o mínimo de uniformidade social".

Megapixel não é tudo

Qualidade de fotos todas têm. Agora, as novas câmeras oferecem recursos de computador
Carlos Rydlewski



Fotos divulgação
A HP R837 oferece recursos de tratamento de imagem: emagrece pessoas ou dá tratamento de desenho ao carro. Preço: 1 299 reais

MAIS GORDA
A HP R837 alarga os elementos na periferia da imagem (note os troncos das árvores nos detalhes)...
MAIS MAGRA
...mas afina a pessoa no centro da imagem. Acima, a moça ficou mais esbelta

Durante quase uma década, à medida que as câmeras digitais se tornavam um equipamento que todo mundo tem em casa, os fabricantes competiram para ver quem oferecia melhor resolução por menor preço. A disputa era medida em números de megapixels, os milhões de pequenos pontos que formam a imagem. Hoje, as lojas estão repletas de máquinas com resolução acima de 6 megapixels. Metade disso já é suficiente para a impressão de fotos de boa qualidade no tamanho 10 por 15 centímetros, o preferido dos amadores. O excesso de megapixels pode até ser um estorvo, pois resulta em arquivos enormes, difíceis de manipular no computador. Por isso tudo, a disputa em termos de megapixels está praticamente encerrada. Para encontrarem novos compradores, os fabricantes mudaram o foco e passaram a produzir aparelhos que, além de tirar fotos, são capazes de oferecer recursos de edição de imagem e até música com qualidade estéreo.

Muita coisa que antes só era possível realizar num computador de mesa – eliminar manchas da pele ou distorcer uma imagem, por exemplo – já pode ser feita na própria câmera. Algumas delas oferecem telas de cristal líquido com a tecnologia touch screen (que funciona por toque, como o iPhone), o que facilita o acesso aos programas de edição. "As inovações permitem a um amador fazer fotos com qualidade que, apenas um ano atrás, só estava ao alcance de profissionais", diz Flávio Takeda, responsável pela divisão de fotografias da Roland DG, uma das líderes mundiais no setor de impressões. Em junho, a Kodak mostrou um novo sensor que pode quadruplicar a sensibilidade à luz das máquinas digitais. Isso quer dizer que imagens nítidas podem ser captadas mesmo em locais pouco iluminados. "Boas fotos poderão ser tiradas com pouquíssima luz, como quando uma criança estiver apagando a vela do bolo de seu aniversário", diz Chris McNiffe, responsável pelo desenvolvimento do produto, que deve começar a ser vendido no próximo ano.

As câmeras também ganharam funções que pouco têm a ver com a fotografia propriamente dita. O modelo Easyshare-One, da Kodak, empacota as imagens em e-mails e as envia por conexão wi-fi. A Casio Exilim coloca os vídeos produzidos no aparelho em um formato próprio para reprodução no YouTube, o principal site de compartilhamento de vídeos da web. A enxurrada de novos recursos não é suficiente para garantir o futuro da câmera digital. A transição da tecnologia analógica, dos filmes em película, para a digital arruinou a indústria fotográfica. Fabricantes tradicionais, como a japonesa Konica Minolta (máquinas fotográficas) e a belga Agfa (filmes e papéis), deixaram o ramo. Agora são as câmeras digitais que enfrentam uma concorrência ameaçadora, a dos celulares. As câmeras instaladas nos telefones também estão se enchendo de megapixels. Muitos especialistas acreditam que os celulares terminarão por ser a câmera digital preferida dos amadores.

Desde 2005, a maior fabricante de câmeras digitais é a Nokia, uma empresa de telefonia. No ano passado, ela produziu 347 milhões de telefones, quatro em cada dez deles equipados com câmera digital. Em alguns países ricos, como o Japão, a venda de câmeras digitais está em declínio. Na maioria das nações em desenvolvimento ainda há muito espaço para crescer. O mercado brasileiro de câmeras digitais expandiu-se 35% no primeiro semestre de 2007. Por aqui, a sede por megapixels – e tudo mais que as câmeras atuais têm a oferecer – ainda deve durar.

ELA TAMBÉM TOCA MP3
A i70, da Samsung, inclui um tocador de música estéreo. O teclado na tela de LCD permite incluir textos nas fotos.
Preço: 1 199 reais


MAIS PERTINHO
Com o zoom óptico da SP-550UZ, da Olympus, é possível fazer uma foto de corpo inteiro de alguém a 50 metros de distância.
Preço: 2 999 reais


ALTA DEFINIÇÃO
A W200, da Sony, tem conexão para TV de alta definição. Vem com quatro músicas para ser usadas como trilha sonora na exibição das fotos.
Preço: 1 899 reais


TODOS EM FOCO
A Z10, da Fujifilm, coloca em foco o rosto de cada uma das pessoas de um grupo.
Preço: 999 reais

SEIS NOHTAS DE QUEM, COMO TODOS VOCÊS, NÃO AGÜENTA MAIS OUVIR FALAR BEM DO LULA

Separou-se da fonoaudióloga – cansado de ouvir poucas e boas

I Você já leu algum livro que seja tão bom quanto a orelha diz que ele é?


II Sempre que você lê um livro ou um dicionário tem sempre um índice remissivo.

Por que remissivo? Todo índice não é remissivo, remete a alguma coisa? Até aquela seta que você vê na rua, apontando a mão, não é remissiva?


III Outra coisa: a definição do alfabeto português no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, editado pela Academia Brasileira de Letras (Esta é a glória que fica, eleva, honra e consola), é:

"1. O alfabeto português consta fundamentalmente de vinte e três letras: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, x, z.

2. Além dessas, há três letras que só se podem usar em casos especiais: k, w, y".

Nada contra (quem sou eu?). Mas por que fazer vinte e três letras de primeira classe e três de segunda? Não seria melhor botar todas as letras juntas e acrescentar: Sendo que k, w e y só podem ser usadas em casos especiais?


IV Nunca ninguém conseguiu me explicar como é que um cinto de segurança, esse merchandising maldito, faz com que uma criança tenha morte bárbara, arrastada por um carro durante sete quilômetros.


V
Tenho uma certa birra com a crase, essa "fusão de duas vogais". No meu tempo (meu tempo é daqui a 10 anos) havia também crase com a fusão de dois o, mas deixa pra lá. A regra da fusão é simples, qualquer professorinha aprende. Mas, como se transformou a crase num paradigma da cultura humana, a professorinha se acha um gênio, e, a qualquer aluno que erre no uso da crase, ela dá uma nota baixa, que humilha o aluno. Embora o poeta Ferreira Gullar tenha, sabiamente, legislado: "A crase não foi feita pra humilhar ninguém".

É curioso, num país de 50 milhões de alfabetizados, todo mundo errar no uso da crase. Proponho até transformar isso num problema social: se todo mundo erra, quem está errada é a regra. Já vi painel de mármore em ministério com a crase grafada erradamente. E já mostrei aos distraídos: "Nas placas de obra da prefeitura a 200 metros tem crase, a 500 quinhentos metros não tem". Os lingüistas da prefeitura acham, com toda a razão, que o uso da crase se mede a metro.

Falar em crase, de uns tempos pra cá decidiu-se (quem?) que à bessa deveria ser escrito à beça. Acontece que à bessa/à beça, essa coisa tão volúvel, antigamente nem usava o sinal da crase. A palavra era uma só – abessa.

Abonação: "Bessa, na locução adverbial abessa, em grande porção, em abundância. Cf. Manuel Viotti, Dicionário da Gíria Brasileira, s.v.".

Não tem de quê.


VI É preciso mudanças. Muita gente acha que o melhor é deixar como está pra ver como é que fica. Mas basta observar algum tempo qualquer pessoa sentada pra perceber que a mudança é fundamental ao ser humano. Nem que seja apenas pra descansar a outra parte da bunda.

O famoso arquiteto Sérgio Rodrigues, sentado em sua famosa Poltrona Mole, demonstrando nossa tese

SO BLUE

Blogged with Flock

A sátira nua dos Simpsons

Os Simpsons – O Filme
leva ao cinema
o que o fã já vê na TV. E por isso mesmo é bom


Jerônimo Teixeira

Fotos Divulgação, 20TH Century Fox
Bart Simpson escandaliza o carola Ned Flanders (à esq.) e seu pai, Homer (à dir.), aventura-se com uma bola de demolição: gags visuais alopradas que fazem de Os Simpsons uma das melhores comédias recentes. Ah, sim: o filme também conta com diálogos afiados


A família Simpson está no cinema, assistindo a um longa-metragem do desenho Comichão e Coçadinha – uma paródia sádica das velhas perseguições de gato e rato em Tom & Jerry. Homer Simpson – o pater familias americano arquetípico – levanta-se no meio da sessão para protestar. Por que, ele pergunta, as pessoas pagam o ingresso para ver um desenho que passa de graça na televisão? A cena que abre Os Simpsons – O Filme (Estados Unidos, 2007) é claramente auto-irônica. Trata-se, afinal, de uma versão cinematográfica do desenho mais longevo da televisão americana – dezoito temporadas no ar –, que o espectador brasileiro pode ver de graça na Globo. A animação digital está mais caprichada e há duas ou três ousadias que não se veriam na televisão (Homer a certa altura faz mais gestos obscenos do que Marco Aurélio "Top, Top, Top" Garcia, e um personagem secundário é visto consumindo drogas). Mas, no fundo, Os Simpsons – O Filme é um episódio mais longo (87 minutos) de Os Simpsons, a série animada televisiva. Por que, então, alguém pagaria para vê-lo? Ora, por isso mesmo: é um episódio longo de Os Simpsons. O que mais se pode querer?

Bart Simpson: feioso, mas fofo, como uma espécie de criação punk de Walt Disney

Criado em 1988 pelo cartunista Matt Groening para figurar como atração no programa da humorista Tracey Ullman, Os Simpsons em pouco tempo ocupou seu espaço próprio na grade de programação da Fox, emissora do magnata Rupert Murdoch. Conhecido por seu proselitismo agressivo das bandeiras mais conservadoras do Partido Republicano, Murdoch (que, como outras celebridades, já fez uma participação em um episódio do desenho) rendeu-se ao sucesso do clã formado por Homer, sua mulher, Marge, e os filhos Bart, Lisa e Maggie. Desde suas primeiras temporadas, o desenho vem mantendo o tom liberal. O filme não foge ao figurino. As causas ambientais do democrata Al Gore estão no centro da trama caracteristicamente doidivanas: enquanto Lisa tenta conscientizar os habitantes de Springfield da poluição do lago da cidade, o desmiolado Homer despeja ali os dejetos de seu porco de estimação, precipitando uma catástrofe ecológica. A situação torna-se tão crítica que o presidente Arnold Schwarzenegger, aconselhado por um assessor inescrupuloso, decide isolar a poluída Springfield, trancando-a dentro de uma cúpula de vidro gigantesca.

Antes de Os Simpsons, Os Flintstones e Os Jetsons já retratavam a classe média americana com tinta galhofeira. Mas a sátira social de Groening desbravou novos territórios. As famílias dos desenhos anteriores eram relativamente felizes e acomodadas se comparadas aos Simpsons, que convivem de perto com o fracasso e a frustração: Homer submete-se a um emprego que detesta para sustentar os filhos; Marge desejava ter sido artista plástica mas se contentou com as tarefas da casa, e a medíocre escola pública reprime tanto a inteligência sensível de Lisa quanto a inquietude subversiva de Bart. As primeiras temporadas, de um humor quase sombrio, eram mais radicais na exploração dessas insatisfações. Homer era só um operário medíocre e meio imbecil, e não o aventureiro trapalhão que no filme faz manobras ousadas em uma motocicleta. Até o traço era mais tosco, cheio de arestas. Aos poucos, as formas foram se arredondando, e hoje Homer e sua turma são uma versão punk de Walt Disney – feiosos, mas muito fofinhos. Os Simpsons, enfim, perdeu seu lugar na vanguarda (South Park é mais anárquico). Mas o filme – longamente planejado por Groening e pelo produtor James L. Brooks – prova a vitalidade da família. Os diálogos estão afiados, e as gags visuais são impagáveis. A seqüência em que Bart cruza Springfield, célere, sobre seu skate – e sem roupas, com direito a um fugaz nu frontal – é de tirar o fôlego, tanto pela agilidade da ação quanto pelas risadas que provoca. Comédias recentes feitas com gente de carne e osso raramente se revelam tão engraçadas – ou inteligentes – quanto Os Simpsons. Vale cada centavo do ingresso.

NOTHAS DE HOJE E SEMPRE

Lula tem toda razão. Em seu governo a imprensa só publica coisas impublicáveis

ÓCULOS

O ser humano é o único animal que usa óculos escuros. E nem era necessário. A vista humana é naturalmente adaptável à maior escuridão, e à maior claridão. Quer dizer, menos ao sol da praia; aquele sol de quarenta graus à sombra, esse exige proteção. E também à fama moderna, que precisa de ocultar a fama. Tem mais: a vista não se adapta à ressaca etílica, também chamada carraspana. Nesses casos a luz entra direto nos extremos nervosos da retina e dói paca.

Desses vários fatores cresceu a glória dos óculos escuros.

Mas, ao beneficiarem a vista, os óculos escuros começaram a afetar também a expressão corporal, pois você tropeça aqui e ali exatamente porque, na sombra, esqueceu que está de óculos (escuros).

Paralelamente a isso, estudando isso, os cientistas verificaram que, na comunicação entre sexos opostos (e até entre alguns apenas justapostos), a maior parte das informações é transmitida pelos olhos: 30% vêm das sobrancelhas, 20% das pestanas, 23% dos movimentos dos bugalhos (a bola branca do olho que serve pros ignorantes confundirem alhos com bugalhos), e o restante dos óculos escuros, que a mulher usa pra te examinar sem você saber que está te vendo. Pois é; e ainda nesses óculos se disfarçam e se ocultam outras tendências e intenções femininas. A mulher já ritualizou e simbolizou o uso dos óculos escuros e você tem que prestar atenção pra saber o que ela pretende quando usa os óculos já não nos olhos, mas na testa, no antebraço, na manga da blusa, ou até largados inocente e displicentemente no colo ou no decote.

Esses usos são ditados por razões psicológicas, tais como... Olha, ainda não sei bem, preciso aprofundar um pouco mais as minhas observações. Que, desde já, são auto-irônicas. Exemplos: outro dia eu almoçava com uma jovem – bem jovem, por pouco seria dimenor – e ela ria que ria de tudo que eu falava. Impressionado com meu próprio espírito, e com o encanto que provocava, de repente me dei conta de que ela estava de óculos escuros. E pensei: "Está me vendo 10 anos mais moço". Isso, é natural, fez com que eu me sentisse 10 anos mais moço. Ao todo 20 anos.

Mas, concluí, sábio e melancólico: mesmo assim não adianta nada. Foi em maio de 1997.

PEDESTAL

Enquanto Lula fuzila giratório em FhC, mais conhecido como herança maldita, e FhC fuzila, também pra trás, tentando invejosa e retardada rasteira em Lula, e Jarbas Barbalho, na sombra, procura levar o que sobrou do erário, eu fico aqui, na praça, contemplando a síntese final da glória humana.

Do alto do seu cavalo de muitas batalhas, o grande herói do passado olha a imortalidade ao longe, sabendo, agora, que jamais a alcançará em seu cavalo de pedra. E assim fica, empedernidamente sereno, alvo permanente do cálcio ocasional dos pombos, e alvo, raramente, de uma ou outra vaga curiosidade. No mais é apenas uma ilha de indiferença, cercada pelas mesquinhas necessidades diárias de uma pequena classe média que vai-e-vem. Ou ao contrário.

Falei.

Congresso em SP destrincha como será a TV digital brasileira

MARIANA BARROS da Folha de S.Paulo

Entre hoje e sexta-feira (24) acontece em São Paulo o Congresso SET - Broadcast & Cable (www.set.com.br), voltado a destrinchar o que vem por aí com a implantação da TV digital no Brasil. O início das transmissões está previsto o final deste ano.

O evento, organizado pela SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), é voltado a profissionais do setor e tratará de temas que vão desde as ações governamentais para a implantação do novo padrão até mecanismos de proteção autoral de conteúdo digital.

O professor Marcelo Zuffo, da USP, será um dos participantes da mesa sobre as normas do padrão digital brasileiro, que terá mediação de Paulo Henrique Castro, da TV Globo.

A convergência das mídias tradicionais para o novo sistema será abordada por Fernando Bittencourt, da Globo, Carlos Ferraz, do Cesar (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife), e Renato Cotrim, da Microsoft, além de representantes da Telefônica, Skype, Google, NET e Samsung.

Para falar sobre a regulamentação, foram convidados Jayme Carvalho Neto, do Ministério das Comunicações, e Alexandre Guilherme Lobão, da Anatel. Explicações sobre medidas de incentivo à implantação serão dadas por Jairo Klepacz, do Ministério da Indústria e Comércio, Alan Fischler, do BNDES, José Nilvan, da Globo, e Benjamin Sicsu, da Samsung.


Mais participantes


Além da Globo, SBT, TV Cultura, TV Record e Grupo Bandeirantes de Comunicação também participam do evento. Entre as universidades, Mackenzie, UFPB (Universidade Federal da Paraíba), Unicamp e PUC também se apresentam.

Membros da indústria, como as fabricantes Philips, Samsung, Sony e Apple, também integrarão as mesas-redondas. Para consultar a programação completa, os temas e os demais participantes acesse o site oficial do evento.

TV digital mudará maneira de medir ibope; telejornais podem perder pontos

DIÓGENES MUNIZ
Editor-assistente de Ilustrada da Folha Online

A TV digital transformará a maneira de medir audiência televisiva. O próprio faturamento publicitário das atrações sofrerá mudanças. Projeções com públicos restritos apontam quem ganhará telespectadores (séries e novelas) e quem perderá (telejornais) por conta da digitalização dos canais.

O Ibope está desenvolvendo um aparelho para descobrir não apenas a emissora sintonizada, como faz hoje, mas também o conteúdo digital que está sendo consumido seja qual for a grade de programação. Isso porque a TV digital chega com a promessa de, assim como nos EUA, oferecer autoprogramação, na qual o usuário pode escolher a hora em que verá determinado programa.

"A TV digital cria uma alternativa para o telespectador. Haverá, sim, aumentos e quedas de audiência. É natural que aconteça", diz Dora Câmara, diretora comercial do Ibope Mídia.

A audiência de TV aberta no Brasil é medida hoje pelo DIB 4, um aparelho que é instalado na residência dos espectadores para revelar os canais sintonizados.

"Esse instrumento identifica em qual canal você sintoniza. Já o novo aparelho, DIB 6, vai monitorar conteúdo --também de internet, celular e rádio. Ele pode identificar um programa em segundos, minutos ou horas depois de ter sido transmitido e atribuir audiência", explica Dora.

Segundo o Ibope, falta ainda definir como os novos dados serão apresentados. Os pontos tradicionais como vemos hoje devem continuar, mas acompanhados de um levantamento mais complexo. Por exemplo: terá de se apresentar, além da audiência do programa na hora da transmissão, seu ibope acumulado quando foi visto por gravação digital. O DIB 6 terá amostra piloto ainda neste ano, em São Paulo.


Autoprogramação


Segundo projeções, a opção de armazenar e escolher a que hora assistir determinado programa (autoprogramação) favorece a audiência de séries e novelas. Uma pesquisa divulgada pela SKY em junho último sobre o hábito dos usuários de DVR --gravador de vídeo digital-- revelou que 41% dos assinantes preferem assistir apenas ao que eles mesmos gravam. Ou seja, quase metade dos usuários não acompanha mais a TV "ao vivo", na ordem em que a programação é oferecida pelas emissoras.

De toda a grade, os programas menos gravados por quem já usa o DVR em TV por assinatura são os telejornais, segundo o mesmo estudo de comportamento. Apesar do estudo ser sobre um público isolado, segue-se a lógica de que, diferentemente de novelas e seriados, telejornais são produtos mais perecíveis, de data de validade mais curta.

O gravador de vídeo digital estará fora dos primeiros nos receptores da TV digital brasileira --os chamados "set top box", que devem custar pelo menos cerca de R$ 800. Técnicos dizem que eles chegariam num segundo lote, a médio prazo.

No entanto, a Net vai levar ao mercado em dezembro um produto que funcionará como receptor de TV digital e gravará programas. O DVR da Net chega aos assinantes em dezembro, na estréia da TV digital, também por cerca de R$ 800.


Comerciais

A autoprogramação ainda permitirá que, manualmente, o telespectador evite comerciais. De acordo com especialistas, os jornalísticos serão os produtos mais prejudicados caso o "corte" do intervalo pegue no Brasil.

Para se manterem rentáveis, os programas devem inserir ainda mais merchandising (introduções "sutis" de produtos na transmissão) durante a atração ou recorrer a patrocínios. Os telejornais, em tese, não podem incluir ofertas deste tipo em suas notícias, com perigo de perderem a suposta independência editorial.

Nelson Hoineff, cineasta e diretor do IETV (Instituto de Estudos de Televisão), lembra que alguns telejornais do século passado traziam a propaganda em seus nomes --caso do "Repórter Esso" e da primeira versão do "Jornal Nacional", da TV Rio, patrocinado pelo Banco Nacional.

"A idéia do 'break' é recente. As plataformas digitais, como a internet, apontam para o conteúdo sob demanda, fazendo com que a programação em grade seja severamente modificada a longo prazo. Esperamos que isso traga uma maneira diferente e específica de comercialização", diz Nelson. Para ele, no entanto, "não é razoável pensar em merchandising em telejornais".

"Esse recurso [de conteúdo sob demanda] é terrível. Querem acabar com o nosso negócio", rebate José Marcelo Amaral, diretor de tecnologia da Rede Record. Para ele, "a TV é feita para a população de massa ver o que está passando ao vivo".

Programa de notícias de maior audiência na TV brasileira, o Jornal Nacional atinge em média 6 milhões de pessoas na Grande SP a cada transmissão.


Proibição

Pela proposta dos radiodifusores, a decisão de proibir ou não a gravação dos programas será da própria emissora de televisão.

Em alguns casos, a gravação será totalmente proibida e o sinal enviado pelas emissoras já estará bloqueado.

Para outros programas, a gravação será permitida, mas o sinal será bloqueado para regravação. Ou seja, o telespectador poderá gravar a novela, por exemplo, para ver em outro horário, mas não conseguirá repassar o arquivo para um CD, o que permitiria a reprodução e mesmo comercialização do programa.

Momento Fútil

Estava eu assistindo TV numa tarde de domingo, naquele horário em que não se pode inventar nada o que fazer, pois no outro dia é segunda-feira, quando minha esposa deitou ao meu lado e ficou brincando com minhas partes.

Após alguns minutos ela veio com a seguinte idéia: “Por que não depilamos seus ovinhos, assim eu poderia fazer "outras coisas" com eles”.

Aquela frase foi igual um sino na minha cabeça.

Por alguns segundos fiquei imaginando o que seriam "outras coisas". Respondi que não, que doeria coisa e tal, mas ela veio com argumentos sobre as novas técnicas de depilação e eu imaginando as "outras coisas" não tive mais como negar.

Concordei.

Ela me pediu que ficasse pelado enquanto buscaria os equipamentos necessários para tal feito.

Fiquei olhando para TV, porém minha mente estava vagando pelas novas sensações que só acordei quando escutei o beep do microondas.

Ela voltou ao quarto com um pote de cera, uma espátula e alguns pedaços de plástico.

Achei meio estranho aqueles equipamentos, mas ela estava com um ar de "dona da situação" que deixaria qualquer médico urologista sentindo-se como residente.

Fiquei tranqüilo e autorizei o restante do processo.

Pediu para que eu ficasse numa posição de quase-frango-assado e liberasse o aceso a zona do agrião.

Pegou meus ovinhos como quem pega duas bolinhas de porcelana e começou a passar cera morna.

Achei aquela sensação maravilhosa!!

O Sr. Pinto já estava todo "pimpão" como quem diz: "sou o próximo da fila"!!!

Pelo início, fiquei imaginando quais seriam as "outras coisas" que viriam.

Após estarem completamente besuntados de cera, ela embrulhou ambos no plástico com tanto cuidado que eu achei que iria levá-los para viajem.

Fiquei imaginando onde ela teria aprendido essa técnica de prazer: Na Tailândia, na China ou pela Internet mesmo.

Porém, alguns segundos depois ela esticou o saquinho para um lado e deu um puxão repentino.

Todas as novas sensações foram trocadas por um sonoro:

PUUUUTA QUEEEE O PARIUUUUUUU

quase falado letra por letra.

Olhei para o plástico para ver se o couro do meu saco não tinha ficado grudado.

Ela disse que ainda restaram alguns pelinhos, e que precisava passar de novo.

Respondi prontamente: Se depender de mim eles vão ficar aí para a eternidade!!!

Segurei o Dr. Esquerdo e o Dr. Direito em minhas respectivas mãos, como quem segura os últimos ovos da mais bela ave amazônica em extinção, e fui para o banheiro.

Sentia o coração bater nos ovos.

Abri o chuveiro e foi a primeira vez que eu molho o saco antes de molhar a cabeça.

Passei alguns minutos só deixando a água gelada escorrer pelo meu corpo.

Saí do banho, mas nesses momentos de dor qualquer homem vira um bebezinho novo: faz merda atrás de merda.

Peguei meu gel pós barba com camomila "que acalma a pele", enchi as mãos e passei nos ovos.

Foi como se tivesse passado molho de pimenta.

Sentei no bidê na posição de "lava xereca" e deixei o chuveirinho acalmar os Drs, peguei a toalha de rosto e fiquei abanando os ovos como quem abana um boxeador no 10° round.

Olhei para meu pinto. Ele tão alegrinho minutos atrás, estava tão pequeno que mais parecia irmão gêmeo de meu umbigo.

Nesse momento minha esposa bate na porta do banheiro e perguntou se eu estava passando bem.

Aquela voz antes tão aveludada e sedutora ficou igual uma gralha.

Saí do banheiro e voltei para o quarto.

Ela estava argumentado que os pentelhos tinham saído pelas raízes, que demorariam voltar a nascer.

“Pela espessura da pele do meu saco, aqui não nasce nem penugem, meus ovos vão ficar que nem os das codornas”, respondi.

Ela pediu para olhar como estavam.

Eu falei para olhar com meio metro de distância e sem tocar em nada e se ficar rindo vai entrar na PORRADA!!!

Vesti a camiseta e fui dormir somente de camiseta.

Naquele momento sexo para mim nem para perpetuar a espécie humana.

No outro dia pela manhã fui me arrumar para ir trabalhar.

Os ovos estavam mais calmos, porém mais vermelhos que tomates maduros.

Foi estranho sentir o vento bater em lugares nunca antes visitados.

Tentei colocar a cueca, mas nada feito.

Procurei alguma cueca de veludo e nada.

Vesti a calça mais folgada que achei no armário e fui trabalhar sem cueca mesmo.

Entrei na minha seção andando igual um cowboy cagado.

Falei bom dia para todos, mas sem olhar nos olhos.

E passei o dia inteiro trabalhando em pé com receio de encostar os tomates maduros em qualquer superfície.

Resultado, certas coisas devem ser feitas somente pelas mulheres.

Não adianta tentar misturar os universos masculino e feminino.

21.8.07

Vilém Flusser

Filosofia da Caixa Preta

20.8.07

Duas visões do mundo

Mapas do Windows Live e do Google Earth estão entre as centenas de novos serviços que animam a internet


Carlos Rydlewski

A web engoliu o mundo. Já abriga textos, músicas, transmissões de TV, filmes, fotos, mapas, jogos, bancos... E vai abocanhar muito mais. A base da internet tem se mostrado incrivelmente flexível. É como se houvesse sido criada a estrutura de um edifício sobre a qual podem ser adicionados andares e mais andares, sem limite previsível de altura. É, até prova em contrário, uma arquitetura do infinito. Exemplos da capacidade de sucção da rede não faltam. Há apenas três anos as pessoas começaram a fazer ligações telefônicas pela internet no Brasil. Hoje, pouquíssimo tempo depois, a web já dá guarida a centrais inteiras de PABX, com capacidade quase ilimitada de linhas. Elas funcionam remotamente, como os serviços de e-mail. Em vez de endereços eletrônicos, administram os telefonemas. Existem até empresas pequenas prestando esse tipo de serviço, mesmo que em grande escala. A paulistana LocaWeb é um caso. Tem capacidade para operar 300 000 ramais virtuais, ocupando somente 20% da área disponível em sua central de armazenamento de dados.

E armazenar informações tornou-se uma tarefa essencial para manter a nova internet de pé. Hoje, existem quatro meios básicos para empacotar conteúdo. Dois deles, analógicos, são o papel e os filmes. Os outros dois têm formatos digitais, os meios ópticos (CDs e DVDs) e os magnéticos (fitas ou discos). Juntas, essas quatro modalidades acumulam o equivalente a 5 exabytes de dados por ano, sendo 92% em formato digital. Esse volume corresponde a 64 trilhões de horas de músicas em MP3. Para ouvi-las, uma após a outra, seriam necessários 7 bilhões de anos.

É para guardar tudo isso que cresce o mercado de arquivos digitais. Um desses modernos guarda-volumes, instalado pela Sun Microsystems no Brasil, tem capacidade para arquivar conteúdo equivalente a 30 bilhões de livros, cada um com o tamanho de um exemplar de O Código Da Vinci. Isso representa mais de 1 000 vezes o total de títulos existentes na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, a maior do mundo. O aparelho, com 2,30 metros de altura por 2,70 de profundidade, funciona como uma biblioteca robotizada. Comporta em seu interior entre 1 448 e 300 000 fitas dispostas em prateleiras. Feita a consulta, um braço eletromecânico recolhe o cartucho desejado da prateleira específica e o leva a uma unidade de leitura e gravação. Essa máquina, que custa 500 000 dólares, pode trabalhar em paralelo com dezenas de outras – algo comum em bancos. Além de aparelhos desse porte, a queda no preço da estocagem digital vem favorecendo o armazenamento de dados. Com o mesmo valor gasto para arquivar 90 000 páginas na internet há dez anos, é possível guardar hoje 4 milhões de páginas.

Facilidades de armazenamento ajudam na criação de serviços. Isso vale para os novos sites de compartilhamento de conteúdo da web, como o YouTube, no qual as pessoas podem postar vídeos. O endereço recebe 6 milhões de visitas e exibe 40 milhões de programas por dia. Vale também para novos negócios de grandes empresas. Ao longo deste ano, a Microsoft vem lançando novidades da família Windows Live, um portal com e-mail, busca e conteúdo visualmente personalizado, que inclui desde previsões de tempo até notícias atualizadas periodicamente, além de serviço de busca com mapas. A investida da companhia nesse novo ramo tem como alvo fisgar parte do mercado de publicidade que sustenta os serviços na internet. Essa é principal fonte de receita para concorrentes como o Google e o Yahoo!. No ano passado, o mercado mundial de propaganda e publicidade movimentou 520 bilhões de dólares no planeta. A internet recebeu 17 bilhões desse total. Neste ano, pode ficar com 35 bilhões de dólares.

Fabiano Accorsi
Armazenar é tudo: máquina que comporta conteúdo equivalente a 30 bilhões de livros

É a flexibilidade, característica que está na origem da rede, que permite inovação permanente de usos. Ela nasceu da necessidade de conexão entre computadores de diferentes arquiteturas e fabricantes, na década de 70. Naquele momento, criou-se uma língua universal que possibilitou esse diálogo entre máquinas. Tecnicamente, esse esperanto digital foi chamado de protocolo da internet, mais especificamente de TCP/IP. Com esse recurso, os bits se aglomeram em pacotes. Daí o nome genérico dessa tecnologia: comutação de pacotes (ou packet switching). Funciona como um envelope de cartas. Internamente, vai a mensagem. Por fora, o endereço de destino dos dados (veja entrevista com o criador do protocolo). Nos anos 80, o surgimento da www (veja entrevista) tornou possível a conexão do conteúdo, como em textos e imagens, por meio de palavras grifadas que abrem links para outros endereços. Hoje, a rede mundial renova-se ainda com alavancas como a banda larga e a compressão de dados. Ambas criam uma espécie de sinergia: a primeira aumenta a largura da estrada por onde circulam as informações, enquanto a segunda diminui o tamanho dos carros. A disponibilidade de banda larga e a qualidade da rede fazem explodir a importância social e econômica da web. No Japão, em 2005, já houve mais acessos à rede por celular do que por computadores pessoais, os PCs. Foram 69,2 milhões no grupo dos telefones móveis, contra 66 milhões no dos equipamentos fixos.

Impacto e velocidade

O ritmo acelerado da evolução da tecnologia estimula previsões sobrenovos avanços. E o resultado das estimativas é impressionante.

Carlos Rydlewski e Alessandro Greco

No fim dos anos 90, ainda no século passado, o consagrado físico e matemático Freeman Dyson, professor emérito do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, observou que a tecnologia é apenas uma das forças que impulsionam a humanidade. E nem sempre é a mais importante. Ela divide seu poder de influência com a política, a religião e a economia, além das rivalidades militares e culturais. É tudo verdade. Mas não chega a surpreender se esse tipo de conceito tiver de ser revisto nas próximas décadas, tais são o impacto e a velocidade com que a tecnologia tem provocado mudanças na sociedade. Essas alterações são cada vez mais profundas e se aplicam tanto à maneira como as pessoas se relacionam quanto à forma como produzem. Exemplos não faltam. Em 1990, a internet nem sequer existia em termos sociais. Hoje, conecta quase 1 bilhão de pessoas no mundo e deve interligar a metade da população mundial em dez anos. Atualmente, o preço de uma transação feita pela rede de computadores já atingiu 0,01 centavo de dólar. Numa agência bancária, custaria 1,07 dólar. É por isso que o comércio eletrônico dispara a cada ano, mesmo em um país como o Brasil, que ocupa o modesto 41º lugar entre as nações tecnologicamente mais preparadas, em ranking elaborado pela IBM e pela consultoria The Economist Intelligence Unit. As máquinas também avançam. Entre 1950 e 2000, o poder de processamento dos computadores cresceu inimagináveis 10 bilhões de vezes.

O engenheiro e inventor americano Ray Kurzweil, autor de livros como Fantastic Voyage: Live Long Enough to Live Forever (algo como A Viagem Fantástica: Viva o Suficiente para Viver para Sempre), acredita que esse ritmo vai aumentar ainda mais. É verdade que Kurzweil é uma das pessoas mais otimistas quando o assunto é o avanço da tecnologia. Mas, bom engenheiro, gosta de fazer contas e já acertou em muitos prognósticos. No seu primeiro livro, The Age of Intelligent Machines (A Era das Máquinas Inteligentes), publicado em 1990, previu que em poucos anos uma rede global de computadores cobriria o planeta. Eis a web. Disse também que uma máquina poderia derrotar um campeão de xadrez até 1998. Foi isso que o Deep Blue, da IBM, fez com Garry Kasparov, em 1997.

Kurzweil continua a produzir estimativas – que devem ser vistas mais como tendências, e não necessariamente como previsões. Depois de desenvolver um novo modelo, chegou à conclusão de que a velocidade dos avanços tecnológicos tende a dobrar a cada dez anos. Estima que, no início deste século, o mundo das técnicas salte o equivalente a vinte anos de pesquisas em apenas catorze. Depois pulará mais duas décadas, mas em sete anos. O resultado final é que as tecnologias podem apresentar um progresso mil vezes maior no século XXI do que mostraram no século XX. "Os cálculos convencionais normalmente subestimam a intensidade das mudanças porque usam um raciocínio linear. E a tecnologia tem outro ritmo. Ela será o primeiro exemplo de um processo evolucionário marcado por um padrão exponencial", disse Kurzweil a VEJA. Aos descrentes, o engenheiro e escritor fornece uma idéia do que vem por aí: "Basta dizer que foram necessários catorze anos para chegar à seqüência do HIV. Já no caso do vírus da sars (síndrome respiratória aguda grave), a seqüência foi feita em somente 31 dias".

Ele inventou a internet...

Vinton Cerf, o "pai da net", diz que o principal valor da rede de computadores é ser a mesma para todos

Alessandro Greco

Roberto Setton

Vinton Cerf, matemático e cientista da computação de 63 anos, é conhecido como o criador da internet. Modestamente, ele declina do título. "Sou apenas um dos pais da rede", diz. O fato é que, em meados dos anos 70, Cerf ajudou a desenvolver o que hoje é conhecido pela sigla TCP/IP (o equivalente em inglês a protocolo de controle de transferência/protocolo de internet). Trata-se de um conjunto de regras, padrões e especificações técnicas que permitem a troca de informações entre computadores de diferentes marcas e tamanhos. Hoje, ele atribui grande parte do sucesso da rede ao fato de ela ser a mesma para todos. "Isso independe do status econômico e social das pessoas", diz. Atualmente, Cerf preside a Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Icann), organização responsável pelo gerenciamento e pela regulamentação da internet, e faz parte da cúpula do Google.

VEJA: A seu ver, por que a internet cresceu tão rapidamente?
VINTON CERF: Antes da internet, o modelo mais comum de comunicação era o um-para-um (one-to-one). Uma pessoa trocava informações com outra e ponto. É isso que acontece numa ligação por telefone ou numa carta. A internet criou um padrão novo, o "muitos-para-muitos", e com uma vantagem adicional: as pessoas podem interagir nessa comunicação, tanto individualmente como em grupos. Para mim, essa é a mais fundamental das propriedades da internet. Nem os meios de comunicação de massa fizeram coisa parecida.

VEJA: Que outras mudanças a rede provocou?
CERF: A internet permite que a maior parte das aplicações e ferramentas seja acessível a qualquer um. Assim, toda pessoa é livre para inventar novos serviços. Outra novidade introduzida é o fato de não ser um meio controlado por poucas fontes, mas, sim, um sistema de informação que permite a contribuição de todos.

VEJA: Há pessoas que, por motivos ideológicos, defendem a divisão da internet. O que o senhor acha desse tipo de idéia?
CERF: É vital que mantenhamos uma internet global. Podem até existir redes privadas, como ocorre na área corporativa, mas o maior valor do sistema está no seu alcance. Seria uma grande perda se o acesso mundial acabasse. É simples. Pense no valor do sistema de telefonia. Ele existe porque podemos telefonar para qualquer pessoa no planeta. O mesmo é verdade para a internet, independentemente de seu status econômico ou social. Como diz o lema da Sociedade da Internet (que reúne mais de 100 organizações, 20 000 pessoas de 180 países): a internet é para todos.

VEJA: Tudo está on-line: a telefonia, o cinema, os jogos, a televisão, os negócios, o mercado financeiro... A internet agüenta tudo isso?
CERF: Agüenta. E, acredite, não há indício de que estejamos perto de um limite. A internet vem se mostrando incrivelmente flexível. A rede tem crescido brutalmente tanto em seu coração como nas pontas nos últimos vinte anos. Isso ainda vai continuar.

VEJA: Qual será o futuro da internet?
CERF: É impossível prever a longo prazo. Se essa pergunta me fosse feita há trinta anos, quando a rede surgiu, eu jamais imaginaria que se transformaria no que é hoje. Mas podemos observar padrões. A curto prazo, haverá mais acesso móvel à internet. Teremos também um uso cada vez mais variado, com mais vídeo e mais áudio. Mais aparelhos vão estar conectados à rede e entre si. Poderemos começar uma transação ao telefone e ver o resultado em um computador de bolso, um PDA.

VEJA: Como é possível melhorar a rede?
CERF: Temos de oferecer muito mais segurança. Temos também de melhorar nossa capacidade de autenticar com quem estamos trocando informações.

VEJA: O que é a internet interplanetária?
CERF: É um projeto que começou há oito anos no Jet Propulsion Laboratory (JPL) da Nasa. Com ele, será possível enviar um número sem precedentes de informações todas as horas do dia e da noite, por exemplo, de Marte para a Terra. E isso é importante para nossas pesquisas espaciais. O projeto está indo muito bem. Já melhoramos a tecnologia necessária para que se use a internet no espaço. Há uma nave em volta de Marte, a Mars Reconnaissance Orbiter, que, com outras naves, formará uma dessas redes de comunicação contínua.

VEJA: Qual a origem do termo internet?
CERF: Quando eu e alguns colegas estávamos tentando conectar três redes diferentes, nós chamávamos o que fazíamos de interneting (algo como criando redes entre redes, numa tradução livre). O nome curto para isso ficou internet.

Sorria, você está sendo digitalizado

Os sistemas inteligentes de identificação, construídos com base na biometria, avançam no mundo todo

Rosa Sposito


Divulgação
Leitura da face: scanner leva em conta a geometria do rosto e a estrutura da pele

As tecnologias que se valem dos bits para a identificação de pessoas se disseminaram pelo mundo. A leitura das digitais dos dedos é o recurso mais popular, representando 43,6% dos sistemas empregados atualmente. É usada como senha para permitir o acesso a computadores pessoais, a informações em arquivos de empresas ou mesmo para ligar um eletrodoméstico – caso até de máquinas de lavar. Alguns passaram a cadastrar fregueses por meio da polpa do indicador, na tentativa de barrar os consumidores indesejados. Os dispositivos de reconhecimento da face vêm em segundo lugar na lista do ranking da biometria, com 19% do mercado. Essa técnica deve se difundir, pois foi recomendada pela International Civil Aviation Organization (Icao), um organismo das Nações Unidas, para equipar o chip de novos passaportes. A leitura da íris e o mapa formado pelas veias da palma da mão também estão sendo largamente usados para a identificação de pessoas. Estudo realizado pelo International Biometric Group (IBG), empresa de consultoria desse setor, indica que as vendas globais desses equipamentos vão saltar de 2,1 bilhões de dólares, em 2006, para 5,7 bilhões de dólares, em 2010.

Nesses sistemas, os traços biológicos de uma pessoa são medidos e transformados em padrões, por meio de algoritmos matemáticos (um conjunto de regras e operações, construídas para solucionar um problema em um número determinado de etapas). Esses dados ficam armazenados num computador, num chip de um cartão inteligente (smart card) ou num documento, como o passaporte. Posteriormente, são diretamente comparados com as digitais, o rosto, a íris ou a palma da mão da pessoa. No caso dos dedos, uma espécie de scanner captura os pontos específicos da impressão digital (bifurcações e vales), chamados de minúcias, e os transforma em padrão. Não é o método mais preciso de reconhecimento, mas é o mais barato.


Yuriko Nakao/Reuters
Na palma da mão: um raio infravermelho capta o mapa das veias (ao fundo)

Nos Estados Unidos, a empresa Pay By Touch desenvolveu um dispositivo eletrônico de pagamentos baseado no reconhecimento das digitais. Ele está sendo utilizado em mais de 2 200 lojas, por 2,9 milhões de consumidores. Essas pessoas cadastram o padrão da impressão digital, com o número da conta bancária ou do cartão de crédito. Na hora da compra, colocam o dedo sobre o leitor biométrico. Uma senha é digitada para reforçar a segurança do processo. O sistema compara as peculiaridades do dedo com as informações armazenadas no banco de dados da instituição financeira. Automaticamente, debita o valor da compra.

A identificação por meio da face é feita com um sistema de câmeras digitais que capta as características individuais, com base numa fusão lógica da geometria do rosto da pessoa com a estrutura da pele. No caso da íris, a característica que o sistema capta está na parte colorida do olho, na qual existem 249 pontos de diferenciação. Tais elementos não se alteram com o tempo, à medida que a pessoa envelhece. A probabilidade de duas pessoas terem o mesmo padrão de íris é de uma em 7 bilhões. Em testes feitos pelo governo britânico, a taxa de sucesso na identificação por esse método chegou a 96%. Mas, pelo custo elevado, o sistema está restrito a aplicações críticas, como em centros de processamento de dados de instituições financeiras.

O mercado financeiro é justamente o alvo de outra tecnologia de reconhecimento biométrico: a leitura das veias da palma da mão. Desenvolvido pela Fujitsu, o aparelho tem um sensor que captura a imagem da mão. Ele emite um feixe infravermelho, que é absorvido pelo sangue sem oxigênio que circula nas veias, formando uma espécie de mapa. A possibilidade de duas pessoas terem o mesmo desenho de veias é muito pequena. "Nem gêmeos idênticos têm padrão igual", afirma Evaldo Horn de Oliveira, gerente de desenvolvimento de negócios da Fujitsu do Brasil. O sistema, batizado de PalmSecure, foi instalado para teste em dois caixas eletrônicos do Bradesco, em São Paulo, dispensando os correntistas de digitar as senhas com letras na hora de fazer um saque. Mas esse é só o começo. Em laboratórios, estão prontas tecnologias que usam até o cheiro das pessoas como instrumento de identificação.

A nova civilização on-line

A geração que cresceu com a internet vive em ritmo acelerado e já aboliu a separação entre os relacionamentos do mundo real e aqueles do virtual.


O paulista Lucas da Costa Moura, 17 anos, criou uma comunidade para a banda americana
Panic! At the Disco que já tem 70 000 membros. "Só para administrá-la fico três horas por dia conectado ao Orkut", ele conta

O círculo de amizades de Lucas da Costa Moura, estudante paulistano de 17 anos, é formado por meio milhão de pessoas. Lucas coordena um fórum no Orkut que reúne 70 000 fãs da banda de rock Panic! At the Disco. Ele também freqüenta outras cinqüenta comunidades na internet. Uma delas tem mais de 250 000 participantes. Como se vê, a atividade de Lucas na rede mundial de computadores é intensa. Diariamente, confere uma centena de recados postados por integrantes do fã-clube on-line, cuja maioria tem entre 13 e 18 anos. Responsável pela página, tem o dever de vigiar o comportamento alheio. "Não permitimos ofensas contra a banda ou contra algum membro da comunidade", explica. Para completar, ainda precisa ser ativo na militância roqueira. Recentemente, ele e alguns amigos lançaram um ataque cibernético para abarrotar as caixas de e-mail de gravadoras e órgãos de imprensa. Os milhares de mensagens exigiam a vinda do Panic! ao Brasil. Para dar conta de toda essa atividade, Lucas passa cinco horas diárias diante do computador. "Acho que num dia tenho contato com mais gente do que meus pais tiveram a vida toda", diz.



A paulista Ana Carolina Pugliesi Sanches, 15 anos, conversa com 700 pessoas no MSN. "Quando a gente conhece uma pessoa virtualmente, a amizade nasce pelo que ela é, não pela aparência física", ela avalia

A rotina on-line de Lucas é condizente com os hábitos de sua geração. A antropóloga americana Anne Kirah, que trabalhou na Microsoft e hoje está num centro de estudos da inovação, na Dinamarca, cunhou a expressão "nativos da geração digital" para definir os jovens que não conheceram o mundo antes do e-mail. Os "nativos" dedicam bastante tempo aos sites de relacionamento, nos quais podem compartilhar conhecimento, músicas, fotos, filmes e muita conversa furada. O maior desses espaços é o MySpace, com 70 milhões de pessoas cadastradas. Em um mês, os usuários realmente ativos do site americano chegam a 60 milhões. Em média, cada um permanece conectado duas horas e dez minutos por dia. Outro campeão em popularidade, o Facebook, cujo criador tem apenas 23 anos, atingiu 33 milhões de usuários cadastrados, segundo a última conta. Estima-se que 260 milhões de pessoas freqüentem sites de relacionamento em comunidades virtuais em todo o mundo. O preferido dos brasileiros é o pioneiro Orkut, com 50 milhões de cadastros – os chamados perfis –, mas muitos deles são duplicados. É uma forma de driblar o limite máximo de 1 000 contatos por perfil.


A comerciária carioca Patrícia Ferreira Barbosa se preocupa com o filho Pedro, de 15 anos, porque ele passa oito horas diárias na frente do computador. "Sei que muitos jovens são assim, mas tenho de lembrá-lo até de almoçar e jantar, senão ele não come", ela conta


O universo digital constitui um claro separador entre gerações, ainda que não seja privativo de nenhuma delas. Menos conhecido é seu impacto no comportamento daqueles que nasceram nesta era tomada pela tecnologia. A socióloga Sherry Turkle, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), disse a VEJA que "a pressão de estar conectado pode ser um peso para os adolescentes". O mais notável nesta geração é o fim da separação entre o mundo real e o virtual. Um diálogo por mensagem instantânea é hoje tão intenso quanto um encontro cara a cara e, muitas vezes, até mais íntimo. É uma realidade sem volta. Pesquisa divulgada em junho pela consultoria americana NPD Group mostrou que as primeiras incursões no mundo on-line ocorrem cada vez mais cedo. A média atual é de 6,7 anos. Em 2005, era de 8,1 anos.

Os adolescentes usam a web como uma espécie de laboratório social, para testar limites do relacionamento. A estudante paulista Larissa Stephanie Bozzolan, 15 anos, assídua no Orkut e no MSN, diz ter maior intimidade com o computador do que com os pais. "Quando estou dando uma bronca, prefiro falar pessoalmente, mas tem coisas que só consigo digitar", diz. As novidades não dizem respeito apenas a relacionamento e troca de informações – mas, também, a velocidade. A antropóloga Anne Kirah observou que a maior dificuldade dos imigrantes (isto é, aquelas pessoas nascidas quando o telefone tinha disco e, em caso de urgência, enviavam-se telegramas) é entrar em sintonia com o ritmo atual e acelerado da sociedade on-line. Para os jovens, que não conheceram outra vida, isso é perfeitamente natural.

A tecnologia abriu uma porta para que as pessoas possam estar em contato permanente umas com as outras e para que tenham acesso ininterrupto à informação. Ainda é cedo para conhecer os efeitos a longo prazo da cultura da comunicação. O modelo é espetacular, e seus benefícios para a difusão do conhecimento são evidentes. Em contrapartida, a conexão permanente parece estar reduzindo o tempo disponível para simplesmente sentar e pensar. Sherry Turkle, do MIT, teme que a falta de momentos freqüentes de isolamento, característicos da adolescência no passado, possa prejudicar o amadurecimento das pessoas. Mas seria realista tentar se desconectar num mundo em que tudo o que é interessante parece estar ocorrendo on-line? Durante o período de férias, a carioca Patrícia Ferreira Barbosa acordava regularmente às 3 horas da manhã só para tirar da web seu filho Pedro, de 15 anos. Quando está fora de casa, telefona para lembrá-lo de almoçar e jantar. Ela diz que, em geral, mesmo quando Pedro está em casa, sente falta do filho. "Para eu ficar com ele, tenho de sentar ao lado do computador. Ele só deixa a internet para ficar comigo por no máximo alguns minutos", diz Patrícia. Bem-vindo ao admirável mundo novo.

Larissa Stephanie Bozzolan, 15 anos, chega da escola e logo entra no Orkut e no MSN. "Quando revelo um segredo ou quero dar uma bronca, prefiro olhar para a pessoa, mas tem coisas que, por vergonha, só consigo dizer através do computador", conta ela

Com reportagem de Rodrigo Martim de Macedo

Agora, a vida real participa do jogo

Os novos games dão a sensação de realidade. Se chove no estádio de verdade, o gramado de sua réplica virtual também fica escorregadio.


O jogo de guerra Crysis, com lançamento previsto para novembro: paisagens perfeitas e cenários que são alterados pela movimentação dos personagens

Que grau de realismo será possível atingir num jogo de computador? Ainda não está disponível a imersão total – aquele limite de interatividade no cenário em três dimensões que serve de local de lazer para a tripulação em Jornada nas Estrelas. O que se tem agora, contudo, já ultrapassou o jogo tradicional e merece ser chamado de simulador da realidade. Turbinada por tecnologias de desenvolvimento recente, uma nova fornada de videogames reserva aos jogadores a sensação de envolvimento como nunca se viu antes. Alguns dos jogos já estão à venda, outros têm lançamento previsto para os próximos meses. A primeira coisa que chama atenção é o hiper-realismo das imagens. Tanto os personagens quanto os cenários em que eles se movem parecem tirados do cinema. É como se o jogador estivesse no comando de atores de carne e osso. Ainda mais empolgante são aqueles que permitem que personagens e objetos virtuais reajam a estímulos do mundo real. Que a um toque no joystick as cenas sejam influenciadas pelas leis da física. "Nosso objetivo é aprofundar ainda mais a imersão do jogador nos games, tornar sua experiência mais intensa", diz Cevat Yerli, presidente da alemã Crytek, uma das principais desenvolvedoras de jogos para computador.

Lançado em julho, o game de futebol americano da Electronic Arts reproduz na tela as condições do clima que realmente ocorram no estádio em que a partida esteja sendo disputada. Assim, se o jogo tiver como cenário o estádio de Dallas, no Texas, e estiver chovendo naquele instante na cidade, a disputa no computador também ocorrerá sob chuva. Com o piso escorregadio, os jogadores se movimentam de forma mais lenta. O truque é possível graças a uma conexão direta, pela internet, entre o game e o The Weather Channel, canal de televisão americano que informa as condições meteorológicas. No mesmo jogo, podem-se obter estatísticas sobre os jogadores dos times de verdade no site da ESPN e transferi-las para seus equivalentes virtuais – se um jogador torceu o tornozelo na vida real, aparecerá machucado no game.

O Forza MotorSport 2, game de corridas da Microsoft cuja última versão chegou às lojas em junho, simula alterações normalmente sofridas pelos carros numa competição de verdade. Se um piloto bate durante a prova, o veículo passa a apresentar desempenho compatível com o tipo e a intensidade da colisão. Nos níveis avançados do jogo, os pneus e a suspensão também respondem a mudanças de temperatura e pressão determinadas pelo jogador. Para testar o brinquedo, uma equipe com mais de 300 pessoas, com engenheiros da Ferrari, pilotos e físicos, fez simulações de desempenho de carros no mesmo percurso numa pista real e no game. Resultados quase idênticos foram obtidos nos dois casos. O Grand Theft Auto IV (GTA), um dos lançamentos mais aguardados da indústria dos games, promete novidades com relação às versões anteriores. Os coadjuvantes espalhados pelas ruas são mais interativos: fumam, usam celulares, lêem jornais e comem enquanto passeiam. É possível fazer com que o personagem central, um ladrão de carros, pare um táxi e descanse apreciando os cenários do jogo ao longo do trajeto indicado ao motorista.

Os novos recursos dos games se tornaram possíveis graças ao advento da sétima geração de consoles, lançada no fim do ano passado. Ela é formada pelo Sony PlayStation 3 (PS3), pelo Microsoft Xbox 360 e pelo Nintendo Wii. O chip central do PS3 trabalha com nove núcleos em paralelo – nos desktops, esse número não passa de quatro. Tal avanço ampliou em 35 vezes a capacidade de processamento do aparelho com relação à de seu antecessor, o PS2. Os elementos que compõem a tela de um game são formados por pequenos triângulos que criam as imagens em três dimensões. Quanto maior a capacidade do computador de ler essas informações, mais detalhado será o cenário gerado na tela. A atual geração de máquinas tem capacidade teórica de processar até 1 bilhão de triângulos por segundo, contra, no máximo, 60 milhões de polígonos por segundo da geração que a precedeu. A brincadeira ficou mais divertida.


HIPER-REALISMO
O poder do acaso no campo de batalha

Medal of Honor: Airborne não tem um roteiro linear. O objetivo do jogo pode ser atingido de várias maneiras. Por exemplo: o personagem salta de pára-quedas sobre um campo de batalha da II Guerra e o jogador escolhe o ponto exato em que ele vai pousar. Dependendo do local da queda, os desafios mudam. Lançamento: em setembro, para PC, PlayStation 3 e Xbox 360


LEIS DA FÍSICA
Marcas de pneus

É possível escolher entre 300 modelos de carros de cinqüenta marcas no Forza MotorSport 2, da Microsoft. Entre eles, a Ferrari (acima) e o Maserati (à direita). O hiper-realismo influi no resultado: se houver uma colisão, os estragos decorrentes vão alterar o desempenho do carro pelo restante do jogo. As marcas deixadas na pista pelos competidores são reproduções exatas de marcas reais filmadas em autódromos. Lançado apenas para Xbox 360, pode ser jogado com um controle especial em formato de volante, com alavanca de marcha e pedais.


FORÇA DA NATUREZA
Os jogadores entram no clima

O jogo de futebol americano da Electronic Arts tem uma novidade surpreendente: as condições do tempo na vida real são reproduzidas no estádio virtual. Isso é possível graças à conexão direta entre o game e o canal de meteorologia The Weather Channel. Se neva ou chove, os jogadores ficam mais lentos. No calor, cansam-se mais rápido.


COMO É FEITO
Os movimentos são de Ronaldinho

Os dribles dos jogadores do game Fifa08 reproduzem a movimentação real de atletas famosos. Para isso, Ronaldinho Gaúcho, um dos modelos, foi filmado simultaneamente por 54 câmeras. Para facilitar o registro da imagem, os atletas vestiram roupas especiais, com pontos de luz estratégicos. Na foto acima, o suíço Tranquillo Barnetta, do Bayer Leverkusen, e o austríaco Andreas Ivanschitz, do futebol grego, prontos para ser filmados no estúdio.


Faces perfeitas

O rosto dos personagens, com movimentos faciais realistas, é um destaque do jogo de guerra Crysis, da Crytec. O segredo está nos músculos virtuais criados por uma nova tecnologia gráfica. O mesmo realismo aparece quando a paisagem é devastada por tiros e explosões. Abaixo, as etapas da construção de um personagem. Lançamento: novembro, apenas para PC.

Os caminhos da web

Perdido na vastidão da web? O mapa mostra os principais sites da internet, organizados por critérios como categoria (linhas coloridas), afinidade e popularidade (número de acessos). As rotas foram organizadas de acordo com o modelo clássico criado pelo inglês Harry Beck para o mapa do metrô de Londres, em 1933, e atualmente adotado em escala global. Produzido pela Information Architects, um escritório japonês de webdesign, o mapa da web reproduz as linhas do metrô de Tóquio. A linha de sites brasileiros foi produzida pela equipe de VEJA Tecnologia. A distribuição dos sites neste mapa é funcional, para facilitar a consulta. Por exemplo: em "Conhecimento" estão o Google e a Wikipedia, mas também a Apple. "São coisas diferentes, mas que se unem pela originalidade", diz Oliver Reichenstein, um dos idealizadores do mapa. Na linha preta estão os sites centrais da web. Boa viagem.

A hora da colheita

Depois de bilhões de dólares de investimentos e anos de pesquisa, começam a chegar ao mercado os aparelhos que complementam o teclado com recursos de reconhecimento de voz, visão, tato e escrita manual e acabam com a fronteira entre os idiomas.

Bill Gates

As pessoas me perguntam com freqüência se a revolução da tecnologia digital está desacelerando. Elas querem saber se tecnologias como o microprocessador ou a largura de banda das redes estão chegando ao limite de sua capacidade de evolução. Sob vários aspectos, acredito que a revolução digital só agora esteja tomando corpo. O extraordinário progresso das últimas décadas serviu apenas para estabelecer as bases para transformações ainda mais profundas que estão por vir. No decorrer dos próximos anos, o hardware dará continuidade a seu processo de aperfeiçoamento. Simultaneamente, o software também evoluirá, à medida que criarmos novas ferramentas de desenvolvimento e novos recursos que nos permitirão tirar proveito de processadores mais poderosos, de sistemas com maior capacidade de armazenar dados e de um acesso cada vez mais fácil à banda larga.

A questão, portanto, não é saber se a tecnologia continuará a evoluir, mas, sim, como a nossa interação com a tecnologia – e a nossa interação com o mundo – mudará nos próximos dez anos. Temos também de considerar dois aspectos: um deles, já citado, é que os softwares e os dispositivos serão cada vez mais poderosos. O outro é que cresce a cada dia o volume de informações, comunicações, comércio e entretenimento criados em formato digital.

Numa análise preliminar, daqui a dez anos estaremos muito mais conectados às pessoas, às comunidades que nos dizem respeito e a todas as informações e formas de entretenimento que nos interessam. Estaremos mais conectados, pois os recursos de software, associados a PCs e à flexibilidade dos serviços oferecidos pela internet, poderão nos conduzir automaticamente a todas as informações de que precisamos, em qualquer lugar. Estaremos mais conectados, pois a computação será efetivamente móvel. Os dispositivos serão menores, mais baratos e versáteis. Seremos capazes de usá-los com grande facilidade, independentemente de estarmos na mesa de trabalho ou em trânsito.

Essa crescente conectividade é decorrente de avanços que tornam a tecnologia muito mais centrada no usuário. Hoje, o uso da tecnologia ainda tende a ser bastante fragmentado. Transferir uma foto digital da câmera para o computador doméstico ou compartilhar essa imagem com a família ainda são processos bastante complexos, que demandam várias etapas de execução. Apesar de todos os aparelhos digitais que já utilizamos no cotidiano, a capacidade de nos mantermos a par das informações mais atualizadas – seja de cotações de ações, de resultados de eventos esportivos, seja de compromissos familiares – enquanto estamos em trânsito é bastante limitada.

Tudo isso deverá mudar nos próximos dez anos. Em um futuro não tão distante, qualquer dispositivo poderá estar conectado à internet, oferecendo às pessoas tudo aquilo que diz respeito a seus interesses: arquivos, agenda de compromissos, informações e preferências. As notícias se moverão automaticamente com os indivíduos, durante seus deslocamentos de um lugar para outro, circulando também de um aparelho para outro. Quando alguém tirar uma foto, várias coisas poderão ocorrer instantaneamente: a imagem será armazenada no arquivo adequado, podendo ser imediatamente compartilhada com as pessoas autorizadas a visualizá-la. Não será mais necessário preocupar-se com redes, endereços de e-mail ou com as diferenças entre os vários aparelhos como celulares, computadores ou tocadores de música digital.

Um recurso que tornará a computação muito mais centrada no usuário é a "percepção de contexto". Estamos avançando rápido na criação de softwares capazes de antecipar as necessidades do usuário. Essas decisões serão tomadas com base no conhecimento das preferências das pessoas, de suas ações anteriores, de suas atividades atuais e em seu círculo de contatos. Com isso, a tendência é o PC e os outros equipamentos de computação se transformarem, cada vez mais, em autênticas secretárias particulares. Quando alguém quiser se comunicar com esse usuário – seja por texto, voz ou vídeo –, será informado se é possível interrompê-lo ou se ele não quer ser perturbado.

Também assistiremos a uma grande evolução na maneira como as pessoas interagem com os computadores e os eletrônicos. Estamos chegando muito perto de um novo conceito denominado "interfaces naturais". Essa é uma área na qual a Microsoft investiu literalmente bilhões de dólares na última década. Esses investimentos estão começando a dar frutos, em forma de novos aparelhos que complementam o teclado com recursos de entrada de voz, visão, tato e escrita manual. Isso deve se transformar rapidamente em tecnologia-padrão. Estamos falando desses recursos há muito tempo. Hoje, já podemos apontar exemplos que comprovam nossos avanços nessa área, incluindo a rápida evolução do reconhecimento de voz e grandes avanços em direção à capacidade do software de reconhecer e interagir com idiomas como o chinês e o japonês, para os quais o teclado não é a forma mais prática de digitar informações.

Outro exemplo prático de um produto que usa esse tipo de interface é o Surface, uma mesa eletrônica com uma tela de 30 polegadas, que oferece uma interação natural com o universo digital – sem a necessidade de um mouse ou teclado. A entrada ou a manipulação de informações pode se dar em forma de gestos, toques ou pela própria interação com os objetos físicos. Com o Surface, é possível manusear imagens e documentos, bastando arrastar esses elementos na tela. Com o simples movimento da mão, os componentes da tela podem ser movidos de um ponto a outro, ampliados ou reduzidos. Pelo fato de reconhecer objetos físicos – como celulares e câmeras fotográficas digitais –, o Surface pode automatizar a transferência de conteúdo digital, de um ponto para outro, ou do dispositivo de uma pessoa para o de outra. O Surface é um aparelho com tecnologia multitouch (reconhecimento de múltiplos toques, em diferentes pontos de sua superfície) e multiusuária, o que significa que várias pessoas podem utilizá-lo ao mesmo tempo, abrindo novas possibilidades para a colaboração em documentos ou, simplesmente, para interagir em jogos.

Esse tipo de dispositivo representa a vanguarda de uma nova tendência, denominada computação onipresente (pervasive computing, em inglês). No futuro, o potencial do software e dos microprocessadores girará em torno de objetos do cotidiano, tais como a mesa de trabalho, o carro, o telefone ou a geladeira. Todos esses objetos estarão conectados à internet e poderão compartilhar informações sobre as preferências, os contatos e os interesses dos usuários. Eles agirão em conjunto, em sintonia, prevendo as necessidades e contribuindo para a melhor qualidade de vida. O Surface também aponta para o acelerado progresso que está ocorrendo na tecnologia de telas e monitores de vídeo. Uma das importantes tendências, que será observada ao longo desta década, indica que os monitores se tornarão mais leves, baratos, portáteis e onipresentes. No futuro, poderemos conectar nossos dispositivos portáteis a qualquer monitor que estiver por perto, seja a TV da sala ou qualquer outro, em qualquer local – público ou privado.

À medida que a computação se tornar mais conectada e centrada no usuário, mais onipresente e móvel, mais natural e intuitiva, o poder transformador da tecnologia digital se expandirá de várias maneiras. As duas áreas que receberão o maior impacto dessas mudanças serão a comunicação por voz e a televisão. Atualmente, para que uma pessoa possa efetivamente se manter em contato com outra, ela precisa ter, ao menos, três números de telefone: da casa, do trabalho e do celular. No trabalho, dependemos ainda de um telefone fixo, conectado a um sistema de PABX não digital. Só agora esses sistemas estão migrando para o modo puramente digital, integrado à internet. Daqui a algum tempo, quando alguém quiser entrar em contato com outra pessoa, bastará dizer seu nome e sua comunicação será automaticamente direcionada para o dispositivo indicado. Os aparelhos telefônicos fixos devem desaparecer. As ligações ficarão por conta do PC com recursos de software. Será possível incluir alguém em uma teleconferência bastando clicar seu nome na tela ou visualizar as últimas chamadas da pessoa com quem se está conversando ao telefone.

A televisão também está migrando para redes que utilizam protocolos da internet. Isso significa que os telespectadores não estarão mais restritos às limitações das redes de televisão que operam através dos sistemas convencionais de transmissão. Ao contrário: eles terão acesso a um conteúdo praticamente ilimitado, que abrange desde a programação tradicional, com filmes, documentários e programas criados por profissionais, até palestras, reuniões de negócios, eventos esportivos ou qualquer coisa capturada em forma de vídeo digital e disponível para visualização pública. Todo esse conteúdo poderá ser acessado a qualquer hora, e não mais de acordo com a programação prévia das redes abertas ou das TVs a cabo.

O maior impacto que será sentido nos próximos dez anos diz respeito à disseminação da revolução digital entre bilhões de pessoas ainda sem acesso aos instrumentos que permitem participar da chamada "economia do conhecimento". Hoje, aproximadamente 1 bilhão de pessoas usam PCs. Embora pareça muito, representa uma fração modesta da população mundial de 6 bilhões de pessoas. À medida que tornamos a tecnologia mais acessível e mais simples de usar, podemos reduzir efetivamente o abismo entre as sociedades ricas e as mais pobres e estender as oportunidades sociais e econômicas a toda a humanidade. Essas oportunidades podem ser traduzidas em maior acesso à educação, à informação, à saúde e aos mercados globais.

Obviamente, isso não ocorrerá da noite para o dia. Ainda há problemas importantes a ser resolvidos, que transcendem questões relativamente simples como o preço e a acessibilidade dos dispositivos em si. Temos de pensar em fatores como a conectividade, o treinamento, a manutenção e o suporte. Na Microsoft, estabelecemos como meta, para os próximos cinco anos, levar os benefícios da computação a, no mínimo, mais 1 bilhão de pessoas. Com os rápidos avanços da tecnologia, acredito que essa meta seja viável. Acredito também que poderemos atingir um número de pessoas bem maior, nos cinco anos subseqüentes.
Há trinta anos, fundamos uma empresa com o sonho de colocar um computador em cada mesa e em cada casa. É surpreendente olhar para trás e constatar quanto já evoluímos para tornar esse sonho realidade. É ainda mais animador olhar para a frente e vislumbrar um mundo no qual esse sonho envolverá países e lugares remotos do globo, capacitando bilhões de pessoas a participar da economia do conhecimento. À medida que isso ocorre, vão surgindo novas idéias, aparecem novas empresas e são desenvolvidos grandes avanços na ciência e na medicina. O resultado, estou certo, será o surgimento de uma nova onda de inovações que tornará nossa vida mais plena, mais produtiva e mais gratificante.

O ouro está no lixo

Sete em cada 10 dos 50 milhões de toneladas de sucata eletrônica produzidas por ano vão parar na China, onde são recicladas.

Carlos Ossamu

Um problema de difícil solução surgiu na esteira da tecnologia: o que fazer com a sucata eletrônica? De acordo com a ONU, o planeta descarta por ano 50 milhões de toneladas desse tipo de resíduo. Do ponto de vista ambiental é um desastre. O material plástico das carcaças de computador leva séculos para se decompor na natureza. Os componentes, como as placas-mãe, estão recheados de metais pesados, como mercúrio, chumbo, cádmio e berílio, altamente tóxicos. O problema só não é mais grave na Europa e nos Estados Unidos – os maiores produtores mundiais de sucata eletrônica – porque 70% de todo o lixo é enviado gratuitamente ou vendido a preços simbólicos à China.

A principal riqueza de Guiyu, cidade do litoral chinês com 150 000 moradores, é precisamente o garimpo no lixo eletrônico. Oito em cada dez habitantes, incluindo crianças e idosos, passam o dia destroçando carcaças de computadores, aparelhos de fax e outras peças. Buscam metais que possam ser recuperados e revendidos, como cobre, aço e ouro. As placas-mãe das máquinas são desmontadas em fogareiros de carvão. As carcaças de PVC também são derretidas para aproveitamento, um processo que libera gases tóxicos. Estudos constataram que o solo da região está contaminado por metais pesados. Não resta uma só fonte de água potável num raio de 50 quilômetros da cidade. Essas informações alarmistas não tiram o entusiasmo dos recicladores. Ao contrário. Esse tipo de ferro-velho constitui um negócio tão promissor que outros países, particularmente a Índia e a Nigéria, passaram a disputar com os chineses os carregamentos de sucata eletrônica.

• Há mais ouro em 1 tonelada de PCs do que em 17 toneladas de minério bruto do metal

• Pilhas e baterias, como as de celular e notebook, demoram 500 anos para se decompor na natureza

• As placas de circuitos eletrônicos são 40 vezes mais ricas em cobre do que o minério bruto do metal

• Nos EUA, 304 milhões de aparelhos eletrônicos são jogados no lixo a cada ano. Seis em cada dez deles ainda funcionam

PÔQUER - A máquina não sabe blefar

O computador bate o homem no xadrez e nas damas, mas se perde na malandragem do carteado


 

Em julho, dois profissionais do baralho derrotaram o mais avançado programa de pôquer para computador, o Polaris. De forma irônica, a disputa ocorreu numa conferência sobre inteligência artificial em Vancouver, no Canadá. A vitória de Phil Laak e Ali Eslami, os dois jogadores, foi esclarecedora ao expor as deficiências da máquina no confronto com o homem – algo que fazia muito tempo não se via. Para vencer no pôquer, é preciso saber blefar. O computador até tinha sido programado para tentar enganar os adversários. Um fiasco. As tentativas de blefe eram feitas ao acaso, de modo automático, sem levar em conta o que estava acontecendo na mesa de jogo. O Polaris também demonstrou dificuldade em tomar decisões sem dispor de informações completas. Obviamente, como não havia jeito de conhecer as cartas do adversário, a máquina hesitava no momento de arriscar. Eis a diferença entre o pôquer e outros jogos em que o computador conseguiu superar jogadores de elite. No xadrez, nas damas e no gamão, é possível calcular matematicamente as possibilidades e determinar objetivamente a melhor jogada. Ou seja, não é necessário interpretar a fisionomia do adversário, como ocorre nos jogos de cartas. Basta se concentrar nas peças dispostas no tabuleiro. No pôquer, isso se revelou fatal. Em dois dias de competição, apenas em uma partida o Polaris tentou adaptar sua estratégia ao perfil de cada jogador. E ainda assim perdeu.

O computador utilizado foi um Macbook Pro, da Apple, máquina de uso doméstico. Isso foi possível porque o programa não exigia grande capacidade de processamento durante o jogo. "Para a disputa com a dupla do pôquer, os cálculos consumiram semanas", diz Michael Bowling, responsável pelo desenvolvimento do Polaris. O programa foi criado pelo mesmo grupo de pesquisadores da Universidade de Alberta que, recentemente, anunciou um software que, eles garantem, jamais perderá de um adversário humano numa disputa de damas. Na pior das hipóteses, conseguirá empatar. Viva o pôquer.

5 perguntas para Steven Johnson

O americano Steven Johnson, autor de Surpreendente (Everything Bad Is Good for You, no título original em inglês), defende o acesso irrestrito dos jovens aos videogames e aos sites de relacionamento. Ele acredita que os jogos de computador, a internet e até mesmo a televisão possuem virtudes intelectuais e cognitivas diferentes, mas não inferiores às da leitura. Johnson falou à repórter Giovana Girardi.


 

• O que teria ocorrido se os videogames tivessem surgido antes dos livros?

Haveria quem dissesse que a leitura não estimula os sentidos. Não faltariam especialistas para demonstrar as vantagens do tradicional videogame, capaz de envolver a criança em um mundo realista e tridimensional, repleto de imagens animadas e trilhas sonoras. Os livros seriam vistos como uma seqüência enfadonha de palavras arrumadas numa página. Não faltariam argumentos científicos para condenar os livros. Note que apenas uma pequena parte do cérebro, dedicada ao processamento da linguagem escrita, é ativada durante a leitura, ao passo que os games acionam uma variedade completa de córtices sensoriais e motores. Por fim, os livros têm a capacidade trágica de isolar a pessoa...


 

• Que benefício o jogo de computador pode trazer para os jogadores?

Os games fazem com que eles pensem. Precisam descobrir a melhor maneira de atingir um objetivo. É preciso ainda realizar tarefas menores, mas sem perder de vista o problema maior. Por vezes, também é necessário passar horas estudando manuais para descobrir como agir em determinada situação. Os jogos mais vendidos são aqueles que envolvem habilidades estratégicas de simulação, como o SimCity. Este exige que o jogador construa uma cidade e a torne viável. Isso acaba funcionando como uma espécie de exercício de redação, já que o jogador necessita compor verdadeiras narrativas. Outros campeões de vendas, que também exigem bastante das pessoas, são os simuladores de guerras históricas, como a série Total War, com batalhas ocorridas no Império Romano e nas guerras medievais.


 

• Por que tanta gente adora sites de relacionamento como o Second Life e o Orkut?

Essa é a maneira pela qual as pessoas se comunicam atualmente com seus amigos. Quando eu era adolescente, nos anos 80, nós falávamos ao telefone o dia todo. Agora, a interação é via Orkut e mensagens de texto. As novas gerações são mais sociáveis do que as anteriores. Pensam em mídia, em primeiro lugar, como uma experiência social, e não como uma relação passiva de consumo.


 

• O que é pior, a violência nos games ou no cinema?

Nenhuma delas é boa. Não acho que games violentos sejam adequados a crianças pequenas. Mas, como acredito que os jogos nos fazem pensar, considero que são bem melhores do que os filmes, nos quais se fica sentado diante de uma tela vendo as pessoas atirar umas nas outras.


 

• Por que ainda há tanta controvérsia sobre o efeito da internet e dos jogos de computador nos jovens?

Acredito que os games e os sites de relacionamento têm efeito positivo sobre as pessoas. Preciso admitir, contudo, que essa possibilidade ainda não foi testada de nenhuma maneira científica. Nós temos pouca informação sobre o assunto porque quase todos os estudos de exposição à mídia eletrônica foram focados na busca de pontos negativos. Seria interessante ver uma pesquisa que tivesse como objetivo os aspectos positivos. Ou, vá lá que seja, que fosse feita com neutralidade.

A tecnologia nos faz melhores

O ensaísta que criou a revista Wired tem uma reflexão original para esse tema central da vida moderna. Para ele, cada nova ferramenta só cumpre seu papel ao ampliar nossas possibilidades de escolha. Neste ensaio, que servirá de embrião para seu novo livro, What Technology Wants (O que Quer a Tecnologia), Kelly analisa o significado da tecnologia para a existência humana


A palavra tecnologia sugere objetos. Coisas complexas e feitas de átomos. Locomotivas a vapor, telefones, computadores, substâncias químicas e chips de silício. Quando esse mundo de coisas começou a surgir, séculos atrás, encaramos o fenômeno como uma revolução material, embora todas as mudanças que trazia fossem, na verdade, causadas pelo desenvolvimento da capacidade de utilizar a energia de forma orientada. A magia do material estava no fato de conseguir conservar, transmitir ou exibir energia em pequenas quantidades no momento certo (sinais) ou em explosões sob demanda (quantidade de calor).


Esses objetos perderam recentemente parte de sua massa. Começamos a enxergá-los como ação. Hoje, o termo tecnologia sugere softwares, engenharia genética, realidade virtual, banda larga, formas de vigilância e inteligência artificial. Se uma dessas coisas caísse no seu pé, você não machucaria o dedão. A tecnologia tornou-se uma força. É um verbo, não mais um substantivo. Sua ação mostrou-se tão forte que, agora, percebemos a tecnologia como um superpoder e também como algo que sempre leva a culpa quando uma coisa dá errado. Na realidade, a tecnologia é matéria, é força e é muito mais. É tudo o que criamos: literatura, pintura, música. Bibliotecas são tecnologias. Como também o são os registros contábeis, a legislação civil, os calendários, as instituições, todas as ciências, bem como o arado, as roupas, os sistemas de saneamento, os exames médicos, os nomes de pessoas e o alfinete de segurança. Tudo o que nossa inteligência produz pode ser considerado tecnologia.


Parece estranho que um soneto de Shakespeare ou uma fuga de Bach sejam colocados no mesmo plano de coisas como a bomba nuclear ou o walkman? Mas, se 1 000 linhas de letras são uma tecnologia (como o código de uma página HTML, usado para veicular textos e imagens na internet), então

1 000 linhas de letras em inglês (Hamlet) também devem ser. Não é possível separar o que é tecnologia tanto no livro como no filme O Senhor dos Anéis. A versão literária do romance original é tão tecnológica, no sentido estrito da palavra, quanto a versão digital das criaturas e dos lugares fantásticos expostos na tela. Ambas são obras da imaginação humana. Ambas afetam o público de forma poderosa.


A tecnologia, portanto, pode ser considerada um tipo de pensamento – um pensamento expresso. Seria possível encarar o elaborado sistema legislativo que norteia as sociedades ocidentais como uma variedade de software. Trata-se de um código, um conjunto complexo de regras, mas que funciona com suporte no papel, não em um computador. Tanto o código do sistema legislativo quanto o de um software são manifestações do pensamento humano.


Muitas pessoas se perguntam como a tecnologia pode tornar o homem melhor. Simples: da mesma maneira que a tecnologia das leis torna os homens melhores. Um sistema legal nos mantém responsáveis, estimula o senso de justiça, contém impulsos indesejados, alimenta a confiança, e assim por diante. Há, contudo, leis boas e más, e alguns sistemas legislativos (tecnologias legais) são melhores do que outros. A resposta correta a uma má legislação não é ausência de legislação. É, sim, uma legislação melhor. A resposta correta a uma idéia ruim não é parar de pensar. É uma idéia melhor. A resposta correta a uma tecnologia ruim não é parar a tecnologia. É uma tecnologia melhor. Pelos meus cálculos, a soma total das tecnologias é igual à civilização. Civilização é tecnologia. Tecnologia é a obra cumulativa agregada da imaginação e da invenção humanas.


Mas qual é a contribuição que a tecnologia realmente nos dá? O avanço proporcionado por ela nem sempre é evidente e perceptível. Todo pensamento pode ser subvertido. Nesse sentido, toda tecnologia pode ser vítima de abusos. Além do mais, todas as soluções que a tecnologia oferece trazem também novos problemas. Mas é preciso observar que, em última instância, a tecnologia amplia as nossas possibilidades de escolha. Em geral, uma tecnologia apresenta aos seres humanos outra maneira de pensar sobre algo. Cada invenção permite outra forma de ver a vida. Cada ferramenta, material ou mídia adicional que inventamos oferece à humanidade uma nova maneira de expressar nossos sentimentos e outra forma de testar a verdade. À medida que novas maneiras de expressar a condição humana são criadas, amplia-se o conjunto de pessoas que podem encontrar seu lugar único no mundo.


A tecnologia nos proporciona escolhas. Assim, sua principal contribuição está expressa nas possibilidades, nas oportunidades e na diversidade de idéias. Sem ela, temos muito pouco disso. Nosso trabalho coletivo é substituir tecnologias que limitam nosso poder de escolha por aquelas que o ampliam. O telefone, por exemplo, é uma tecnologia que amplia continuamente as oportunidades – e fecha muito poucas. O DDT (composição química usada como inseticida) é uma tecnologia que abre importantes possibilidades, mas restringe algumas outras. A engenharia genética inaugura um vasto terreno de escolhas, mas seu potencial para restringir muitas outras é amplo e incerto.


A tecnologia pode tornar uma pessoa melhor? Sim, mas somente se oferecer a ela novas oportunidades. Oportunidade de obter excelência com a mistura única de talentos com que nasceu. Oportunidade de encontrar novas idéias e novas mentes. Oportunidade de ser diferente de seus pais. Oportunidade de criar algo. Serei o primeiro a acrescentar que, isoladas – sem nada em torno delas –, essas oportunidades são insuficientes para produzir a felicidade. A escolha funciona melhor quando há valores para guiá-la. De qualquer forma, considero que a tecnologia é necessária para o aprimoramento humano, da mesma maneira que a civilização. O mundo da tecnologia e a civilização são a mesma coisa.


Um subconjunto especial de seres humanos pensa de forma diferente. Avista o caminho para o aprimoramento no conjunto limitado de opções existente, digamos, na cela de um mosteiro, na caverna de um ermitão ou nas possibilidades deliberadamente restritas de um guru errante. Mas a maioria das pessoas, em quase todos os momentos na história, vê o estoque acumulado de possibilidades em uma civilização como algo que as torna melhores. É por essa razão que fundamos a civilização/tecnologia. É por essa razão que temos cidades e bibliotecas. Elas produzem escolhas. Essa é a grande contribuição da tecnologia: abrir possibilidades – em montanhas sempre maiores de diversidade. Como a própria vida biológica (apesar de seus muitos horrores), acredito que a criação de novas possibilidades representa um bem inequívoco para todos nós.



* Kevin Kelly, um dos fundadores da revista Wired, escreveu vários livros sobre tecnologia, entre eles Novas Regras para uma Nova Economia, publicado em português. Este ensaio foi publicado originalmente em seu blog para discussão pública antes de aparecer em forma de livro.

14.8.07

close D

Closed

blue 'n' smoke

Suggestive Smoke

Blogged with Flock

sweet SCAPE

The Great Escape

Blogged with Flock

13.8.07

FOR REST

out in the woods

Blogged with Flock

home woods

it's time to go

VE hi CLE

friends after all these years

ve HI cle

open mouth

> > > FULL ALBUMS | | | down LOADS . . .

Björk->homogenic | VOLTA< < <

Bon Jovi -> lost highway < < <

Cher -> of, BEST, the < < <

Coldplay -> UNpluGGed < < <

Daft Punk -> 1997 | 2001 | 2004 | 2005 | 2006 | 2007 << <

Robbie Williams -> HIts < < <

Shania Twain -> all lps

U2 -> Discography

Como morcegar (enrolar) no trabalho

1. Nunca caminhe sem um documento nas mãos
Pessoas com documentos em uma das mãos parecem funcionários ocupadíssimos que se dirigem para reuniões importantes. As pessoas de mãos vazias parecem que estão se dirigindo para a cafeteria. As pessoas com um jornal nas mãos parecem que estão se dirigindo para o banheiro. Sobretudo, leve algum material pra casa, isso causa a falsa impressão de que você trabalha mais horas do que você costuma trabalhar.

2. Use o computador pra parecer ocupado

Quando você usa um computador, parece que você está "trabalhando" para quem observa ocasionalmente. Você pode emitir e receber e-mail pessoal, ficar no bate papo ou ter uma explosão quem que isso tenha alguma coisa a ver com trabalho.

3. Mesa bagunçada

Quando sua mesa está bagunçada parece que você está trabalhando duramente. Construa pilhas enormes de documentos em torno de seu espaço de trabalho. Ao observador, o trabalho do ano passado parece o mesmo que o trabalho de hoje; é o volume que conta. Se você souber que alguém está vindo a sua sala, finja que está procurando algum papel.

4. Correio de voz

Nunca responda a seu telefone se você tiver o correio de voz. As pessoas não te ligam para te dar nada além de mais trabalho. Selecione todas suas chamadas através do correio de voz. Se alguém deixar uma mensagem do correio de voz para você e se for pra trabalho, responda durante a hora do almoço quando você sabe que eles não estão lá.

5. Pareça impaciente e irritado.
Você deve estar sempre parecendo impaciente e irritado, para dar ao seu chefe a impressão de que você está realmente ocupado.

6. Sempre vá embora tarde.

Sempre deixe o escritório mais tarde, especialmete se o seu chefe estiver por perto. Sempre passe na frente da sala do seu chefe quando estiver indo embora. Emita emails importantes bem tarde (por exemplo 21:35, 6:00,etc..) e durante feriados e finais de semana.

7. Reclame sozinho.

Fale sozinho quando tiver muita gente por perto, dando a impressão de que você está sobre pressão extrema.

8. Estratégia de empilhamento.

Empilhar documentos em cima da mesa não é o bastante.Ponha vários livros no chão. (os manuais grossos do computador são melhores ainda)

9. Construa um vocabulário.
Procure no dicionário palavras difíceis. Construa frases e use-as quando estiver conversando com o seu chefe.Lembre-se: ele não tem que entender o que você diz, desde que o que você diga dê a entender de que você está certo.

10. O MAIS IMPORTANTE!!!
Não envie isto ao seu chefe por engano!!!!!

>>> Super Interessante - Downloads | | |

Super Interessante - Junho/07

Super Interessante - Maio/07

Super Interssante - Abril/07

Super Interessante - Março/07

| | | HOMEM CUECA - DOWNLOADS | | |

Clique aqui para baixar todos os episódios do hilário HOMEM CUECA em mp3.


Clique aqui para baixar todos os episódios do hilário HOMEM CUECA em mp3.

>>> Galileu - Downloads | | |

Galileu - Dezembro/06

Galileu - Maio/07

Galileu - História 1

Galileu - História 2

>>> Mundo Estranho - Downloads | | |

Mundo Estranho - Maio/07

Mundo Estranho - Dezembro/06

Mundo Estranho - Novembro/06

Mundo Estranho - Outubro/06

Mundo Estranho - Setembro/06

< open your windows >

8.8.07

1976

Renaissance Center HDR

Blogged with Flock

red&amp;green

droplet5

FlamE

flame

Conheça seu tipo de mulher

Mulher Melancia: redonda, pesada, cheia de caroços e tem a casca grossa
Mulher Maracujá: tem a cara enrugada e quando come dá sono.
Mulher Mexerica: é fácil de abrir, mas é cheia de gomos.
Mulher Banana: é pesada e dá indigestão se for comida antes de dormir
Mulher Abacaxi: gostosa, porém a preparação requer muita paciência.
Mulher Morango: é bonita, vistosa, mas estraga com facilidade.
Mulher Limão: com pinga é uma delicia, mas depois dá uma ressaca...
Mulher Acerola: é pequena, azeda e boa para curar resfriado.
Mulher Laranja: adora ser chupada.
Mulher Jaca: ninguém consegue comer todo dia.
Mulher Maçã: é fácil de encontrar e dá o ano inteiro.
Mulher Pêssego: a maioria está em conserva.
Mulher Ameixa: só dá uma vez por ano.
Mulher Coco: tem a cabeça dura e cheia d'água.
Mulher Mamão: só dá numa posição: Mamãe & Papaia.
Mulher Framboesa: só dá no estrangeiro.
Mulher Romã: ninguém sabe onde encontrar.
Mulher Laranja Lima: só dá de vez em quando e não tem gosto de nada
Mulher Pêra: tem o tronco fino e a bunda grande.
Mulher Goiaba: a maioria vem bichada.
Mulher Abacate: se comer todo dia engorda.
Mulher Uva: tá sempre enroscada em algum cacho.
Mulher Melão: é comida por gente rica.
Mulher Graviola: só dá no Nordeste.
Mulher Caju: amarra-se com facilidade.
Mulher Beterraba: ninguém come porque gosta, só porque mamãe quer.
Mulher Kiwi: é estranha, mas é gostosa.
Mulher Ingá: só quem já comeu conhece.
Mulher Fruta-pão: pra poder comer, tem que cozinhar bastante.
Mulher Jambo: dá muito mais do que você consegue comer.
Mulher Cogumelo: só dá no escurinho.
Mulher fruta-de-conde: dá mais trabalho pra comer do que parece.
Mulher cana-de-açúcar: é bem docinha, mas depois de chupada
só sobra o bagaço.

7.8.07

sss sun FLOWER SSS

men and nature ways

S005_939.jpg

to daisy

Its raining

... light ... vase ...

Uplit vase

PINKLIFE inn - - -

Lil Bug- Best viewed large

rainboWAY

Flickr Photo Download: Brickpit Ring Walk Bicentenial Park

lady BUG &gt;>>

Wet ladybeetle

BLUE&amp;ROSE

Dandelion Fireworks-PHOTO 183-The halfway mark

| || ||| BLU&amp;YELLOW |||

Contrasts

caipirosKA

Refreshing

b EE |||