27.10.09

Ética e manipulação da imagem no fotojornalismo digital


Ética e manipulação da imagem no fotojornalismo digital
O fotojornalismo é caracterizado como sendo uma parte da fotografia na qual a informação é transmitida ao público por meio da imagem fotográfica, de maneira clara e objetiva. Por meio de tal ciência a fotografia é capaz de transmitir informações devido ao enquadramento utilizado pelo fotógrafo diante do fato. Assim, a imagem é fundamental aos meios de comunicação por servir como complemento para os textos das matérias jornalísticas.
A fotografia jornalística é dividida em gêneros. Dentre esses, destaca-se a fotografia social (com imagens sobre política, economia e acontecimentos gerais), a fotografia esportiva (que deve conter várias informações), a fotografia cultural (que chama atenção para a notícia em destaque) e a fotografia policial (relacionada a imagens de combate, repressão policial, crimes, mortes).
Existe uma polêmica em relação à fotografia gerada em torno dos conceitos de tratamento e manipulação de imagem que, geralmente, são confundidos. O tratamento de uma fotografia consiste em melhorar a qualidade da imagem por meio da tecnologia, a qual permite que pontos escuros sejam clareados, alterar a saturação das cores e fazer mudanças no brilho. Porém, o conteúdo não é modificado, isto é, a mensagem transmitida pela imagem não é alterada. Já a manipulação consiste em interferir na realidade dos fatos, em que elementos podem ser acrescentados ou excluídos fazendo com que o real vire ficção ou uma ficção vire realidade. No fotojornalismo, a manipulação de imagem é condenável no ponto de vista da ética, justamente por distorcer a realidade e não apresentar todos os fatos em precisão.
A manipulação da imagem ocorre antes da era digital, com a alteração dos negativos das máquinas analógicas. Com a tecnologia digital, a percepção da manipulação da imagem torna-se mais complicada, justamente por não existir os negativos e, consequentemente, provar as alterações na imagem é mais difícil. "Até mesmo a questão da propriedade intelectual e a questão do controle econômico sobre a imagem digital se tornam problemáticas, pois não existem negativos" (SOUSA, Jorge Pedro. História Crítica do Fotojornalismo Ocidental, 2000, p. 216).
O livro “Les commissariat aux archives – Les photos qui falsifient l´histoire” (O Comissário para Arquivos - Imagens que falsificaram a história), do jornalista e escritor Alain Jaubert, retrata que muitos políticos utilizaram a manipulação fotográfica para omitir dados sobre a realidade social e política do país que governavam e assumirem posição de dominação perante a população. "O personagem que aparece ao fundo é Tibor Samuelli, enviado especial do governo revolucionário húngaro de Bela Kun, que foi à Moscou pedir ajuda ao jovem poder soviético. Para eliminar qualquer alusão a uma possível internacionalização da revolução bolchevique, o estrangeiro foi apagado da fotografia, para conferir maior poder a Lênin", afirmou o jornalista em seu livro publicado no ano de 1984, p.19.
No jornalismo é comum à manipulação de imagens, mesmo que tal ação contradiga o Código de Ética do Jornalismo, como forma de omitir uma informação que chocaria a população ou para fazer sensacionalismo e resultar em maiores vendas nos veículos impressos. "Sim, até as fotografias mentem. Basta haver um mentiroso atrás da câmara fotográfica. E uma mentira jornalística, no Líbano como por cá, pode ser mais letal que um bombardeamento", retratou o jornalista do Jornal de Notícias Manuel António Pina em relação à manipulação digital das fotografias referentes ao bombardeamento de Beirute pela Força Aérea de Israel.
No Brasil os métodos de controle dos processos de manipulação de imagem ainda são menos eficazes que no exterior. Para evitar a alteração parcial ou total do conteúdo da matéria ocasionado pelas imagens digitais, jornais como "O Globo e Folha de S. Paulo", elaboraram normas de edição interna que previna tais acontecimentos. "Em geral, a Folha não usa montagens fotográficas, fotos recortadas, invertidas, retocadas, ovais ou redondas" (MANUAL DA FOLHA DE S. PAULO. 8ª edição).
No ponto de vista da Ética do Jornalismo, a manipulação da imagem é inaceitável, pois ao se alterar uma fotografia o jornalista não está fornecendo todos dados à população, ou seja, não exerce seu papel de difusor da verdade. Porém, com a influência do sistema capitalista nos meios de comunicação de massa, tal processo ocorre com frequência, pois os proprietários dos veículos de comunicação dão prioridade aos lucros gerados com as vendas de uma imagem manipulada ao priorizarem um jornalismo ético e verdadeiro.



A banalização da imagem e do momento
O lançamento contínuo de novas tecnologias nos impõe o desafio de rever – e relembrar – os conceitos de educação. Afinal, o bom senso parece ter desaparecido na medida em que as câmeras fotográficas passaram a ser mais acessíveis.
O enxame de equipamentos digitais e a facilidade com que se captura uma imagem são fantásticos. Qualquer cidadão pode ter uma câmera de dois, três, seis, oito, doze megapixels, que cabe no bolso, na carteira, na bolsa, é discreta e pode ser levada a qualquer lugar. Todo momento pode ser fotografado, registrado, guardado para a posteridade. Bom isso não?
Não! Tenho constatado, tanto em situações cotidianas como em cerimônias formais, a banalização total da captura de imagens. Alguns defendem essa prática, mas questiona-se: O que aconteceu com o “apreciar o momento”? Com o respeitá-lo, curti-lo, com o ato de registrar na memória seus sons, cheiros e emoções?
As pessoas estão vivenciando uma situação emocionante, como a benção das alianças em um casamento, por exemplo, e os fotógrafos entram na frente, mil camerazinhas surgem com seus flashes inconvenientes. E quem está no evento porque, de alguma forma, tem envolvimento com seus protagonistas, acaba não testemunhando a cena. Até porque, é claro, depois poderá ver as fotos. Logo, para que prestar atenção? Para que curtir o momento? Aliás, para que ir? Melhor ficar em casa e depois acompanhar toda a cerimônia por meio de um blog.
A primeira lição de um fotógrafo na arte da fotografia é: “Seja invisível na captura da sua imagem. Você tem de obtê-la sem que ninguém perceba sua presença”.
Mas não é isso que ocorre. Em cerimônias atuais do tradicional casamento o que se presencia é um espetáculo parecido a um show de rock: telão, quatro câmeras de filmagem, seis fotógrafos... O momento de cumprimentar os padrinhos foi um verdadeiro ensaio teatral: o fotógrafo pegava um por um e mandava – isso mesmo: mandava – os noivos esperarem. Absurdo! É o fim da naturalidade em razão de um lindo álbum. Mas e o momento? Apreciá-lo naturalmente, fazer coisas inusitadas, ir com os noivos agradecer a cada padrinho é mais prazeroso do que deixar o casal feito postes, parados em frente ao altar. O respeito a uma cerimônia de casamento não existe mais; tudo é show. Não há silêncio, mas sim aquela movimentação de gente no altar impedindo até mesmo que as testemunhas vejam noivos.
Até compreende-se as camerazinhas da plateia, que em vez de atentar para a cerimônia, fotografa para guardar uma lembrança. Mas a crítica é direcionada ao profissional de fotografia, que esta lá para registrar as cenas e acaba sendo o alvo de atenção.
Por essas considerações, é necessária uma reflexão sobre o quão prazeroso é compartilhar as situações antes de sacar a maquininha de churrasco do bolso e disparar o incomodo flash. Fotografe sim, mas depois de sentir a emoção. Com certeza as imagens serão mais focadas.

Público mais consciente do "Efeito Photoshop"
Duas décadas após a criação do Photoshop, o seu papel na produção de imagens comerciais continua sendo discutido e questionado como se fosse novidade.
Um vídeo de um site sobre dieta mostra, em tons de alarme e perplexidade, a maneira como a indústria da moda e da fotografia de celebridades realimenta seus padrões estéticos irreais pelo uso do Photoshop para retocar imagens. O vídeo inclui entrevista com um fotógrafo e uma cena interessante na qual ele mostra os retoques à própria apresentadora, foi fotografada em seu estúdio, arrancando dela exclamações como "Uau! Eu fico tão mais bonita com Photoshop!".
Isso tudo é absolutamente carne de vaca para qualquer fotoxopista profissional. Às vezes até rola uma impaciência por ver tanta gente fazendo marola com algo que, como o próprio fotógrafo no vídeo comenta, virou mainstream há pelo menos 10 anos. Já não sabe todo mundo que as gostosas da Playboy são obras de ficção? Que não é para ninguém ficar com neuras psicológicas por causa da aparência irreal das modelos nas capas das revistas femininas?
O problema é quando se tenta criar um clima persecutório por conta disso, gerando controvérsia onde no fundo não existe. O Diet.com força a mão habitualmente, aliás. Em seu vídeo mais popular no YouTube, uma convidada, autora de livros com teorias conspiratórias sobre a indústria alimentícia, mostra um Lanche Feliz do McDonald's com mais de três anos de idade, ressecado e duro, porém com uma "cara" surpreendentemente ainda boa. A escritora proclama: "Isso não pode ser natural. É isso o que queremos que nossos filhos comam?”.
No vídeo do sanduíche, a objetividade científica sai de cena para dar espaço ao alarmismo mais raso. E essa mesma atitude contamina a visão do Photoshop por leigos. O site, ao final do vídeo, pergunta: "Devemos banir o uso do Photoshop?”.
O Photoshop herdou a tarefa que era do laboratorista nos tempos analógicos. Retoques são tão antigos quanto a própria fotografia. Sem tratamento de imagem, aliás, simplesmente não há produto. Não se deve ser contra esse procedimento por causa de uma coisa conceitualmente diferente, que é a manipulação da imagem.
Embora o mundo da fotografia manipulada seja pontuado por abusos e também por simples incompetência na pós-produção, implantar algum tipo de controle ou censura de cima para baixo sobre o que se publica – sem que se trate de imagens para fotojornalismo, onde o retoque efetivamente é pecado – isso sim seria o verdadeiro abuso.
Num mundo em que a polêmica e não a relevância determina o tamanho da repercussão dos fatos, podem passar batidas opiniões ponderadas como as de Clicio Barroso, fotógrafo e mestre de Photoshop e Lightroom. Diz ele: "O pós-tratamento não é o vilão, mas sim a falta de consciência fotográfica." Defende o mínimo uso possível de Photoshop na pós-produção, deixando que as marcas naturais na pele das modelos contem sua história. Ademais, muitos problemas comuns de imagem são questão de enquadramento, ângulo e iluminação, não de defeitos no que é fotografado. Nenhuma quantidade de layers e filtros substitui uma foto capturada adequadamente. E quanto melhor se conhece o Photoshop, menos se depende dele.
Talvez esta seja uma nova ética de trabalho com imagem para nossa época: algo análogo ao célebre conceito budista de "Caminho do Meio". Ou, em termos mais populares, "nem tanto ao vetor, nem tanto ao pixel".

Ética e Photoshop
O fotógrafo Cristiano Mascaro fala sobre seu livro mais recente, Feito e Desfeito, publicado pela Editora BEI, em 2007, como primeiro volume da coleção Educação do Olhar. Em entrevista à CULT, o artista e arquiteto nascido em Catanduva, interior de São Paulo, também analisa a produção de "artistas de photoshop" e comenta sobre a ética na fotografia.

CULT: Com os programas de computação que tiram e acrescentam aquilo que não existe de fato, a fotografia ganha ou perde?
Cristiano Mascaro - Ainda é muito cedo para fazermos uma análise precisa. Em todo caso, podemos dizer que do ponto de vista da criação, evidentemente, os avanços tecnológicos sempre serão bem-vindos, pois colocam novos desafios e possibilidades diante do artista. Por outro lado, no jornalismo, por exemplo, a ética e o compromisso com a veracidade dos fatos devem falar mais alto. Já houve um caso em que o fotógrafo aumentou a dramaticidade de sua imagem de guerra colocando mais fumaça de bombas na cena. Se o costume vingar, rapidamente passaremos a não acreditar no fotojornalismo. No entanto, tenho uma cisma um tanto masoquista que vale principalmente para o primeiro caso, o da criação: facilidades demais atrapalham. O desafio do artista é o duro embate com seu material e as limitações e as dificuldades que lhe são impostas. O fotógrafo diante do computador operando o photoshop corre o risco de se tornar um daqueles "pianistas" sentado à frente de um daqueles pianos eletrônicos: ele só finge que está tocando ou compondo alguma coisa.

CULT - Qual é a ética da fotografia?
C.M. - Muitos conceitos terão de ser repensados e reavaliados depois do aparecimento da linguagem digital. Diversas coisas antes impensáveis como próprias da fotografia, terão de ser assimiladas. Para o bem e para o mal. No entanto, como tudo na vida, há limites. Se não os levarmos em conta, correremos o risco de criar outra coisa que não será mais fotografia tal como a conhecemos. Creio que o respeito e a fidelidade aos princípios básicos da linguagem fotográfica definem sua ética. Mas para não parecer muito ortodoxo, devo frisar que esse respeito deve estar mais presente no fotojornalismo e na fotografia documental. No trabalho autoral, o fotógrafo deve ser livre para criar o que bem entender.
Ética na imagem digital
MODELO DE DIRETRIZES ÉTICAS
Protegendo a Integridade de Fotografias Jornalísticas na Edição Digital
Estas diretrizes são patrocinadas por DigitalCustom Group, Inc. para ajudar editores e repórteres a formular políticas para a aplicação ética e objetiva da edição da imagem digital e os seus procedimentos na fotografia jornalística.

1.0 Procedimentos de ajuste realísticos
Estes procedimentos de edição são permitidos em imagem digital para compensar limitações e defeitos inerentes no processo fotográfico digital, desde que necessários:
1.0.1 Balanço e correção de cor
1.0.2 Queimar ou escurecer parcialmente
1.0.3 Proteger ou clarear parcialmente
1.0.4 Retoque de riscos, manchas, pó, ruídos digitais.
1.0.5 Correção da distorção da lente
1.0.6 Otimização do arquivo
1.0.7 Ajustes de foco
1.0.8 Retoque de brilhos ou reflexos
1.0.9 Clarear ou escurecer global
1.0.10 Eliminação de olhos vermelhos

2.0 Imagem Jornalística/Editorial (Procedimentos Permissíveis)
Os seguintes procedimentos de edição em imagem digital são aceitáveis no uso jornalístico/editorial, a menos que a natureza da publicação exija que as imagens sejam precisamente representativas do que foi fotografado.
2.0.1 Cortes (crop), escurecimento ou suavização de foco para reduzir/eliminar material supérfluo, preservando o contexto do evento.
2.0.2 Realçar uma imagem, ou parte de uma imagem, quando atende a um propósito investigativo. O uso de técnicas de realce deve ser descrito na legenda.
2.0.3 Encobrir a identidade de alguém, por exigência ou recomendação legal, feito de forma óbvia (venda, pixelização)
2.0.4 Acrescentar movimento "proporcional" realístico para objetos em movimento. (Alguns comentadores fizeram exceção a esta diretriz afirmando que nenhum movimento deveria ser acrescentado "fora da imagem da máquina fotográfica". Neste ponto, em essência, discute-se que o fotógrafo e não o editor digital deveria determinar se uma imagem deve ser mostrada com movimento ou não. O mesmo assunto surge em relação à aplicação de "efeitos" de fisheye e outros efeitos em pós-produção de imagem. Estes aspectos importantes devem ser solucionados entre o fotógrafo e o editor. Um editor digital deve respeitar a política que lhe é transmitida).

3.0 Imagens Jornalísticas/Editoriais (Procedimentos não admissíveis)
Os seguintes procedimentos de edição imagem digital não são aceites para uso jornalístico/editorial:
3.0.1 Adicionar, remover ou mover objetos de tal um modo que o contexto do evento é alterado.
3.0.2 Progressão de idade ou regressão (por exemplo, acrescentando cabelos brancos).
3.0.3 Mudar a expressão facial de uma pessoa, gestos, roupa, partes do corpo ou acessórios pessoais.
3.0.4 Retoques que aumentem ou reduzam a qualidade ou aparência de um artigo, ou a estética de um lugar.
3.0.5 Aplicação de movimento para criar uma impressão enganosa que o assunto está a mover-se a uma velocidade diferente da qual se estava movendo durante o evento.
3.0.6 Efetuar ou mudanças de cor de maneira a que os efeitos ou mudanças de cor aplicados não aparentem edição digital ou onde parte do evento original seja encoberto.
3.0.7 Uso qualquer outro procedimento edição digital de forma a criar uma impressão enganosa do evento, dos participantes ou contexto.
3.0.8 Em fotografia de natureza, deve-se tomar cuidado especial para representar o animal e vida de uma planta no seu ambiente atual, habitat e contexto (por exemplo, não ilumina um fundo para fazer parecer que um animal noturno é diurno ou colocar um animal em colocações geográficas fabricadas).
3.0.9 Não é aceitável manipulação de fotografia de natureza para criar um falso aparecimento de animais associando com outros animais (inclusive humanos), agrupar animais de forma não natural ou aumentar o número de animais num grupo.
3.0.10 É permissível o destaque em imagens ou parte de imagens de natureza com a finalidade de investigação ou visibilidade, apenas se a manipulação for incidental, óbvia ou especificamente descrita para o espectador.
3.0.11 Não é admissível representar um fenômeno fabricado como natural (por exemplo, adição de uma estrela cadente ou arco-íris).
3.0.12 Estes procedimentos não são admissíveis quer por edição digital ou física das imagens.

4.0 Imagens de promoção em publicações Jornalísticas (Procedimentos Permissíveis)
As seguintes formas de edição digital são aceitáveis (por exemplo, em capas de publicação e áreas introdutórias de um artigo) até certo ponto, de forma a não enganar sobre os eventos, participantes ou contexto:
4.0.1 Edição de cor e luz com efeito criativo.
4.0.2 Montagens, justaposições e efeitos de montagem.
4.0.3 Ajustes de foco.
4.0.4 Transformação em retrato (portraitization) de uma fotografia não retrato (i.e. isolando e retocando o assunto contra um fundo).
4.0.5 Retoques de pele e embelezamento de cabelo.
4.0.6 Titulo (ou outro texto) superposto.
4.0.7 Uso de outros procedimentos digitais de edição de modo a não enganar sobre os eventos, participantes ou contexto.

5.0 Imagens promocionais para publicações jornalísticas (Procedimentos não aceitáveis)
Idem do item 3.0

6.0 Preservação de arquivos Fonte e Princípios Subordinados
O arquivo original capturado pelo fotógrafo (ou digitalizado) deve ser preservado, e todos os arquivos integraram-se numa imagem composta, deveriam ser preservados como evidência da extensão da edição.
6.0.1 Toda publicação deveria designar um ou mais editores para decidir assuntos éticos relacionados a imagem digital e procedimentos.
6.0.2 Este assunto diz respeito às diretrizes éticas da empresa, que deveriam acompanhar as diretrizes de edição digital de imagens, devendo ser ensinadas e divulgadas como norma.
6.0.3 Na ausência de informações em contrário, um editor digital pode assumir que as instruções recebidas de um contacto designado por uma publicação são consistentes com as políticas da publicação.
6.0.4 Estas diretrizes dizem respeito a imagens jornalísticas em geral, não visam quem participa na edição uma publicação em particular (o fotógrafo, editor, o repórter). Toda a publicação deve ter uma política global clara e definida a esse respeito.
6.0.5 Estas diretrizes visam imagens jornalísticas e não têm por objetivo limitar procedimentos aplicados a imagens comerciais, imagens artísticas ou imagens para propósitos pessoais.


23.10.09

JORNALISTIQUÊS

Indicações de Uso
O jornalista é um profissional permanentemente atento aos próprios direitos e aos deveres dos outros. Como os políticos, ele zela pelo bem comum. Como os juizes, ele fiscaliza o cumprimento das leis. Como os poetas, ele preserva com belas palavras o lirismo bucólico das nossas desgraças urbanas e sociais. Ele é um paladino! Um sentinela! Um quase mártir! Tem consciência de classe. Freqüenta o Sindicato. Tem carteirinha de partido. Passa a vida mudando de emprego e vive sempre duro.
De madrugada, nos bares da cidade, os jornalistas se encontram para um penúltimo (copo) papo. É uma hora sagrada. Enquanto a população indefesa dorme, os Arcanjos da Verdade (hic!) salvam o mundo.

Exemplos de Aplicação

Bate-bola no balcão


— Cansei! Não agüento mais trabalhar com PAUTAS TELEGRÁFICAS FURADAS! Todo dia é a mesma coisa! Só me sobra COBERTURA OFICIAL MANIPULADA! E tome REPORTAGEM NEUTRA! Tudo menos uma MATÉRIA OPINATIVA INSTIGANTE! TÔ com o saco cheio! Mais uma pra mim, companheiro!

— Isso não é nada! Você acredita que eles transformaram numa REPORTAGEM FACTUAL SENSACIONALISTA uma tremenda DENÚNCIA COLOQUIAL de FONTE IMPESSOAL CONFIÁVEL? Todo meu trabalho acabou virando uma CHAMADA TENDENCIOSA... Bota outra aqui, cidadão!

Autor: Carlos Queiroz Telles

ERREPEÊS

Toda atividade profissional que, como as Relações Públicas, esconde o próprio nome com iniciais misteriosas é, em princípio, suspeita. Embora pareçam mais nomenclatura de tipos sangüíneos, as RP, assim como os RH, têm algo em comum: fazem uso de expressões estranhas para denominar antigos e corriqueiros procedimentos empresariais.

O RP ou a RP (a profissão é muito apreciada pelas mulheres) é um ser dotado de inquestionável aptidão social e política. Ele conhece todos e tudo. Sabe e trilha com galhardia o caminho das pedras. Sua especialidade é "chegar lá", custe o que custar. Para isso promove e freqüenta banquetes, seminários, conferências, coletivas e outras orgias similares. Tem grande jogo de cintura e um nariz altamente desenvolvido para saber a hora exata de sacar o potinho de vaselina, o revólver ou... a carteira.

Se me odiarem e me destratarem pelo que escrevi acima, garanto que encontrarei nas próprias RP armas e munições que me defendam e me justifiquem. Querem ver?

Exemplos de Aplicação
Pensarem que intentei atacar uma honrada profissão com meu pequeno livro é, antes de mais nada, uma total falta de CONSCIENTIZAÇÃO DE CARÁTER COOPERATIVO. O humor nunca foi nem será uma ATIVIDADE DE SUPORTE PROTOCOLAR e é exatamente neste ponto que reside a sua POSTURA DE INTERESSE COMUNITÁRIO.
Os comentários publicados tinham a única intenção de promover uma SENSIBILIZAÇÃO DE ENFOQUE PÚBLICO e jamais denegrir uma atividade que tem como pressuposto básico o desenvolvimento de INICIATIVAS DE SUPORTE CÍVICO! Pô!

Autor: Carlos Queiroz Telles

PUBLICITÊS

Indicações de Uso

Não há nada que um publicitário não saiba. Não há nada que um publicitário não venda. Herdeiro legítimo de um cruzamento incestuoso de arauto com mascate, o publicitário cultiva com belas palavras o charme de sua modernidade.
A Publicidade também é uma deusa que adora inflar o ego de seus servidores. Todos são belos. Todos são viajados. Todos são inteligentes. Todos são premiados! O preço que se pagã para atingir tamanha felicidade é normalmente medido em divórcios, úlceras ou enfartes.
Para falar corretamente o publicitês, além de dominar o vocabulário básico, você precisa ser visto nos lugares certos, vestir-se bem e exercitar continuamente o precioso dom da vaidade. Com a prática, é recomendável uma mistura de termos de outros "dialetos", especialmente mercadologiquês e pesquisalês. O resultado é sensacional!
Em tempo. Lembre-se sempre que você nunca erra. Jamais caia na terrível tentação da autocrítica! Esta falha de caráter pode ser fatal e comprometer para sempre sua carreira e sua imagem.

Exemplos de Aplicação
Apresentação de campanha


Contato da Agência
Para a campanha deste ano, nossa equipe de criação desenvolveu um APROACH INFORMAL EMPATIZANTE, com ênfase em COPYS TESTEMUNHAIS DRAMÁTICOS e LAYOUTS MEMORÁVEIS AGRESSIVOS. Mais do que uma tática de comunicação SAZONAL HUMORÍSTICA, o que se deseja é o desenvolvimento de uma estratégia PROSPECTIVA de nítido ENFOQUE REEVERIANO.

Gerente de Comunicação do cliente
Belíssimo trabalho! Gostei especialmente dos TEASERS DE ESTÍMULO ERÓTICO e do BROADSIDE PROMOCIONAL COOPERADO. Esta peça vai criar um grande impacto EMOCIONAL EXPLÍCITO em nossos revendedores.

Autor: Carlos Queiroz Telles

21.10.09

O Twitter está só no começo

Aos 34 anos, o americano Biz Stone está à frente de uma empresa que, com apenas três anos de vida, já está avaliada em mais de US$ 1 bilhão. O Twitter, rede de microblogs criada por ele e pelos colegas Evan Williams e Jack Dorsey, transformou-se em pouco tempo em um dos maiores sucessos da história da internet, atingindo a marca de 45 milhões de usuários cadastrados. No Brasil, o Twitter vem registrando uma ascensão fulminante - já são oito milhões de usuários, sendo que a maior parte deles, cerca de cinco milhões, ingressou no sistema nos últimos três meses.

O sucesso, porém, ainda não se reverteu em bons resultados financeiros. Situação, por sinal, similar à de outras investidas do gênero, como os sites de vídeos YouTube e a rede social Facebook. Todos ainda estão em busca de gerar receita para seus acionistas. Stone participa hoje no Brasil do II Encontro Agenda do Futuro, organizado pela empresa de serviços de comunicação TV1. Antes de chegar ao País, deu a seguinte entrevista, por e-mail:

Em três anos, o Twitter conquistou 45 milhões de usuários e está avaliado em cerca de US$ 1 bilhão. Você e seus sócios previam isso quando criaram a rede?

Sob muitos aspectos, o Twitter cresceu mais rápido do que o esperado. Os números mencionados impressionam em muitos níveis, e certamente não esperávamos tamanho crescimento num período tão curto. Dito isto, ainda sentimos que estamos apenas no começo do Twitter enquanto serviço e enquanto empresa, e por isso esperamos um crescimento ainda maior no futuro.

Em Cannes, durante o festival de publicidade, você demonstrou certa tranquilidade pelo fato de o Twitter ainda não apresentar receita. Quando você acredita que a empresa vai começar a dar lucros?

Vamos lançar este ano produtos capazes de proporcionar renda. Um desses produtos que estamos desenvolvendo, mas que ainda não lançamos, permitirá às contas comerciais um novo nível de acesso à informação relativa às suas próprias contas do Twitter. Todas as contas do Twitter permanecerão gratuitas, mas algumas empresas podem estar dispostas a pagar por uma ferramenta analítica que lhes permita avaliar seu sucesso e aprimorar o uso que fazem do Twitter - o que beneficia a todos no longo prazo.

Que modelo de negócio é o mais apropriado para que o Twitter sobreviva à onda de expansão na internet e não tenha o mesmo destino de projetos, como o Second Life, que não se viabilizaram economicamente?

O Twitter é uma rede de informações a caminho de se tornar indispensável no dia a dia das pessoas - para negócios, política, emergências, festas e muitos outros usos. O modelo mais apropriado para o Twitter valoriza o sistema e torna o serviço ainda mais relevante sem se tornar um obstáculo.

O Twitter não estaria apenas à espera de uma oferta de compra bilionária?

Não estamos interessados em nos envolver com negociações de aquisição, porque o Twitter pode ser uma empresa muito importante e rentável por si mesma. Há alguns serviços mais difíceis de operar do ponto de vista da monetização, mas o Twitter não é um deles. O Twitter está em boa posição para gerar receita.

Há algum impedimento técnico para a adoção de anúncios pelo Twitter?

O sistema TweedSpeed (que gerencia o tráfego do Twitter em tempo real), mostra que são enviadas cerca de 12 mil postagens por minuto e, caso os vídeos de anúncios fossem implementados, seria necessário muito mais banda de internet.
Não há motivo técnico que nos impeça de entrar no ramo da publicidade.

Incluir no Twitter miniaturas de imagens e vídeos (mesmo que esse conteúdo seja hospedado em sites de terceiros) não seria o próximo passo para a expansão do negócio?

Atualmente, há muitas formas de incluir imagens e vídeos nos tweets (postagens), mas elas são desenvolvidas por terceiros com os recursos de nossa plataforma de tecnologia aberta. Há dezenas de milhares de aplicativos que funcionam com o Twitter, e muitos mais são criados todos os dias. Esses aplicativos permitem que os usuários compartilhem fotos, por exemplo, mesmo que a Twitter, Inc. não esteja no ramo da hospedagem de fotos. Como resultado final, os usuários encontram grande conveniência em nosso serviço, e isso é o mais importante.

Como você interpreta os estudos que dizem que 90% dos conteúdos veiculados no Twitter são produzidos por apenas 10% dos seus usuários e que mais de 30% dos que entram uma primeira vez e se registram nunca regressam uma segunda vez?

Não tenho certeza se esse dado está correto, mas é verdade que haverá no Twitter mais pessoas consumindo informação do que a criando. Nossas ferramentas de busca e descoberta estão melhorando, o que significa que muitos virão ao Twitter para aprender e descobrir, e nem sempre para criar novo conteúdo. Não há problema nisso. Uma questão separada é a de superar a lacuna entre conhecer o Twitter e engajar-se verdadeiramente com o produto - reconhecemos que esse aspecto poderia ser melhorado, e estamos trabalhando nisso no momento. Reitero que o mais importante é oferecer um serviço relevante para nossos usuários.

Como tem sido essa sua atual vida de viajante para divulgar o Twitter?

Todos os dias as pessoas usam o Twitter para fazer coisas notáveis. Elas se organizam para arrecadar recursos destinados a causas importantes, comunicando-se e ajudando umas às outras durante situações de emergência, e descobrem formas de partilhar informações importantes em partes do mundo onde isso não é tão fácil. Minha esperança ao partilhar o pouco que aprendemos até o momento é de que as pessoas compreendam o seguinte: não importa o quão sofisticada seja a tecnologia ou quantas máquinas sejam acrescentadas à rede, o Twitter não é um triunfo da tecnologia, mas um triunfo da humanidade.



Fonte: AE

Não há nada como um livro infantil alemão para explicar o 'inexplicável' às crianças....

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Nada como a sutil objetividade alemã!

A cegonha suicidou-se após a publicação do livro !

30.3.09

As imagens que nos devoram: Antropofagia e Iconofagia

As imagens que nos devoram
Antropofagia e Iconofagia
Prof. Dr. Norval Baitello Jr.


Imagem nº 1
A corrida entre a máquina de escrever e a máquina de costura
No ano de 1919, na rua Koethener, em Berlim, os divertidos dadaístas, em mais uma de suas concorridas sessões públicas, promoveram uma corrida entre uma máquina de costura e uma máquina de escrever. Enquanto Raoul Hausmann costurava febrilmente uma tira de tecido juntando uma ponta à outra, Richard Huelsenbeck datilografava, como louco, página após página, de uma escrita qualquer. Quando o juiz e narrador George Grosz anunciou a vitória da máquina de costura, Huelsenbeck atirou a máquina ao chão em uma encenação de protesto, arrebentado-a. Talvez sem saberem a extensão de sua brincadeira-heppenning, os dadaístas estavam vislumbrando naquele momento a derrota da escrita e sua lentidão e a vitória da sutura, do pesponto e da costura em seu gesto veloz de juntar pedaços. Já estávamos vivendo em um mundo ora rasgado, ora recortado, ora dilacerado e que somente se manteria como imagem de mundo se fosse costurado na forma de montagem ou colagem. A linha, que até então servira à escrita, passaria a ser apenas o fio que costura as imagens já prontas, imagens prêt-à-porter, porém sempre de segunda ou terceira mão, sempre já previamente digeridas pelos distribuidores de imagens em grande escala que já prenunciavam na atividade jornalística e na publicitária. A cultura do lento tecer criada pela escrita estava perdendo seu lugar para a cultura imagética da colagem e da montagem, da velocidade e da voracidade: uma imagem devora a outra velozmente, transformando-se em outra imagem, também pronta para ser devorada. A costura é a metáfora da colagem e da montagem. E a colagem é a representação por excelência das imagens que devoram imagens que, com razão, reivindicou Hans Belting na Casa das Culturas do Mundo em Berlim em janeiro de 1999, no primeiro seminário sobre as relações entre a imagem e a violência. Assim, temos na devoração de imagens pelas próprias imagens, uma das configurações daquilo que denominei “iconofagia”.

Imagem nº 2
A perspectiva em abismo

Foi Eduardo Peñuela Cañizal que apontou a existência de uma perspectiva em abismo no cinema do espanhol Pedro Almodóvar, que constrói algumas de suas imagens buscando substratos imagéticos nos filmes de Luis Buñuel, que, por sua vez, as reconstrói a partir de cenas de outros filmes ou ainda de imagens clássicas da pintura espanhola. Quando Pablo Picasso pinta suas versões de “As Meninas”, de Velásquez, também está trabalhando na ótica da perspectiva em abismo. Esta forma abismal de lidar com as imagens não se restringe ao cinema ou à pintura, passou a ser amplamente utilizada também pelos meios de comunicação de massa. Alguns anos atrás o jornal Folha de São Paulo publicou em sua primeira página a foto do esquife solitário de um pixador paulista morto no Rio de Janeiro. Dentro da onda de protestos dos leitores pela dureza da imagem, também se incluíam manifestações de júbilo e êxtase pela beleza da foto que lembrava grandes momentos da pintura universal, recordando que a fotografia publicada não tinha como objeto apenas a morte e a violência, mas também os efeitos de luz e sombra dos quadros de Rembrandt ou de Caravaggio. Assim, o mundo das imagens iconofágicas possui uma dimensão abismal. Por trás de uma imagem haverá sempre uma outra imagem que também remeterá a outras imagens.


Imagem nº 3
A escrita e a imagem

A escrita nasceu das imagens figurativas. As superfícies de pigmentos e cores, espacialidades bidimensionais foram se reduzindo paulatinamente à unidimensionalidade da linha. Mas a palavra ‘linha’ vem do latim línea, que significava ‘fio de linha’ ‘corda ou cordel de linho’. Aqui temos o entroncamento, de onde nasceram, por um lado, o tecido, a roupa, as vestimentas em enfim, a moda e, por outro, a escrita, ambos veículos da chamada mídia secundária (Harry Pross). O desenvolvimento de cada um foi exatamente na direção oposta do outro. Enquanto a escrita nasce dos desenhos e das superfícies pintadas e se transformam em linha, o fio de linha se ordena em trama e urdidura com outros fios para se transformar em superfícies de tecidos. As direções de movimentos são, em princípio, invertidas: a imagem vira linha para criar a escrita e a linha vira trama para dar origem ás superfícies, para fazer os tecidos, para constituir as redes. Acontece que o século XX, o século da imagem, fez renascer a escrita imagética. Com o Futurismo, com o Cubismo, e sobretudo com Dada, mas também as artes aplicadas, o design e a propaganda passaram a iconizar a escrita e as letras voltaram a ser imagens, como no princípio permitindo que também a escrita e a letra recuperassem sua natureza bidimensional da origem. As imagens, superfícies bidimensionais, oferecem espaço para que nós, homens, entremos em seu mundo rapidamente. Ao contrário da escrita que exige tempo de leitura e decifração, permitindo a escolha entre entrar ou não em seu mundo, a imagem convida a entrarmos imediatamente e não cobra o preço da decifração. A imagem não exige uma senha de entrada, pois o seu tributo é a sedução e o envolvimento. A imagem nos absorve, nos chama permanentemente a sermos devorados por ela, oferecendo o abismo do pós-imagem, pois após ela sempre há uma perspectiva em abismo, um vazio do igual (ou, como dia Walter Benjamin, uma “catástrofe” do sempre igual”), um vácuo de informações, um buraco negro de imagens que suga e faz desaparecer tudo o que não é imagem.

Imagem nº 4
A iconofagia, a antropofagia, a imagem e o beijo
Toda comunicação humana nasce do vínculo primordial da amamentação, do beijo que busca o alimento. Ao contrário da imagem, que nos leva a um abismo, o beijo nasce do ato da alimentação original e oferece, como contato e comunicação em mídia primária, a maternidade, a profundidade e a tridimensionalidade. Assim, o beijo, também sendo um ato de devoração, é essencialmente distinto da devoração das imagens ou pelas imagens. É a imensa diferença que há entre a antropofagia e a iconofagia. Enquanto na antropofagia (e o beijo é um legítimo ato de antropofagia!) devoramos o outro ou somos devorados pelo outro, na iconofagia somos devorados pelo abismo que tem como portal triunfal de entrada... uma imagem. E nos transforma, seres humanos tridimensionais de carne e osso, necessariamente, em imagens. Como toda mídia secundária ou terciária, tanto a escrita, hoje iconizada para veiculação rápida pelos meios eletrônicos, como as imagens igualmente potencializadas por veículos de grande alcance, quando vistas apenas em sua natureza mediadora, são portanto a expressão de um abismo voraz, uma grande boca insaciável. Seu gesto, contudo, não é bilateral como o beijo. Sua operação não é uma troca, mas uma apropriação.

Imagem nº 5
Alimento e excremento
Toda ingestão pressupõe uma excreção. Assim também na iconofagia. Como ela consiste em uma infindável e abismal repetição, uma remontagem e uma recolagem, os excrementos das imagens que devoram imagens serão sempre mais imagens. A idéia dos excrementos resultantes da iconofagia, indagada por Bernd Ternes em Berlim, traz consigo ainda uma outra indagação: quais seriam os excrementos quando somos devorados pelas imagens? Quando devoramos imagens, produzimos imagens excrementais. E quando as imagens nos devoram, produzem elas imagens excrementais ou seres humanos excrementais? De qual natureza serão os detritos das imagens devoradoras?

Imagem nº 6
Voracidade compulsiva
A questão dos excrementos é tão mais importante quanto mais profundamente se adentra na era das montagens e das colagens. Um mecanismo de dependência se desenvolve a partir da geração e do consumo crescente de imagens, uma voracidade compulsiva. Assim, não será difícil imaginar que a toda essa inflação das imagens trazidas pelo desenvolvimento das máquinas de imagens corresponde um inflacionamento na produção de imagens excrementais. As imagens visuais, as imagens auditivas, as imagens mentais e conceituais, aquelas mesmas imagens que ajudaram a povoar o imaginário da criatividade humana, que ajudaram o homem a construir a sua segunda natureza, sua cultura, entraram em processo de proliferação exacerbada. Quanto mais elas se oferecem como alimento, mais aumenta a avidez por imagens. Quanto mais aumenta a avidez, menos seletiva e menos crítica se tornam a sua recepção e a sua oferta. Quanto menos seletiva e menos crítica sua recepção, tanto menos vínculos e relações, tanto menos fios e elos, tanto menos horizontes e expectativas, tanto menos consideração por tudo que está ao lado, tanto menos ética, tanto menos história. No desgaste e na perda da capacidade de vincular, de relacionar, é que se dá a inversão do processo devorador: de devoradores indiscriminados de imagens passamos a ser indiscriminadamente devorados por elas.

Imagem nº 7
A costura desesperada

Dentre as manifestações imagéticas mais desesperadas da devoração pelas imagens registram-se, sem dúvida, os trabalhos do artista esquizofrênico Artur Bispo do Rosário. Tendo vivido na Colônia de Psicopatas Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, por mais de trinta anos, sua obra artística aí se construiu, a partir de objetos extorquidos de outros internos do hospício. Tomava suas roupas, não raro valendo-se de suas qualidades de antigo boxeador campeão e marinheiro, e desfiava o tecido para, com a linha resultante, costurar e border infinitamente, com palavras, nomes e frases, suas bandeiras, faixas de concursos de beleza feminina, mantos e painéis. Envolvia cuidadosamente com a linha do tecido desfeito os objetos que transformaria em cetros, estandartes e mastros. A linha e a costura eram o canal de vinculação desesperada do artista no mundo das imagens em que vivia durante os surtos da doença. A febril e insana produção de símbolos identificadores e demarcadores dão o testemunho da profusão de imagens que povoavam seu mundo interior – melhor dizendo, o mundo no interior do qual ele vivia. Sua obra, à maneira do “Merzbau” de Kurt Schwitters, foi preenchendo e invadindo cela após cela, corridor após corredor do manicômio, em um claro gesto de partilhar com os outros as insistentes imagens que o acompanhavam dia e noite.

Imagem nº 8
Nise da Silveira

O Museu da Imagem do Inconsciente, também no Rio, reúne, desde 1946, uma enorme coleção de produção imagética dos pacientes de hospitais psiquiátricos. Criado pela corajosa e genial Nise da Silveira, com o intuito de “fazer sondagens no mundo intrapsíquico” e abrir um “acesso ao mundo do esquizofrênico”, o Museu criou um método especial de ordenar e classificar as imagens produzidas pelos doentes mentais. Em seu acervo estão os testemunhos de vidas devoradas pelas imagens. Os desenhos, pinturas e esculturas componentes do acervo são representações das imagens em cujo mundo viviam atormentados os doentes-artistas. O Museu das Imagens do Inconsciente é mais uma documentação eloqüente da voracidade das imagens, desde aquelas mais primordiais e arquetípicas até aquelas que caracterizam o fecund século XX, o chamado “século das imagens”.

Imagem nº 9
Leo Navratil

Foi o psiquiatra austríaco Leo Navratil, atuante durante muitos anos no Hospital Psiquiátrico de Gugging, perto de Viena, quem elaborou uma classificação dos principais traços expressivos das imagens produzidas pelos esquizofrênicos. Navratil detecta grandes traços estruturais como ‘fisionomização’, ‘geometrização/ritmização’ e ‘simbolização’. A freqüência com que ocorrem estes elementos estruturais nos desenhos e pinturas, na poesia e na escultura dos pacientes de Gugging, oferece a Navratil uma prova irrefutável sobre a tipologia das imagens que atormentam seus doentes. E oferece aos estudos da imagem, da comunicação e da cultura um caminho instigante para compreender a obsessividade do assédio a que nos submetemos. A fértil produção de imagens no decorrer do século que recém findou, independentemente de seu âmbito de origem, tem sempre presente ao menos um dos traços da expressividade esquizofrênica. A obsessão pelas fisionomias conhecidas e pelos ídolos, pelas caras e pela visibilidade fisionômica, a frenética repetição, a insaciável recorrência das mesmas imagens em evidência, a adoração pelos formatos padronizados, previsíveis e sempre os mesmos, a adoração dos símbolos e obediência cega a seus preceitos são alguns dos evidentes traços da subordinação humana em relação ao mundo das imagens. A contribuição de Leo Navratil, reconhecida internacionalmente, ainda se restringe ao pequeno mundo da psiquiatria, não tendo podido, por enquanto, frutificar em universos cognitivos mais amplos.

Imagem nº 10
As cavernas das imagens
A imagem também se constitui em diálogo com seu entorno. Assim temos que considerar seu espaço circundante como parte integrante essencial das imagens. As cavernas nas quais nasceram as primeiras manifestações artísticas, ao lado de serem locais de provável culto e provável introspecção, eram incubadoras de imagens, espaços nos quais o homem se permitia conviver lado a lado com suas imagens, conferindo ao seu imaginário, um tipo de “segunda realidade” (Ivan Bystrina), em primeiro lugar, o mesmo status que ele próprio possuía. Depois conferiu a elas o poder sobre seu próprio destino. Nesses espaços o homem elevou as imagens à condição de divindades. O espaço das cavernas de imagens migrou para os espaços das religiões, os templos, as catedrais, as mesquitas, as capelas. Sempre povoados pelas imagens, ora em suportes visíveis, ora na presença apenas de formas abstratas da arquitetura e da decoração, nas escritas das paredes ou apenas nas paredes das mentes, o espaço fechado dos templos assumiu o papel de útero das imagens que acompanhariam o homem em sua lida diária. Sua função era oferecer aos homens o alimento imaginal, enquanto sua própria imagem era de espaço de auto-sacrifício, entrega e regressão. A migração seguinte se dá na transferência das imagens para as salas de viver, o espaço social e nobre das moradias. Nesses espaços nos entregamos sem culpa, no calor da privacidade e no fim da resistência corporal, no estertor das coerções calendárias do dia (Harry Pross), nos entregamos à voracidade das imagens. Do “living room” ao “chatroom”, passando pelo “showroom” e pelos “sites”, o que caracteriza a todos é a proposta de aconchego, mas não mais acompanhado da introspecção, mas da ‘extrospecção’. Nestes espaços, como nas cavernas e nos templos, não estamos mais exercendo nossa capacidade de ver, mas nos colocamos como objetos para sermos vistos. Nos ofertamos ao olhar das imagens. Já não vemos as imagens, apenas somos vistos por elas.

Imagem nº 11
Corredores de imagens
Como nômade e caçador, o homem aprendeu a se apropriar das imagens à margem de seus caminhos. E, de volta ao calor e à fogueira do agrupamento, aprendeu a alimentar o imaginário dos outros de seu grupo, com as cenas apreendidas ao longo de suas estradas. A caçada buscava não apenas alimento, mas também imagens, das quais todos se alimentavam, caçadores e sedentários. Os caminhos, por terra ou por mar, sempre foram povoados por imagens. Para poder apropriar-se delas era necessário resistir ao seu poder de sedução ou vencer sua astúcia e/ou força física. O encanto das viagens na reside em outro lugar que não seja o da busca de imagens (visuais, acústicas, olfativas, gustativas, táteis ou vivenciais). Os caminhos, estradas e rotas de imagens, no entanto, migraram para as grandes avenidas, com painéis, outdoors e displays, luminosos e banners. Novamente o que ocorre é que, encerrados em nossas naves, somos presa fácil para as imagens que saltam sobre nós, que nos assaltam. A apropriação é mais uma vez inevitável: não somos chamados a ver, somos vistos pelas imagens. Exatamente assim ocorre também nas modernas avenidas da informação, as chamadas infovias e suas ferramentas de navegação. Não temos o direito de não olhar, escravos que nos tornamos de nossos olhos. E, com isto nos despedimos das sagas dos heróis que resistiram aos monstros devoradores e retornaram para produzir suas próprias imagens.

13.1.09

DE CASA NOVA

12.12.08

Grupo Diário de Comunicação reconhece melhores da publicidade

Talento premiado
Grupo Diário de Comunicação reconhece melhores da publicidade
São José do Rio Preto, 12 de dezembro de 2008

Ferdinando Ramos
Festa reuniu nomes mais cotados da publicidade e propaganda

Thiago Guimarães

01:00 - Numa festa concorrida e com a participação de grandes nomes da publicidade e propaganda de Rio Preto, o Grupo Diário de Comunicação anunciou ontem à noite, na San Vitto, os vencedores das cinco categorias da 6ª edição do Prêmio Diário de Comunicação. A Cia Interativa conquistou os três prêmios da categoria Revista. Dois deles com a peça “O jeito mais fácil de entregar suas encomendas”, criada para a Itamarati Express. A outra peça, “Mãe, uma arte divina, com beleza eterna”, foi feita para a clínica Derm. A agência também obteve a segunda colocação nas categorias Jornal e Jornal Varejo. “Este é o resultado de um trabalho em equipe, para o qual trouxemos novas idéias”, disse Janaína Pompeu. A Inovação Propaganda e Marketing também recebeu prêmio pelas três colocações na categoria Rádio com peças feitas para a Motocar Rio Preto. “Toda a agência investiu muito para realizar um trabalho diferente”, afirmou Eduardo Melzi.

Alunos da Unilago conquistaram a primeira e segunda colocações da categoria Universitários com as peças “Indispensável pra você” e “Tatoo”. A peça classificada em o primeiro lugar será veiculada no Diário. “Este prêmio mostra que nossos alunos estão empenhados e preparados para o mercado”, comemorou Jorge Lima, professor responsável pelos trabalhos. A peça “Mulher”, criada pela DLM Propaganda para as Casas Costantini, foi a ganhadora da categoria Jornal. “Estamos felizes, porque Rio Preto tem muita gente competente”, disse Ailton Marques. A Rede Múltipla de Comunicação recebeu o primeiro lugar na categoria Jornal Varejo com a peça “Crianças”, da Faria Veículos. “Este prêmio estimula nossa criatividade e dá ânimo para trabalhar”, comentou Márcio Vidoti.

Os profissionais classificados em primeiro lugar ganharam notebooks. Todos os premiados receberam troféus. A qualidade das peças da categoria Universitários foi elogiada pelo jurado Danilo Boer, diretor de arte da agência Almapbbdo, de São Paulo. “Ao ver as peças fiquei impressionado. É uma prova de que novas mentes estarão no mercado, com idéias e inspirações”, afirmou. O diretor de criação da agência Jardim, de Ribeirão Preto, Luiz Gustavo Villela, disse que os trabalhos apresentados mostram a capacidade dos profissionais de publicidade e propaganda do interior.“São criações que refletem o potencial do nosso interior, que há muito tempo demonstra ser tão ou mais criativo que as agências de São Paulo. A disputa foi acirrada e é disso que precisamos, não só para a valorização dos profissionais mas também pelo resultado que traz para o mercado”, diz. O diretor-superintendente do Grupo Diário de Comunicação, Fabiano Castro Buzzini, destacou a criatividade dos publicitários de Rio Preto. “Este prêmio é um reconhecimento do Grupo ao talento da criação publicitária na cidade.”

OS PREMIADOS:


Ferdinando Ramos
Alunos da Unilago, campeões da categoria Universitários


Ferdinando Ramos
Agência Inovação, a grande vencedora na categoria Rádio


Ferdinando Ramos
Cia Interativa faturou os três prêmios da categoria Revista


Ferdinando Ramos
Rede Múltipla, primeiro e terceiro lugares na categoria Jornal Varejo


Ferdinando Ramos
Equipe daDLMcomemora a primeira colocação na categoria Jornal



Fonte: http://www.diarioweb.com.br/eventos/corpo_noticia.asp?idGrupo=7&idCategoria=42&idNoticia=116443

2.12.08


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14.10.08

4ª SEMANA ACADÊMICA DE NUTRIÇÃO

Acontece no Auditório da Unilago, de 20 a 24 de outubro, a 4ª Semana Acadêmica de Nutrição.

As inscrições devem ser feitas na tesouraria da Unilago e os valores são: R$ 15,00 para alunos e R$ 20,00 para não-alunos.
Informações pelo telefone 17 3354 6001 ou pelo site: www.unilago.com.br.

Confira a Programação

20/10 - GASTRONOMIA HOSPITALAR
Nutricionista Letícia Lacerda

21/10 - NUTRIÇÃO ESPORTIVA E SUPLEMENTAÇÃO
Nutricionista Larisa Marin

22/10 - NUTRIÇÃO, RADICAIS LIVRES E ANTIOXIDANTES
Nutricionista Flávia Pinto César


23/10 - TERAPIA NUTRICIONAL NAS DISLIPIDEMIAS
Nutricionista Luciana Souza Rodrigues Tenhalbel

24/10 - HIGIENE ALIMENTAR
Nutricionista Ellen Borges